Após a eliminação do Bragantino Red Bull para o São Paulo, pelo Paulistão Masculino, o jogador Gustavo Marques declarou que “não deveriam designar uma mulher para apitar ‘jogos desse tamanho'”. Rapidamente a fala contra a árbitra Daiane Muniz repercutiu no Futebol Feminino e muitas jogadoras e dirigentes que atuam na categoria condenaram as palavras do zagueiro do Braga.
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Atletas que atuam no Brasil e também em times ao redor do mundo respostaram stories em apoio a Muniz. Logo após a declaração, o jogador pediu desculpas, mas mesmo assim as críticas à ele seguiram pelas redes sociais.
As Sereias da Vila Isa Cardoso e Thaisinha fizeram postagens e escreveram “Lamentável” e “Sem comentários”, respectivamente. O preparador físico do Sub-20 do Santos Feminino, Luiz Arhamis Jacques, também se posicionou: “Competência não tem gênero! Toda solidariedade à Daiane que vem desempenhando um trabalho fantástico nesse início de temporada”, escreveu.

Pelo Corinthians, Ariel Godoi e Vic Albuquerque também respostaram o caso contra Daiane Muniz. “Só você tem família, né? Os árbitros não tem… competência não se mede por gênero”, escreveu Albuquerque.
As jogadoras Karen Hipólito (Itabirito SAF), Rafa Levis (Cruzeiro) e Fê Palermo (Palmeiras) usaram os stories para publicar a opinião da jornalista Bárbara Coelho, da CazéTV, sobre o caso. A declaração da profissional, repudiando as palavras do zagueiro do Bragantino, viralizou.
Machismo no futebol pode ser reflexo da sociedade
A treinadora do sub-20 do Fluminense Barbara Saar respostou um dos conteúdos com a crítica à Daiane Muniz e escreveu um texto sobre como o que é vivido em campo também reflete fora dele.
“Ser mulher no futebol é um ato de resistência. Tentam nos calar, nos desvalorizar e nos afastar do esporte. Infelizmente, o futebol é um retrato da sociedade em que vivemos. Homens, não basta reprovar falas como essa, é preciso se posicionar contra elas para que esse tipo de agressão não se perpetue. Porque não se trata apenas de palavras, elas abrem espaço para violências muito mais graves e perigosas que colocam nossas v idas em risco todos os dias”, disse Saar.
Pelo São Paulo, a goleira Carla Silva e a diretora de Futebol Feminino Cléo Prado, também se posicionaram. “A mulher não tem paz, nem fazendo seu trabalho”, disse a jogadora ao respostar a declaração do zagueiro.
“Que profissional absurda, muito bom quando uma mulher é tão intimidada e se mantém sóbria e segura. Melhor árbitra. Orgulho”, escreveu a dirigente do Tricolor.
Jogadoras que atuam nos times internacionais
As brasileiras que atuam fora do país, também repercutiram o caso. Jheniffer Cordinali, do Tigres (México), Amanda Gutierres, do Boston Legacy (EUA), Yaya, do PSG (França), Gabi Nunes, do Aston Villa Women (Inglaterra) repostaram um vídeo recriminando a fala do jogador contra Daiane Muniz.
“Não sei o que me assusta mais. O ataque machista, o pedido de desculpas se apoiando na mãe e a esposa, como se isso amenizasse as falas absurdas, ou achar que é normal falar isso. Olha, sinceramente, que nojo escutar cada palavra. Faço questão de postar para expor isso, completamente nojento”, escreveu Bruninha, do Gotham (EUA).


