O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou Bárbara Fonseca, executiva de futebol do Grêmio, por injúria racial acontecida após o GreNal válido pela 5ª rodada do Brasileirão Feminino. A denúncia foi apresentada à Justiça na última sexta-feira (10), mas só revelada nesta quinta-feira (16).
Segundo o MP, Bárbara proferiu ofensas racistas direcionadas a um integrante de uma torcida organizada do Internacional no fim da partida realizada no Sesc Protásio Alves. Durante a investigação, foram ouvidas 11 pessoas e três teriam confirmado ter presenciado as ofensas.
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O crime de injúria racial está previsto na Lei nº 7.716/89 e consiste na ofensa à dignidade de uma pessoa em razão de raça, cor, etnia e origem. Segundo o MPRS, a denúncia busca a responsabilização de condutas discriminatórias e o enfrentamento ao racismo dentro e fora dos ambientes esportivos.
Manifestação de Bárbara Fonseca
O Campo Delas procurou o Grêmio e Bárbara Fonseca, que se manifestaram sobre a notícia da denúncia.
“Apesar de ainda não ter sido citada no processo, devido às informações já divulgadas. Reitero que acompanho com atenção o devido trâmite jurídico da denúncia feita pelo Ministério Público. Convicta da realidade dos fatos e com a consciência tranquila de que a acusação imputada a mim não procede, conforme comprovado inclusive por prova testemunhal e pelas imagens do episódio, tenho certeza de que o processo irá transcorrer no rumo da verdade, assim como foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que decretou a minha absolvição do caso”, diz a nota enviada pelo clube.
Relembre o caso
O episódio, segundo a denúncia, ocorreu no dia 28 de março, no Estádio Sesc Protásio Alves, em Porto Alegre, durante um Gre-Nal. De acordo com o torcedor do Internacional, a dirigente do Grêmio teria proferido insultos racistas, como “sai, filho da p****, macaco filho da p****”.
Ainda na noite do ocorrido, a vítima registrou boletim de ocorrência e, após os depoimentos, a 3ª DPPA de Porto Alegre liberou os envolvidos em razão da divergência nas versões.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, conduzida pela Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI), os agentes ouviram 11 pessoas ao todo, incluindo a vítima, a indiciada e outras três testemunhas que afirmaram ter presenciado as ofensas. Além disso, as imagens das câmeras do estádio também foram analisadas, mas não registraram o momento do ocorrido.
No dia 15 de abril, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou Bárbara Fonseca por injúria racial. Dois dias depois, no âmbito desportivo, o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) absolveu a dirigente. Pedro Gonet, relator do processo, afirmou que, apesar da gravidade de um crime de racismo, ele entendeu que houve insuficiência probatória para condenar. Outros dois auditores acompanharam o relator e votaram pela absolvição.
Durante o depoimento ao STJD, Bárbara Fonseca declarou que a confusão iniciou após um funcionário do Internacional xingar uma atleta do Grêmio. A dirigente questionou o funcionário e, depois disso, segundo Bárbara, parte da torcida do Inter iniciou uma série de xingamentos direcionados à mandatária.
Segundo a versão da dirigente, a suposta vítima de injúria racial disse: “vai tomar no c…, vagabunda”. A dirigente retrucou com o mesmo xingamento e, a partir daí, voltou ao vestiário. Quando saiu, um capitão da Brigada Militar lhe chamou e informou que Bárbara precisaria ir à delegacia.
