Jogadora, supervisora e agora diretora. Nuty Silveira, atual mandatária da Ferroviária, já passou por muitos processos dentro do Futebol Feminino e hoje é a pessoa forte do projeto grená. Com passagem na Federação Paulista de Futebol, a agora diretora foi Analista de Futebol Feminino na entidade de São Paulo. Para chegar onde está, ela teve que passar por vários desafios e preconceitos. Porém, de acordo com Nuty, o futuro para a mulher no esporte é muito promissor.
Preconceitos

O Futebol Feminino e a posição da mulher no esporte como um todo evoluiu muito nos últimos anos. Porém, ainda existe preconceito com o gênero no futebol. Com Nuty Silveira, não foi diferente e a diretora afirmou que já teve que passar por algumas situações.
“Em alguns momentos da trajetória, a gente acaba se deparando com situações de preconceito ou desconfiança, principalmente quando a mulher ocupa espaços de decisão dentro do futebol. Muitas vezes, não é algo explícito, mas aparece em forma de questionamentos sobre capacidade ou experiência. Eu sempre procurei lidar com isso da melhor forma possível: com trabalho, preparação e mostrando resultado no dia a dia. O futebol ainda é um ambiente historicamente masculino, então é natural que a presença da mulher cause uma mudança de cultura. O importante é que cada vez mais mulheres estejam nestes espaços, mostrando competência e abrindo caminho para outras que virão”, falou.
Evolução do Futebol Feminino

Para a diretora da Ferroviária, apesar de ainda existirem muitos comentários machistas contra o Futebol Feminino, isso tem mudado. De acordo com Nuty, o investimento dos clubes, a continuidade do trabalho e o conhecimento das histórias das atletas vão fazer a modalidade ser mais consumida.
“Vejo que a mudança acontece com visibilidade, investimento e continuidade de trabalho. Quando as pessoas passam a acompanhar mais jogos, conhecer as histórias das atletas e ver o nível técnico das competições, a percepção muda naturalmente. Hoje já existe uma evolução muito grande em relação a alguns anos atrás, principalmente com mais transmissões, presença nas redes sociais e apoio institucional. O Futebol Feminino brasileiro tem talento, competitividade e histórias muito fortes. Quanto mais o torcedor tiver este contato com isso, maior será o interesse e o consumo da modalidade”, declarou.
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Ferroviária pioneira

A Ferroviária é conhecida por ser um clube pioneiro no Futebol Feminino. Com a modalidade em vigor desde 2001, a Locomotiva sempre abriu as portas para as mulheres. Não por acaso, o clube foi o primeiro a ter uma mulher conquistando um título do Brasileirão, Tatiele Silveira, e de Libertadores, com Lindsay Camila. Nuty elogiou a postura da entidade. Atualmente, as Guerreiras contam com oito mulheres na comissão técnica e staff.
“A Ferroviária é vanguarda na modalidade, sempre teve uma visão muito avançada em relação ao futebol feminino e ao papel da mulher dentro do esporte. O fato de termos mulheres ocupando diferentes funções dentro do clube mostra que a competência é o principal critério. Quando você cria oportunidades e ambientes profissionais, naturalmente surgem pessoas capacitadas para exercer estes cargos. Eu acredito muito neste processo de abrir portas e dar espaço para que as mulheres possam se desenvolver dentro do futebol, seja na gestão, na comissão técnica ou em qualquer área do clube.”
Referências

Desde cedo no mundo do futebol, Nuty Silveira foi campeã da Libertadores de 2015 em campo com o clube. Depois disso, passou pelo cargo de supervisora, foi para a Federação e retornou à Ferroviária como Diretora. Para ela, duas mulheres em específico a ajudaram muito neste processo.
“Ao longo da minha trajetória, tive a oportunidade de conviver com muitas mulheres que ajudaram a construir o Futebol Feminino brasileiro e que servem como inspiração, como Ana Lorena Marche e Aline Pellegrino. Mais do que uma única referência, eu gosto de olhar para todas aquelas que ajudaram a manter a modalidade viva em momentos muito difíceis, quando o Futebol Feminino ainda tinha pouquíssima visibilidade e estrutura. Essas pioneiras tiveram um papel fundamental para que hoje a gente possa trabalhar em um cenário muito mais profissional e estruturado”, contou.
O futuro da mulher no esporte

A mulher tem conquistado cada vez mais espaço no futebol. Atualmente, é possível ver tal processo acontecendo na arbitragem, na comissão técnica e em cargos de direção e presidência. Para Nuty, o caminho é, cada vez mais, abrir portas para outras mulheres.
“Eu vejo um futuro muito promissor. O futebol está passando por um processo natural de evolução e profissionalização, e isso inclui cada vez mais a presença da mulher em diferentes áreas. Já começamos a ver mulheres trabalhando em departamentos de análise, preparação física, fisiologia, gestão e até em comissões técnicas no futebol masculino. A tendência é que isso continue crescendo, sempre baseado na capacidade e na qualificação profissional. O mais importante é que as portas estejam abertas para que todos tenham oportunidade de contribuir com o desenvolvimento do futebol”, finalizou.

