A história do Vitória no Futebol Feminino é marcada por garra, superação e resiliência. A equipe passou por altos e baixos, teve a modalidade suspensa, mas retornou e hoje disputa a elite do Futebol Feminino nacional.

As primeiras equipes do Vitória Feminino
A primeira partida registrada do Futebol Feminino do Vitória aconteceu em um Ba-Vi amistoso, em outubro de 1956. Na época, a modalidade ainda era proibida no Brasil. A partida aconteceu na Fonte Nova, com dois tempos de 30 minutos.
O jogo de estreia contou com estádio lotado e a presença do então prefeito de Salvador, Hélio Machado. A equipe rubro-negra iniciou sua trajetória com triunfo por 3 a 1 sobre o Bahia.

Jornada do Vitória no Futebol Feminino
A caminhada das Leoas da Barra começou no início dos anos 2000, com a montagem de equipes para disputar competições regionais. Em 2008, o Vitória oficializou a criação de uma equipe feminina. Tendo como base atletas vindas do “Clube 2004”, a primeira competição oficial disputada foi o Campeonato Baiano de Futebol Feminino Amador 2008/2009.
Na primeira participação no Baianão Feminino, o Vitória teve campanha expressiva. A equipe chegou às semifinais da competição, quando perdeu para o São Francisco do Conde, campeão daquela edição. As Leoas disputaram 10 partidas, com cinco triunfos, dois empates e três derrotas. A equipe disputou 18 gols marcados e 24 sofridos.
As glórias das Leoas da Barra
Após oscilações nos primeiros anos, o Futebol Feminino rubro-negro ganhou mais estrutura em 2015. Através do Campeonato Baiano de Futebol Feminino, o Vitória conquistou vaga para o Brasileirão Feminino e, no ano seguinte, participou pela primeira vez da competição nacional.
O ano de 2016 reservou outras alegrias para o clube. O Vitória conquistou o Baianão Feminino pela primeira vez. A estreia das Leoas da Barra no Brasileirão Feminino não foi fácil, mas a equipe conseguiu permanecer na competição. Em 2017, porém, acabou rebaixada.
Já em 2018, o Vitória disputou o Brasileirão Feminino A2 e iniciou as divisões de base do Futebol Feminino no clube. Além de conquistar o acesso, as Leoas levantaram o troféu do Baianão Feminino pela segunda vez.
A equipe se consolidou no cenário estadual e, em 2019, teve jogadoras convocadas para a Seleção Brasileira, como Rute na Sub-20 e Mary Camilo nas seleções Sub-20 e principal. Naquele ano, o Vitória alcançou sua melhor campanha no Brasileirão Feminino, terminando na nona colocação.
Infelicidades da jornada e suspensão da modalidade
O Vitória enfrentou mais um teste de resiliência em sua trajetória. Em 2020, a equipe foi rebaixada e, em 2021, disputou o Brasileirão Feminino A2, terminando na quarta posição do Grupo B.
Mas os problemas aumentaram no mesmo período. A equipe masculina do Vitória foi rebaixada para a Série C do Campeonato Brasileiro, o que reduziu receitas, investimentos e patrocínios do clube. Todas as modalidades esportivas sentiram o impacto financeiro. A base masculina perdeu o selo de clube formador e o Futebol Feminino acabou desativado.
Retorno do Vitória ao Futebol Feminino
Em 2023, o Vitória retomou o projeto do Futebol Feminino e voltou a disputar competições oficiais. Na mesma temporada, as Leoas chegaram à final do Campeonato Baiano Feminino.
O campeão estadual garantia vaga no Brasileirão Feminino A3. Como o Bahia, campeão da competição, já possuía vaga assegurada no Brasileirão Feminino A2, o Vitória herdou o direito de disputar a competição nacional.
A oportunidade representou o recomeço das Leoas da Barra. Em 2024, o clube disputou o Campeonato Brasileiro Feminino e conquistou o acesso. Em 2025, novamente alcançou outro acesso e garantiu presença no Brasileirão Feminino 2026.
História do Vitória
Nesta quarta-feira (13), o Vitória comemora 127 anos de história e tradição. O clube foi fundado em 13 de maio de 1899 pelos irmãos Arthur e Arthêmio Valente com o nome Club de Cricket Victória. Eles reuniram um grupo de jovens da sociedade baiana no tradicional Corredor da Vitória, bairro nobre de Salvador.
Arthêmio Valente foi o primeiro presidente do clube. No século XIX, o críquete era um esporte praticado principalmente pela colônia britânica em Salvador, mas a participação de brasileiros era restrita. O clube surgiu justamente para combater essa exclusão.
Inicialmente, as cores do clube eram preto e branco. O futebol chegou ao Vitória em 1901, quando José Ferreira Júnior, conhecido como Zuza, retornou da Inglaterra trazendo uma bola e um livro de regras. Ele reuniu os amigos que praticavam críquete e organizou a primeira partida de futebol registrada em Salvador, no Campo da Pólvora.
Em 1902, o Vitória adotou oficialmente o futebol como modalidade esportiva, além do atletismo, natação e remo. Ainda naquele ano, o clube mudou o nome para Sport Club Vitória.
O remo foi o esporte responsável por garantir ao clube a alcunha de Leão da Barra. Os atletas da modalidade protagonizaram uma travessia histórica entre o Porto da Barra e o Porto dos Tainheiros, na Península de Itapagipe. O feito ganhou grande repercussão na cidade e rendeu aos remadores o apelido que marcaria a identidade do clube.
