Um dos pioneiros do Futebol Feminino brasileiro, o Internacional iniciou a sua trajetória na categoria ainda na década de 1980. As primeiras notícias sobre a composição de um elenco para o Futebol Feminino do Colorado se dão em 1983, quando a equipe teve como base o time do Pepsi Bola, do estado do Rio Grande do Sul.
Início do elenco Colorado
Já em 1984, o clube promoveu a primeira seletiva para compor o elenco do time do Rio Grande do Sul. Neste período, não havia nem categorias de base nem escolinhas de futebol para as meninas. Com isso, a saída foi formar as equipes com mulheres adultas, com as mais novas tendo que se encaixar na equipe caso quisessem praticar o esporte.
Mesmo com uma estrutura básica, com treinador, preparador de goleiras, preparador físico, a equipe não custeava as despesas das atletas, ficando para as jogadoras, bem como para os familiares. Segundo o site Memória do Inter, durante alguns anos, não havia uma instituição com a estrutura do Inter apoiando o Futebol Feminino no estado do Rio Grande do Sul.
Início breve, mas com boas campanhas
A assistência do clube gerou frutos e o Internacional começou a desempenhar boas performances e, com isso, grandes campanhas. Apesar de ser tricampeão gaúcho em 1987, o time conseguiu a 3ª posição no Campeonato Brasileiro Feminino. Todavia, 1988 marcou um ano de escassez de competições na categoria no estado. Sendo assim, o clube optou por extinguir o Departamento de Futebol Feminino.
Durante o pequeno período de atividades do departamento, na década de 1980, algumas atletas se destacaram. Entre elas, Eduarda Marranghello Luizelli, a Duda. Uma das pioneiras no clube, Duda compôs o primeiro elenco do Internacional com apenas 13 anos.
Além de ser cria da base Colorada, Duda teve ótimas atuações em solo italiano, bem como na Seleção Brasileira Feminina. Após brilhante passagem na Itália, ela retornou ao Brasil com o objetivo de construir uma escola de futebol apenas para as mulheres do Internacional. Com isso, em uma parceria que não acarretaria custos ao clube, o time gaúcho aceitou trabalhar com a ex-atleta.
Segunda fase do Futebol Feminino Colorado
Desde 1995, quando Duda ofereceu a parceria ao clube, até 2004, o Internacional viveu altos e baixos. Embora tenha início relevante, com conquista de títulos e responsável por ceder atletas à Seleção Brasileira Feminina, o Inter também sofreu financeiramente, o que acarretaria no fechamento do departamento em 2004.
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Apesar de fornecer jogadoras como Bel, Sônia, Maria, Solange, Priscilla e a própria Duda, ainda em 2001, o clube começou a sofrer com questões financeiras. Logo em janeiro daquele ano, o Jornal Correio do Povo já alertava sobre a possibilidade do departamento ser encerrado por falta de patrocínio.
Embora tenha sofrido com ameaças de fechar, o departamento resistiu até 2004, quando encerrou as suas atividades. Três fatores principais fizeram com que o clube tomasse a decisão. Além do acúmulo de ações trabalhistas de jogadoras, o fim do incentivo à modalidade com a troca de diretoria, bem como a mudança do modelo do clube com o projeto de escolinhas, algo que batia diretamente com o projeto de Duda, levaram ao encerramento do departamento de Futebol Feminino.
Todavia, Tatiele, então treinadora da equipe, colocou a culpa na falta de competições no calendário, algo que foi corroborado por Duda.

Créditos: Memória do Inter
Retorno da parceria em 2007
Entre 2004 a 2008, não houve campeonato estadual. Além disso, os departamentos de Futebol Feminino de Grêmio e Internacional haviam encerrado as suas atividades neste período. Entretanto, em 2007, após três anos sem ações no Departamento de Futebol Feminino, o Inter promoveu outra parceria com a escola de Futebol de Duda para disputar a Copa do Brasil Feminina.
A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) convidou o Colorado para participar da primeira edição da competição, já que a equipe estava entre uma das melhores, segundo ranking da entidade. A parceria entre Duda e Internacional terminou no fim do torneio.
O retorno definitivo
Em 2016, após Duda insistir por alguns anos, o Internacional aceitou a proposta da ex-atleta da escolinha funcionar dentro do Parque Gigante, Centro de Treinamento do clube.

Reprodução/Instagram @guriascoloradas
No mesmo ano em que Duda se estabeleceu no CT, também houve a divulgação do novo Regulamento de Licenças da Conmebol com algumas alterações, entre as quais destacava-se a obrigatoriedade de manutenção de uma equipe para o Futebol Feminino, vinculado ao elenco masculino.
Assim, em fevereiro de 2017, o clube anunciou o retorno ao Futebol Feminino de forma oficial, tendo Duda como coordenadora técnica e Cézar Schunemann como diretor de Futebol Feminino.
O trabalho voltou a render frutos à equipe. Com campanha invicta, o Internacional foi campeão do Gauchão Feminino em 2017 e se classificou para disputar a seletiva do Brasileirão Feminino A2 de 2018.
Apesar de ser eliminado na semifinal da competição, o Internacional subiu, então, à elite do Futebol Feminino brasileiro.
Títulos do Internacional na categoria
Além de 12 Campeonatos Gaúchos Femininos, o Internacional conquistou uma Brasil Ladies Cup em 2023 e duas taças da Copa Sul.

