Mais duas jogadoras denunciaram Diego Guacci, ex-treinador das categorias de base da Seleção Argentina Feminina, por assédio sexual. Com isso, o número de atletas subiu para 7. O caso ganhou força neste mês de abril, quando jogadoras vieram a público após o Comitê de Ética da FIFA declarar que não havia provas suficientes contra o treinador.
*O texto aborda temas sensíveis, como assédio sexual, podendo desencadear reações diversas em algumas pessoas
Manifestação no Senado
Jogadoras se reuniram no Senado da Argentina nesta quarta-feira (29) para denunciar o caso. 5 jogadoras já haviam denunciado o ex-treinador. Agora, mais duas atletas disseram que também sofreram abusos por parte de Guacci.
Magui, uma das jogadoras que se manifestou nesta quarta ao Senado, foi convocada pelo então técnico para as Seleções Sub-15 e Sub-17 da Argentina.
“Diego me assediava por causa da minha sexualidade. Em todos os treinos, ele repetia que meu desempenho dependia de eu estar ou não com minha parceira. Ele me dizia que se eu tivesse um desempenho ruim, era porque eu não estava dormindo com ela e porque eu não aguentava o ritmo do treinamento, e que para treinar eu precisava ter a mesma coragem que tinha para demonstrar publicamente minha sexualidade, como se ser lésbica fosse errado”, declarou a atleta.
Atleta diz que treinador a ameaçou de morte
Já uma outra atleta enviou uma manifestação, mas não esteve presente no Senado. Segundo ela, que não teve o nome revelado, o treinador chegou a ameaçar de morte.
“Quando cheguei ao River, eu tinha 20 anos. Diego Guacci me acusava, me pedia fotos nuas e se não lhe mandava, não jogava. Me fazia a vida impossível. Me dizia que estando com ele, ia estar na Seleção Argentina. Eu recém chegava a Buenos Aires. Estava sozinha, não conhecia ninguém e me manejava como podia. Quis aproveitar o momento e eu lhe disse, ‘você está muito errado’. Se eu tenho que jogar futebol, vai ser pelo meu esforço, não por mandar fotos nuas“, dizia a carta enviada pela jogadora.
“Diego, naquele momento, me ameaçou com a morte, a mim e a minha família. Toda vez que ia ao River treinar, me olhava com muita raiva e tive que deixar aquele clube por medo de algo acontecer. É algo que nunca vou superar. Não posso, neste momento, estar no espaço que me dão por medo. Tenho muito medo. Tive um ato de suicídio. Ao pouco tempo de ser abusada por Diego Guacci, tentei suicidar-me. Por isso, neste momento, não posso estar aqui”, concluiu a atleta, que não compareceu ao Senado.
Com a impossibilidade de entrar em contato diretamente com o ex-treinador, o Campo Delas enviou mensagens por meio das redes sociais para Andrea Guacci, esposa de Diego. Caso haja resposta, a reportagem será atualizada.
Leia mais sobre o caso: Jogadoras expõem denúncias contra técnico após FIFA não abrir processo
Posicionamento do treinador
Diego Guacci nega as acusações e recorreu à Justiça Argentina. O treinador declarou ao jornal argentino La Nación, no começo de abril, que busca a sua inocência e iniciou um movimento de combate no que definiu como “falsas denúncias”.
“O único objetivo com esta declaração é que a verdade completa e comprovada venha à tona e seja tornada pública, para que a Justiça possa prosseguir sem pressão da mídia ou interpretações maliciosas que desinformem a sociedade e perpetuem o dano. As informações que circulam hoje são incompletas e omitem elementos fundamentais como as mais de 100 testemunhas e mais de 80 páginas de provas documentais fornecidas por mim. Esses dados são essenciais para entender a verdadeira dimensão do caso, em contraposição a narrativas falsas”, disse Guacci ao La Nación.
Finalizando, o ex-comandante das seleções de base da Argentina disse que nunca recuperou o nome após as denúncias.
“Foi uma decisão difícil esperar que a Justiça seguisse seu curso, porque o dano é irreparável. Nunca recuperei meu nome e minha honra. E mesmo que os tribunais tenham se pronunciado, eles se recusam obstinadamente a reconhecê-la”, finalizou o comunicado.


