A eliminação da Seleção Feminina do Irã na Copa da Ásia não teria tanto destaque na mídia em anos anteriores. Porém, nesse momento, o país está em guerra com o Estados Unidos e Israel, e os olhos se voltaram para as jogadoras iranianas. Além da população local, o conflito no Oriente Médio afetou diretamente as jogadoras e comissão técnica, que estavam disputando o torneio, realizado na Austrália.
Após não cantarem o hino na estreia e serem ameaçadas por um apresentador da TV do regime, a segurança das jogadoras passou a ser motivo de preocupação. Nesta segunda-feira (09), veículos de imprensa da Austrália e dos Estados Unidos passaram a informar que algumas atletas pediram asilo ao governo australiano.
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Protesto no primeiro jogo?
Antes do jogo de estreia, quando a Coreia do Sul venceu o Irã por 3 a 0, as atletas fizeram silêncio durante a execução do hino nacional. De acordo com informações da Al Jazeera, o protesto gerou revolta de um apresentador da TV estatal iraniana, que alegou que as jogadoras eram traidoras e mereciam punições severas.
”Traidores durante tempos de guerra devem ser tratados mais severamente”, disse Mohammad Reza Shahbazi, apresentador, segundo a Al Jazeera. ”Qualquer um que tome medidas contra o país sob condições de guerra deve ser tratado com mais rigor. Como esse caso da nossa Seleção Feminina não cantar o hino. Essas pessoas precisam ser tratadas severamente”, concluiu.
A segunda partida terminou, novamente, com derrota. O Irã perdeu por 4 a 0 das donas da casa. A última partida, no domingo (8), terminou com a eliminação da Seleção, com vitória da Filipinas por 2 a 0.
Incerteza e medo para voltar para casa
Um vídeo que está circulando nas redes sociais mostra a imagem das jogadoras fazendo um sinal, que seria um pedido de ajuda universal. Somado à repercussão do silêncio no momento do hino no primeiro jogo, entidades estão se unindo para evitar quer as jogadoras retornem ao Irã.
Ativistas dos Direitos Humanos e representantes do Sindicato Mundial de Jogadores, o FIFPRO, estão solicitando ao governo australiano asilo para que as jogadoras não sejam forçadas a retornar imediatamente ao Irã. A imprensa da Austrália teria apontado que a Federação não tem conseguido contato com as jogadoras.
A equipe e comissão estão hospedadas no hotel Royal Pines Resort. Também de acordo com a imprensa da Austrália, houve reforço à segurança do local.
A treinadora da equipe, Marziyeh Jafari, declarou que as jogadoras estão ansiosas para voltar e ficar perto das famílias, que estão em meio aos bombardeios que atinge o Irã. Apesar disso, os representantes do FIFPRO e dos Direitos Humanos temem que as atletas sofram perseguição política ao desembarcaram em Teerã.

Pedido de asilo
Veículos internacionais, como o New York Times e a CBS Sports, informaram que, diante desse cenário de insegurança, ao menos cinco jogadoras do Irã pediram asilo ao governo da Austrália.
Os pedidos teriam acontecido nesta segunda-feira (09), data em que estava marcado o retorno da delegação para o Irã.
Segundo a CBS Sports, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que a situação das cinco jogadoras já havia sido resolvida pelo governo da Austrália. Ainda de acordo com Trump, há tratativas em andamento para as outras jogadoras. Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos havia informado que se os pedidos de asilo fossem negados pela Austrália, o governo norte-americano receberia as atletas.
