A demissão de Lucas Piccinato do comando do Corinthians Feminino, anunciada na madrugada deste sábado (21), chama atenção não apenas pelo momento esportivo, mas pelo contraste com os números deixados pelo treinador. Em pouco mais de dois anos de trabalho, o técnico acumulou mais de 75% de aproveitamento, cinco títulos e presença constante em decisões. Ainda assim, o ambiente de pressão, críticas da torcida e bastidores conturbados ajudam a explicar a decisão do clube.
Dentro de campo, os resultados colocam Piccinato entre os treinadores mais vitoriosos da história recente das Brabas. Foram conquistas importantes, como dois Campeonatos Brasileiros, duas Libertadores e uma Supercopa Feminina. Mesmo assim, o desempenho não foi suficiente para blindar o trabalho das cobranças externas e internas.
Apesar dos títulos, pesaram também os vices recentes, três ao todo, sendo dois deles para o principal rival, o Palmeiras, na Supercopa e no Campeonato Paulista. As derrotas em finais aumentaram a pressão sobre o treinador e alimentaram críticas de parte da torcida, que vinha se mostrando mais exigente mesmo em meio a um ciclo vencedor.
Bastidores expostos pelo elenco
O cenário fora de campo ganhou ainda mais peso após o empate em 2 a 2 com o Fluminense, pela segunda rodada do Brasileirão Feminino. Após a partida, a zagueira Érika fez duras críticas públicas à forma como o departamento de Futebol Feminino vem sendo tratado internamente no clube. A jogadora citou problemas de comunicação entre presidência, diretoria e setor financeiro com o elenco.
Entre os exemplos, Érika afirmou que, em algumas ocasiões, as atletas descobrem em qual estádio irão atuar apenas pelas redes sociais ou pela imprensa. A defensora também mencionou atrasos no pagamento de premiações e pediu mais cuidado com o Futebol Feminino. Segundo ela, os problemas não são justificativa para rendimento em campo, mas tornam o dia a dia mais desgastante.
A jogadora ainda declarou que as atletas sabem que o Feminino não é prioridade dentro da estrutura do clube, mas que gostariam que isso não se refletisse de forma tão direta na rotina do elenco. Ainda na zona mista, Érika afirmou que está “faltando para a equipe atual ter a cara do Corinthians”.
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Comunicação da saída e ambiente interno
De acordo com apuração do portal Meu Timão, as atletas foram informadas da saída de Lucas Piccinato por mensagem de WhatsApp. A decisão, ainda segundo o veículo, já havia sido tomada antes da partida contra o Fluminense, mas a comunicação oficial ocorreu apenas após o empate.
O episódio reforça a percepção de ruído na comunicação interna e de um ambiente instável nos bastidores. A dificuldade de manter peças importantes no elenco e de encontrar reposições à altura também é vista internamente como um desafio que impacta diretamente a construção de um trabalho de longo prazo.
