A arbitragem ativou o protocolo antirracismo na partida entre Mixto e Fluminense, pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro. A árbitra, responsável pelo jogo, paralisou momentaneamente após ofensas racistas e homofóbicas direcionadas à atletas da equipe tricolor carioca.
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Entenda o caso
No primeiro tempo, aos 21 minutos de jogo, as jogadoras do Fluminense paralisaram a partida ao sinalizarem com os braços cruzados em forma de X, a ofensa proferida por um torcedor presente no Estádio Presidente Eurico Gaspar Dutra. O quarto árbitro recebeu o gesto e informou a árbitra Adriana Costa Farias que, após a apuração, ativou o protocolo.
A partida retornou alguns minutos depois da paralização. O Fluminense, que já havia marcado no primeiro tempo, administrou a vantagem e garantiu os três pontos ao vencer por 2 a 0, com gols de Lelê e Keké.

Protocolo Antirracismo
A CBF implementou o gesto como parte do protocolo no futebol brasileiro em 2024. Para sinalizar ofensas racistas ou preconceituosas vindas de atletas, membros da comissão técnica ou torcedores, as jogadoras podem cruzar os braços à frente do peito, como um X, comunicando o incidente à arbitragem.
Dessa forma, após o sinal, a arbitragem deve aplicar um processo de três etapas, primeiro a paralisação da partida. Caso a ofensa continue, pode suspender a partida, e, se o abuso ainda persistir, pode encerrá-la, cumprindo a última etapa do protocolo.

Posicionamento Mixto
As equipes se posicionaram através das redes sociais, reforçando o repúdio às ofensas proferidas pelo torcedor e o compromisso no combate ao preconceito.
Veja abaixo a nota do Mixto na íntegra:
“O Mixto Esporte Clube vem a público manifestar seu veemente repúdio aos atos de racismo e homofobia ocorridos durante a partida contra o Fluminense, válida pela 8ª rodada do Brasileirão Feminino A1, realizada neste domingo (26), no Estádio Dutrinha.
Por volta dos 22 minutos do primeiro tempo, a árbitra Adriana Costa Farias acionou o Protocolo Antirracismo após serem identificadas ofensas de cunho racista e homofóbico direcionadas a atletas da equipe do Fluminense. O torcedor responsável pelas ofensas foi imediatamente identificado pelo policiamento presente no estádio e prontamente retirado do local.
O Mixto Esporte Clube reafirma seu compromisso com o combate a qualquer forma de discriminação e preconceito. Atos como esse não cabem no futebol, nem na sociedade. Solidarizamo-nos integralmente com as atletas, comissão técnica e demais profissionais da equipe visitante, que foram desrespeitados de forma injustificável.
O clube seguirá à disposição das autoridades para colaborar com as apurações cabíveis e tomará as medidas administrativas internas necessárias para que episódios como este não voltem a ocorrer.
Futebol é diversão, paixão e respeito. Sempre.”
Posicionamento Fluminense
Veja abaixo a nota do Fluminense na íntegra:
“Na tarde deste domingo (26/04), o Fluminense se deparou com uma situação lamentável no estádio Eurico Gaspar Dutra, em Cuiabá, no Mato Grosso, na vitória sobre o Mixto (MT) pelo Brasileirão Feminino.
Durante o primeiro tempo, um torcedor proferiu ofensas racistas e homofóbicas à atleta Keké. Um episódio que nunca deveria acontecer.
Após reclamações e uma ação coletiva de nossas jogadoras, o protocolo antirracista foi ativado pela árbitra Adriana Costa Farias. O torcedor foi identificado pela Polícia presente no estádio e encaminhado para a delegacia no local.
O Fluminense presta solidariedade e apoio à atleta, reforçando sua responsabilidade com a proteção e o respeito de todas as suas jogadoras. O clube seguirá atento aos desdobramentos do caso e espera que o responsável pelas ofensas seja devidamente punido, nos termos da lei.
O clube reafirma seu compromisso em combater qualquer tipo de preconceito. Atitudes como essa são inaceitáveis no futebol e na sociedade.”
