A meio-campo Ary Borges está de volta à Seleção Brasileira celebrando o momento de amadurecimento e a oportunidade de trabalhar com o técnico Arthur Elias. A dupla se conheceu ainda na época do time paulista Centro Olímpico, quando a jogadora brigava para ser gandula dos jogos do treinador. Hoje, Ary é um dos destaques da Amarelinha e também uma das peças principais da equipe norte-americana Angel City (NWSL).
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A Seleção Brasileira Feminina está em Cuiabá, no Mato Grosso, para participar do primeiro FIFA Series. A competição reúne outras quatro nações para jogos amistosos. Antes do primeiro treino da equipe do Brasil, a jogadora Ary Borges participou de uma entrevista coletiva no CT Manoel Dresch, local que será usada como base da Amarelinha. A Arena Pantanal será palco de todas as partidas do torneio internacional.
Amadurecimento na Seleção e exemplo para nova geração
Aos 26 anos, Ary Borges já pode ser considerar uma veterana quando o assunto é Seleção Brasileira. Foi artilheira do Brasil na Copa do Mundo de 2023 e venceu duas Copas Américas. Durante a entrevista, a jogadora analisou a nova fase na carreira e contou como enxerga o momento atual.
“Muita coisa mudou, a Ary amadureceu, eu era uma menina de 22, 23 anos e hoje tenho 26. Estava começando a minha carreira, indo para os Estados Unidos, começando a trilhar os caminhos de viver uma nova experiência. Estou diferente, mais madura, adaptada a liga (NWSL). Fiquei fora da Seleção por lesão, perdi as Olímpiadas, é chato para qualquer atleta. Mas ano passado foi especial poder ter voltado, ganhando a segunda Copa América. Foi muito bacana ter passado por esse período, amadurecer e voltar a vestir a camisa da Seleção. E agora é muito especial pois é minha primeira convocação esse ano e quero cada vez mais me firmar dentro da Seleção e ajudar a Seleção a crescer”, celebrou a atleta.

Ary Borges já faz parte das veterenas da Amarelinha, e também explicou como é essa adaptação com as jogadoras que ainda estão nas primeiras experiências vestindo a camisa da Seleção.
“Tento passar tranquilidade para todo mundo que esta chegando se sentir a vontade no grupo. É estar perto e perguntar: ‘Precisa de alguma coisa?’, principalmente quando joga na mesma posição. A gente tem um grupo muito bacana, é muito legal receber todo mundo, poder abraçar e se sentir confortável. E eu acho que nessa parte de conhecer um pouco mais, de jogar em uma liga universal, com várias atletas, a gente traz um feedback. Por exemplo, vou jogar contra duas atletas do meu time (Angel City), uma da Zâmbia e uma da Coreia do Sul. Então eu vou passar dicas para quem vai marcar elas, nós temos essa troca bancana dentro do grupo”, explica a maranhense.
Seleção Brasileira chegando em outras regiões
O FIFA Series é realizado em Cuiabá, longe do eixo Rio-São Paulo que está mais acostumado a receber jogos da Seleção Brasileira e grandes competições. O objetivo da CBF é aproximar mais pessoas do Futebol Feminino visando a Copa do Mundo 2027, que será disputada no Brasil. Para a jogadora, que nasceu em São Luís, no Maranhão, a escolha de levar a modalidade para outras regiões do país é importante para as jovens que tem o sonho de ser jogadora.
“É muito legal trazer a Seleção Brasileira para lugares que normalmente ela não joga ou jogou há muito tempo. Gostaria muito que a Seleção jogasse no Maranhão. Trazer essa mensagem para as meninas que estão mais escondidas nesses lugares que ninguém está acosutmado a ver para que elas se sintam parte de um projeto. O legado da Copa de poder trazer um crescimento para dentro da nossa modalidade é também de fazer com que as meninas acreditem que todo mundo tem a oportundade de um dia estar aqui, de estar no meu lugar. Eu, particularmente, fico muito feliz. A mensagem para elas é que devem acreditar no sonho delas. Eu já estive no lugar delas, lá em São Luís, sonhando em ser uma jogadora, uma jogadora profissional e virar uma jogadora da Seleção, para mim, às vezes, estava muito longe. Então é agarrar a oportunidade que bater na sua porta com unhas e dentes e tentar realizar seus sonhos”, encoraja a jogadora.
Ary Borges e Arthur Elias: parceria iniciada há muitos anos
A jogadora aproveitou a coletiva para relembrar o início dos trabalho com o técnico Arthur Elias. Mas, erra quem pensa que a parceria começou com a primeira convocação do treinador. Na verdade, Ary Borges conheçou Elias quando ele ainda trabalhava no time do interior paulista, o Centro Olímpico.
“Eu cresci em um lugar que era gerido por ele, quando ele era o treinador do Centro Olímpico. Para mim era um prazer ir lá na beira do campo, no alambrado, assistir o time dele jogar. A gente brigava para ser a gandula no jogo de final de semana do time dele, então para mim é um privilégio ter feito parte de um projeto como o Centro Olímpico (clube que a atleta iniciou a carreira), que é um grande formador de categorias de base, e ter começado com ele que é um cara que entende muito de Futebol Feminino. Não à toa é hoje o treinador da Seleção Brasileira e um dos mais vitoriosos dentro da história da modalidade no nosso país. É muito especial poder ter encontrado ele novamente, ele me convocar, fico super feliz.”, relembra a meio-campo.
A atleta também destacou o entusiamo de Arthur Elias que contagia as jogadoras dentro de campo. “Eu gosto muito do estilo do Arthur, ele é um cara muito enérgico dentro de campo e eu prezo muito por isso. É alguém que vive o jogo com a gente, tem a mesma energia de algo que faz parte do nosso estilo, da nossa cultura, de ser fervoroso quando se trata de futebol”, acrescenta a atleta.

