Por trás de cada defesa em campo, existe uma rotina de preparação intensa e que vai além dos treinos coletivos. Para entender como funciona esse trabalho dentro de uma das maiores equipes do futebol feminino brasileiro, o Campo Delas, do iG, conversou com exclusividade com Michel Recarti, preparador de goleiras do Palmeiras.
Palestrinas
Atualmente, o time alviverde conta com cinco goleiras no elenco principal, Kate Tapia, Natascha Honegger, Ravena, Tainá Borges e Bruna Hirata. Nas últimas temporadas, as arqueiras da equipe têm sido destaque em decisões nos pênaltis.
Na final do Paulistão 2024, Kate Tapia defendeu três cobranças do Corinthians, garantindo o título para as Palestrinas. O mesmo aconteceu na final da Supercopa, em 2026, quando a colombiana novamente segurou três cobranças, conquistando a taça inédita para o clube.
No entanto, para que os resultados apareçam em campo, existe um trabalho por trás, o preparador de goleiras da equipe, Michel Recarti, detalhou um pouco sobre a dinâmica das atividades realizadas semanalmente.
“Eu acredito muito em uma metodologia que, principalmente, as goleiras precisam entender o cenário, elas precisam interpretar aquilo que acontece. Então, eu fujo um pouquinho da linha do físico-técnico, da linha do analista. Eu gosto dos meus treinos muito mais pautados pela lógica do jogo […] A gente cria um problema, cria um cenário ali para elas, do qual elas precisam tomar as decisões, elas precisam solucionar problemas, elas precisam ser eficientes naquilo que elas estão realizando”, comentou Michel.

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Diferenças e desafios
O elenco de goleiras também reflete a pluralidade do Palmeiras, a equipe hoje conta com oito jogadoras estrangeiras. Dessa forma, algumas características de jogo podem variar de acordo com a formação da atleta.
“Hoje eu tenho uma goleira colombiana, eu tenho a Natasha que é de uma escola suíça-brasileira. Eu tenho a Ravena, que viveu o contexto de base em outros clubes, eu tenho a Bruno Hirata, que também viveu, só que um um pouco mais tarde. Eu tenho a Tainá, que era uma jogadora de linha que começa a jogar no Gol com 17 anos”, comentou o preparador sobre as características da equipe.
Além disso, Michel também destacou as diferenças das escolas de futebol e os desafios da adaptação com o estilo de jogo de cada goleira.
“A Tapia hoje tem 33 anos, ela chega aqui com a gente com 29, 30 anos, eu não vou chegar para uma goleira que tinha muito gesto técnico que me incomodava nela. E eu no começo até tentei ‘Não, pega a bola assim ou pega a bola assim, pelo menos testa dessa maneira’ e testava e não dava certo. Como muitas outras coisas que eu passei para ela, ela começou a reproduzir e começou a dar muito certo. […] Então eu não me apego tanto nessa parte de fundamento, gesto técnico. A não ser que seja algo recorrente, seja algo que tá atrapalhando dentro da performance”, completou o técnico.

Palmeiras
Agora, após o empate fora de casa, na Arena Fonte Nova, em Salvador, as Palestrinas retomam os treinos. Com tudo igual no placar agregado, o Palmeiras busca a vitória para a classificação à semifinal do Brasileirão, na Arena Barueri, nesta sexta-feira (4).

