As jogadoras de um time amador foram vítimas de racismo e ameaças durante a semifinal de uma copa de Fut7, em São Paulo. A partida e Futebol Feminino foi marcada pelo episódio e as vítimas pedem posicionamento da organizadora e justiça contra à violência que sofreram em campo. Um Boletim de Ocorrência sobre o fato foi registrado na Polícia Militar.
O caso ocorreu no último domingo (23) em um campo de futebol Society no jogo entra o Pega no Tranco e Guerreiras do Pomar. As equipes fazem parte da Série A do torneio de Futebol Feminino.
A partida terminou em 2 a 0 para o Pomar, que disputará o título contra o Corinthians, no próximo dia 14 de dezembro.
Nas imagens, obtidas pelo Campo Delas, do Portal iG, é possível ouvir os gritos de ‘macaca’, ‘gorda’, e as ameaças físicas às jogadoras do Pega no Tranco, equipe da Zona Sul paulista.
Posicionamento do time Pega no Tranco
De acordo com a técnica da equipe vítima do crime de racismo, a Analista Financeira Giulianna Maselli, os xingamentos vieram da torcida adversária e duraram praticamente um tempo inteiro da partida.
“As agressoras estavam filmando e gritando contra nossas jogadoras, foi do apito inicial até o apito final, em torno de 50 minutos de xingamentos. Os vídeos foram gravados e publicados pela equipe do Pomar, que mais tarde foi retirado do ar”, disse em entrevista ao Campo Delas.

As imagens mostram que as atletas avisaram o árbitro da partida, mas de acordo com Maselli, nada foi feito.
“Em um dos vídeos dá para notar a jogadora do Guerreiras do Pomar interagindo com a agressora, e no mesmo vídeo a atleta do nosso time mostrando para o juiz de onde vinham as ofensas. Em outro momento do jogo nossa capitã e goleira alerta a arbitragem, que nada fez e o jogo seguiu”, afirma.
A treinadora alega ainda que a agressora é conhecida do time adversário. A equipe registrou o ocorrido junto à Polícia.
“Em vídeo o representante da equipe fala que a agressora não faz parte da torcida, mas ela é namorada de uma das jogadoras, até o presente momento o time não disponibilizou o nome completo dela para que eu pudéssemos incluir no Boletim de Ocorrência já feito pelo nosso time”.
O Pega no Tranco acionou a Justiça para formalizar a denúncia e está com amparo jurídico para responsabilizar as agressoras.
“Por se tratar de crime, estamos apurando com duas advogadas as medidas legais, e também esperando o resultado da investigação que a Playball nos informou que está sendo feito com o corpo jurídico. Estamos aguardando a resposta final da organização para que a justiça seja feita”.

O Pega no Tranco tem dois anos de existência, e até o momento conquistou a Copa do Brasil Fut7, Copa Playball Série B e participaram da Libertadores da América de Fut7.
Presidente do Guerreiras do Pomar se pronuncia sobre o ocorrido
Em entrevista exclusiva ao Campo Delas, o presidente das Guerreiras do Pomar, falou sobre o ocorrido. Rodrigo Camillo lamentou o que aconteceu na partida.
“Meu time tem cinco anos de história e nunca passamos por isso. A torcedora que cometeu o crime não faz parte da torcida do time, e se ela é namorada de alguma jogadora do time eu não sei, pois não me envolvo na vida pessoal das atletas”, explica o microempresário.
Ele explica que ficou sabendo das injúrias somente após o jogo, e que teria pedido a paralisação.
“Nós só tomamos conhecimento do ato de racismo depois com o vídeo. Dentro do campo não dava para eu ouvir, se eu estivesse ouvido teria parado o jogo e teria tomado a decisão contra o crime imediatamente. Nem as jogadoras ouviram porque elas me conhecem e, se tivessem ouvido, teriam me falado e eu chamaria as autoridades e a organização imediatamente”, relata.
As Guerreiras do Pomar são campeãs da Copa Dap Best Ball e da 3ª Copa Arena do Juiz. Além dos vice-campeonatos do Paulista Regional e da Copa Malwiil.
“Meu time é composto de 95% de jogadoras negras, não toleramos racismo. É inadmissível e o que ocorreu”, completa.

O que fala a empresa organizadora do torneio
A Copa de Fut7 é organizada pela empresa Playball, que tem quadras nos bairros Pompeia e Ipiranga, na capital paulista. Confira abaixo a nota na íntegra da empresa.
“A Playball repudia de forma absoluta qualquer ato ofensivo, discriminatório ou violento. Temos histórico claro de medidas firmes para coibir esse tipo de conduta e garantir um ambiente seguro e respeitoso.
Não fomos coniventes com o episódio relatado na partida entre Pega no Tranco e Guerreiras da Pomar. A acusação não condiz com a postura adotada pela Playball ao longo de sua trajetória no esporte amador.
O vídeo enviado mostra o conteúdo da ofensa, porém a arbitragem informou que não foi possível identificar a origem no momento do jogo. Se houvesse identificação imediata, a partida teria sido paralisada — como já ocorreu em outras oportunidades, inclusive no dia anterior com a mesma árbitra.
Seguimos analisando as imagens e relatos, junto à arbitragem e ao setor jurídico, para definir as medidas cabíveis, conforme regulamento — que prevê responsabilização de equipes quando torcedores forem devidamente identificados.
Reafirmamos nosso compromisso com um esporte seguro, inclusivo e justo. Buscar a verdade com justiça sempre foi, e sempre será, o lado da Playball”.
