Uma atacante da Seleção Feminina do Irã se emocionou ao falar sobre a guerra no Oriente Médio. A declaração ocorreu na última quarta-feira (4), durante a Copa da Ásia. A jogadora Sara Didar fez as declarações durante a coletiva de imprensa antes de um jogo da competição, que serve como eliminatória para a Copa do Mundo de 2027.
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“Estamos preocupados e tristes com o que aconteceu ao Irã, às nossas famílias no Irã e aos nossos entes queridos, mas espero sinceramente que seja algo muito bom para o nosso país, que tenhamos boas notícias pela frente e que o meu país se recupere com força”, disse, emocionada.
Aos 21 anos, Sara Didar atua pelo clube iraniano Bam Khatoon F.C. Ao lado da treinadora da Seleção, Marziyeh Jafari, elas não foram explícitas ao falar da guerra, mas alegaram que estavam tristes com a situação do país.
Antes da partida de segunda-feira (2), contra a Coreia do Sul, as jogadoras não cantaram o hino do Irã em protesto aos acontecimentos. De acordo com informações da Al Jazeera, a TV do regime iraniano teria chamado as atletas de traidoras devido à manifestação silenciosa dentro de campo. O jogo terminou em 3 a 0 para as coreanas.
”Traidores durante tempos de guerra devem ser tratados mais severamente”, disse Mohammad Reza Shahbazi, apresentador, segundo a Al Jazeera. ”Qualquer um que tome medidas contra o país sob condições de guerra deve ser tratado com mais rigor. Como esse caso da nossa Seleção Feminina não cantar o hino. Essas pessoas precisam ser tratadas severamente”, concluiu.
Porém, no segundo jogo, as jogadoras cantaram o hino iraniano antes do início da partida contra a Austrália, país sede da disputa. Novamente, as iranianas perderam, dessa vez de 4 a 0.

Preocupação com a segurança das jogadoras
A FIFPRO, entidade que representa jogadores de futebol, exigiu que as jogadoras do Irã fossem protegidas pelos responsáveis pela Copa da Ásia. Isso porque as declarações do apresentador da TV do regime geraram preocupação com a segurança delas.
”FIFPRO Ásia/Oceania pede que a FIFA e a Confederação Asiática de Futebol mantenham suas obrigações sobre os Direitos Humanos. Nós pedimos que a FIFA e a CAF se envolvam com a Federação Iraniana de Futebol, o governo da Austrália e todos as autoridades relevantes para garantir que todos os esforços estão sendo feitos para proteger as jogadoras”, diz o comunicado.
