O Campeonato Brasileiro foi palco de mais um Gre-Nal no último sábado (28). No entanto, a partida teve outros desdobramentos. Um torcedor do Internacional, equipe mandante da partida, registrou um boletim de ocorrência contra a diretora executiva do Grêmio por injúria racial.
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Segundo informado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul ao Campo Delas, o episódio ocorreu após o término da partida, vencida por 2 a 1 pelo Tricolor Gaúcho.
O torcedor, de acordo com a apuração do Ge, relatou que Bárbara Fonseca, dirigente do time feminino do Grêmio, teria proferido insultos como “sai, filho da p**** , macaco filho da p****”.

Boletim de ocorrência
Na noite do ocorrido, o torcedor registrou a ocorrência e prestou depoimento. A 3ª DPPA, em Porto Alegre, também ouviu a dirigente, que negou as acusações. Segundo nota oficial do Grêmio, ela compareceu à delegacia voluntariamente. O Campo Delas apurou que a Polícia Militar informou a dirigente sobre a necessidade de comparecer à delegacia. Bárbara Fonseca, então, cumpriu a determinação e se encaminhou ao local.
A PC-RS informou ao Campo Delas que, em razão da divergência de versões entre a vítima e a suspeita e de não haver testemunhas, ambos foram liberados após o registro do boletim de ocorrência.
A Delegacia de Combate à Intolerância ficará responsável pela investigação.

O torcedor que registrou a ocorrência, de acordo com a nota oficial da Federação Gaúcha (veja na íntegra abaixo) é um dos líderes da Camisa 12, torcida organizada do time colorado.
A Federação Gaúcha de Futebol (FGF), o Grêmio e o Internacional se posicionaram sobre o assunto nas redes sociais.
Confira as notas na íntegra abaixo:
Nota da FGF
“A Federação Gaúcha de Futebol – FGF vem a público comunicar que está atenta à denúncia de racismo ocorrida neste sábado (28), no clássico Gre-Nal feminino, válido pela 5ª rodada do Brasileirão Feminino A1, no Sesc Protásio Alves, em Porto Alegre. Ao final da partida, um dos líderes da Torcida Camisa 12, do Inter, denunciou caso de racismo envolvendo um membro da comitiva que acompanhava a equipe de futebol feminino do Grêmio, quando a equipe gremista estava entrando no vestiário.
A FGF e a Odabá – Associação de Afroempreendedorismo estão acompanhando os desdobramentos do caso e prestarão todo o suporte e apoio à vítima. Os(as) envolvidos(as) foram conduzidos(as) à delegacia para apuração dos fatos.
Reforçamos nosso compromisso com o enfrentamento ao racismo no futebol e lamentamos que casos como este ainda ocorram em estádios gaúchos. Reiteramos que manifestações criminosas não serão toleradas. Seguimos atuando com seriedade e responsabilidade para garantir que o futebol gaúcho seja um espaço seguro, respeitoso, diverso e saudável para todas as pessoas.”
Nota do Grêmio
“Após o clássico Gre-Nal deste sábado, 28, pelo Campeonato Brasileiro Feminino, um episódio envolveu um torcedor rival, que acusa de forma inverídica uma colaboradora do Clube de ter proferido injúrias raciais no momento em que os representantes gremistas eram ofendidos por membros da torcida adversária. A instituição reitera que não houve por parte da funcionária qualquer manifestação nesse sentido e que a situação foi prontamente resolvida junto às autoridades.
A colaboradora compareceu voluntariamente à delegacia, onde esclareceu os fatos amparada por testemunhas que atestam não ter ocorrido qualquer ofensa de cunho racial.
O Grêmio, enquanto Clube de Todos e comprometido com seu papel social, reconhece a importância do combate ao racismo e reafirma sua posição contrária a qualquer tipo de discriminação.”
Nota do Internacional
“Diante da denúncia da Camisa 12, de que membros da torcida organizada teriam sido vítimas de episódio de injúria racial cometido por uma profissional do rival após o Gre-Nal feminino disputado na tarde de sábado (28/03), no Sesc Protásio Alves, o Internacional afirma que acompanha com atenção os desdobramentos do caso e se coloca à disposição das autoridades para auxiliar nas investigações.
Ainda, o Clube do Povo reforça seu compromisso no combate a toda e qualquer forma de discriminação e em defesa de uma sociedade livre de preconceitos.”

