A situação vivida pelas jogadoras da Seleção Feminina do Irã tem causado comoção na Austrália e no mundo. O país sede da Copa da Ásia, competição que garante vagas para a Copa do Mundo, concedeu asilo para ao menos 5 atletas iranianas.
Temendo ser vítimas de represália ao voltarem para o país natal, as jogadoras abandonaram a concentração e pediram a ajuda do governo australiano. No processo, receberam também a ajuda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O apoio australiano às atletas do Irã não se limitou, contudo, ao asilo. O Brisbane Roar, clube da cidade de mesmo nome, abriu as portas para as jogadoras, que terão pela frente a reconstrução da própria vida.
Em um post nas redes sociais, o clube disse que seria uma honra abrir as portas e oferecer às atletas um lugar para treinar, jogar e pertencer.

Foto: Reprodução/Instagram @brisbaneroarfc
“Assim como muitos australianos, todo mundo no Brisbane Roar FC tem acompanhado a história das jogadoras da Seleção Feminina do Irã, que agora estão aqui em Queensland, com imensa admiração”, dizia o post.
O clube ainda completou. “Sem política, sem condições. Apenas futebol, comunidade e calorosas boas-vindas.” (veja a tradução completa do post abaixo).
O asilo
O governo da Austrália anunciou, nesta terça-feira (10), que havia concedido asilo para ao menos cinco jogadoras da Seleção do Irã.
“Ontem à noite tive a oportunidade de dizer a cinco jogadoras da Seleção Feminina de Futebol do Irã que elas são bem-vindas a ficar na Austrália para estarem seguras e terem um lar aqui”, escreveu o ministro Tony Burke no X.
As atletas disputaram a primeira fase da Copa da Ásia no país. Depois de perderem os 3 jogos, o Irã foi eliminado. Dessa forma, as jogadoras teriam que voltar para casa.
Contudo, o retorno não seria tão simples, uma vez que, no primeiro jogo, as atletas não cantaram o hino nacional. O gesto foi interpretado no país como um ato de traição.
Um apresentador de uma rede de TV do regime iraniano chegou a dizer, inclusive, que as jogadoras mereciam ser punidas severamente.
Ativistas dos Direitos Humanos e representantes do Sindicato Mundial de Jogadores, o FIFPRO, pediram que o governo australiano tomasse medidas para que elas não fossem forçadas a retornar imediatamente ao Irã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou o governo da Austrália a resolver a situação. Trump ainda afirmou que os Estados Unidos ajudariam as jogadoras caso o governo australiano negasse o asilo.

Foto: Reprodução/Instagram @tony_burke_au
O retorno ao país natal
Após a concessão do asilo pelo governo da Austrália, portanto, as jogadoras puderam ficar no país, onde vão começar uma nova vida.
Segundo o ministro do Interior, Tony Burke, mais duas pessoas – uma jogadora e uma integrante da comissão técnica, pediram para ficar na Austrália. Porém, uma das atletas desistiu e resolver voltar para casa. Sendo assim, seis iranianas ficaram no novo país.
O restante da delegação, de acordo com a agência de notícias Associated Press, retornou ao Irã nesta quarta-feira (11).
Veja a tradução completa do post do clube:
“Assim como muitos australianos, todo mundo no Brisbane Roar FC tem acompanhado a história das jogadoras da Seleção Feminina do Irã, que agora estão aqui em Queensland, com imensa admiração.
Estas são jogadoras de elite – apaixonadas e talentosas mulheres que amam o jogo tão profundamente quanto nós.
Para Fatemeh, Zahra, Zahra, Atefeh, Mona e qualquer uma de suas colegas de time construindo uma nova vida aqui na Austrália: Brisbane é a casa de uma das mais apaixonadas comunidades de futebol do país e a família Roar tem um coração grande.
Seria uma honra para nós abrirmos nossas portas e oferecer a vocês um lugar para treinar, jogar e pertencer e vamos começar a explorar como fazer isso acontecer.
Sem política.
Sem condições.
Apenas futebol, comunidade e calorosas boas-vindas.
Queensland é a sua casa agora.”
