O Campo Delas, do Portal iG, conversou com torcedores do Flamengo Feminino. Fomos tentar entender quais são as expectativas em torno da equipe das Meninas da Gávea para a temporada. O ano de 2025 da modalidade dentro do Clube foi marcada por altos e baixos, além de polêmicas extracampo.
Os torcedores entrevistados foram Saulo Borges de Brito, médico, 25 anos e Lohaine Rafaella Arruda da Silva, Doceira, 26 anos. Eles acompanham o Flamengo Feminino, debatem nas redes sociais sobre a modalidade, acompanham as meninas nos estádios e torcem para que a equipe se consolide de maneira competitiva e estruturada dentro do cenário nacional.
Conversamos com os torcedores Saulo e Lohaine sobre as expectativas para a temporada do Flamengo Feminino (Acervo Pessoal)
Entre análises críticas, preocupação com o cenário estrutural do Futebol Feminino no Brasil e esperança depositada em jovens talentos da base, os depoimentos revelam um sentimento comum: 2026 tende a ser um ano de desafios dentro e fora de campo.

Expectativas e recomeço
A primeira pergunta realizada foi: quais são as principais expectativas para o Flamengo no futebol feminino nesta temporada, dentro e fora de campo? Em suas respostas os torcedores apresentaram leituras distintas, mas igualmente cautelosas:
Lohaine Rafaella Arruda da Silva (26 anos, doceira):
“Infelizmente, a minha expectativa é a pior possível. O Futebol Feminino no Brasil ainda não tem muita competitividade e é justamente por isso que acredito que o Flamengo vai conseguir se livrar do rebaixamento para a Série A2 ao final da temporada. É até estranho falar em ‘felizmente’, porque o que eu mais desejo é que o Futebol Feminino cresça, com mais investimento, visibilidade e estádios cheios. Mas, pensando especificamente no Flamengo, essa falta de competitividade acaba sendo um alívio, já que existem equipes em situação ainda pior.”
Saulo Borges de Brito (25 anos, médico):
“Acho que vai ser uma temporada de recomeço dentro de campo e de tensão fora dele. A perda de muitas veteranas deve ser sentida, mas, se as meninas que subirem da base conseguirem se entrosar com as remanescentes do ano passado, acredito que o time consiga passar o ano sem grandes sufocos. Não vejo o Flamengo brigando na parte de cima da tabela contra as equipes paulistas e o Cruzeiro, mas, em competições de mata-mata, como a Copa do Brasil, dá para sonhar, dependendo dos cruzamentos. No cenário estadual, acredito na manutenção da hegemonia.”

Elenco curto e carência por reforços
Questionados se o elenco atual é suficiente para disputar títulos em 2026 ou se ainda há necessidade de reforços, Saulo e Lohaine foram unânimes ao apontar limitações importantes no grupo rubro negro:
Lohaine:
“Até a última temporada, eu achava que faltavam apenas contratações pontuais. O time titular era competitivo, muito por conta do trabalho da Rosana, que tirou leite de pedra. O grande problema sempre foi o elenco curto. Quando precisávamos mexer, o nível caía muito e as atletas acabavam jogando no limite físico. Para esta temporada, a situação piorou. Perdemos jogadoras e, até o momento, não tivemos reposições. Apostar na base é importante, mas não acho correto colocar essa responsabilidade tão cedo nas meninas. O ideal seria um elenco mais experiente para ajudá-las na transição. Hoje, vejo necessidade de uma goleira, duas zagueiras, duas meias e pontas pelos dois lados.”
Saulo:
“Hoje, o elenco é suficiente para ficar do meio para cima da tabela do Campeonato Brasileiro, mas não para disputar a liderança ou o mando de campo nas fases finais. Vejo muita necessidade de reforços no setor criativo, principalmente meias armadoras e meias atacantes. Além disso, o time precisa de mais uma camisa 9 que consiga manter uma boa média de gols para dividir a responsabilidade com a Cristiane.”

Jovens promessas e lideranças em destaque
Ao serem perguntados sobre qual jogadora pode ser o grande destaque do Flamengo Feminino nesta temporada, os torcedores voltaram a concordar em torno de nomes que simbolizam o presente e o futuro do elenco:
Lohaine:
“Acredito que a Mariana será o grande destaque. Na temporada passada, ela já teve boa minutagem e foi muito bem. É natural que uma atleta da base precise de tempo para se adaptar ao profissional, e isso ficou claro na evolução dela jogo a jogo. O único ponto que ainda precisava melhorar era a tomada de decisão, mas agora ela começa a temporada mais confiante e habituada. Vem de um Carioca excelente, no qual foi a artilheira. Também faço uma ressalva para a Djeni e a Jucinara, que muitas vezes foram decisivas quando o time precisou.”
Saulo:
“Deixando o lado emocional falar mais alto, gostaria de ver um ano mágico da Cristiane, que vem de uma temporada muito boa. Pensando de forma mais racional, acredito que esta seja a temporada da Mariana se firmar como titular e peça-chave do elenco. Vejo também a Kaylane como uma jogadora que pode se destacar ao longo do ano.”

Um ano de testes e definições
As entrevistas revelam um sentimento comum entre os torcedores: 2026 será um ano decisivo para o Flamengo no Futebol Feminino. Entre limitações orçamentárias, aposta na base e ausência de reforços de peso, o clube entra na temporada pressionado a se reorganizar, manter competitividade e evitar prejuízos esportivos e financeiros.

Para a torcida, mais do que resultados imediatos, o momento exige planejamento, estrutura e um projeto esportivo capaz de sustentar o crescimento da modalidade no longo prazo. O torcedores que acompanham as Meninas da Gávea, sonham com um projeto esportivo competitivo e vencedor, assim como o Futebol Masculino multicampeão do clube.
Até o momento o clube apresentou dois reforços a lateral esquerda Maisa, vinda do América-MG e a zagueira Layza, ex-Cruzeiro. Também foram anunciadas as renovações da Capitã Djeni e da defensora Monalisa, assim como a promoção de jogadoras da base para a equipe profissional em definitivo.
