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Flamengo

Flamengo: a história do Futebol Feminino do mais querido

Ostentando a marca de única equipe campeã brasileira fora de São Paulo, o Futebol Feminino do Flamengo tem uma história importante e busca consolidação no cenário nacional da modalidade

Naty Brasil
4 meses atrás
13 Min de Leitura
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Flamengo Feminino é o único clube campeão brasileiro fora de São Paulo. (Divulgação)

A história do Futebol Feminino no Flamengo pode ser dividida em três fases. A primeira vai de 1995 a 2001, quando o clube formou o primeiro time de mulheres com o objetivo de disputar o Campeonato Carioca Feminino. Depois, em 2011, o clube retomou o projeto da modalidade que havia sido descontinuado em 2002. Em seguida, em 2015, firmou parceria com a Marinha, iniciativa que fortaleceu a equipe e culminou na conquista do Campeonato Brasileiro Feminino de 2016. Essa colaboração se manteve por uma década, até o encerramento do acordo em 2025.

Agora, o Futebol Feminino vive um novo momento dentro do clube. Com mudanças administrativas, a modalidade passou a integrar a pasta dos Esportes Olímpicos. Dessa forma, deixou de estar vinculada à gestão do time masculino e passou a contar com uma estrutura própria dentro da instituição.

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Desde 1995, a equipe de Futebol Feminino do Flamengo busca ocupar lugar no coração dos torcedores assim como a equipe masculina. (Paula Reis / Flamengo)

Da criação ao esquecimento

Entre 1995 e 2001, o Futebol Feminino do Flamengo viveu um período de estruturação inicial. Nesse intervalo, o clube participou regularmente do Campeonato Carioca e enfrentou rivais tradicionais, como Vasco e Botafogo. Ainda assim, apesar da competitividade, o rubro-negro não conseguiu transformar as campanhas em títulos.

Esse ciclo chegou ao fim em 2002. Naquele momento, a falta de um calendário organizado levou o Flamengo a desativar a modalidade, refletindo a instabilidade que marcava o esporte para as mulheres na virada do milênio.

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Em 2021, o Flamengo lançou uma camisa comemorativa aos 30 anos da primeira Copa do Mundo Feminina em 1991. (Divulgação)

O surgimento dos primeiros destaques

Ao mesmo tempo, a dificuldade do Flamengo espelhava o cenário do Futebol Feminino Brasileiro. Em geral, os grandes clubes montavam equipes talentosas, mas frequentemente as desfaziam por falta de apoio e continuidade. Mesmo assim, o período revelou nomes que marcaram época. Atletas como Pretinha, Sissi e Kátia Cilene se destacaram em clubes do Rio e de São Paulo, enquanto a Seleção Brasileira conquistava o terceiro lugar na Copa do mundo de 1999.

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Sissi era um dos grandes destaques do Futebol Feminino brasileiro quando o Flamengo montou seu primeiro elenco. (reprodução internet)

Leia também: Palestrinas: a história do Palmeiras no Futebol Feminino

A retomada da modalidade

Em 2011, o Flamengo retomou o projeto do Futebol Feminino e formou novamente uma equipe. Naquele momento, o clube estruturou o time por meio de uma parceria com a prefeitura de Guarujá, no litoral de São Paulo, cidade onde o elenco treinava. O grupo reunia jogadoras de destaque, como Thaisinha, Ketlen, a goleira Thaís Picarte, além de Joicinha e Vivi. Com isso, o Flamengo deu os primeiros passos para reconstruir a modalidade dentro do clube. Uma das metas dessa retomada era contar com Marta no elenco, mas o clube não conseguiu atingir esse objetivo.

Tânia Maranhão e Maycon, ambas medalhistas de prata nas Olimpíadas de 2004 e 2008, fizeram parte da primeira equipe em parceria com a Marinha. (Imagem: Jessica Melo)

A parceria com a Marinha

Alguns anos depois, em 2015, o vice-presidente geral do clube anunciou a parceria com a Marinha do Brasil, que passou a integrar o projeto esportivo. A partir de então, as atletas passaram a servir à instituição militar e dispunham de toda a estrutura para treinamentos no CEFAN (Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes). Elas se dividiam entre as atuações pelo Flamengo e competições militares, como os Jogos Mundiais Militares.

O uniforme mantinha o escudo e as cores rubro-negras, mas levava também o brasão da Marinha. No mesmo ano do início da parceria, o clube conquistou seu primeiro título estadual ao vencer o Barcelona por 3 a 0 no Campeonato Carioca. Atletas consagradas, como Tânia Maranhão e Maycon, medalhistas olímpicas, fizeram parte da equipe inicial formada pela parceria.

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Durante a parceria com a Marinha, o uniforme do Flamengo carregava o brasão da instituição militar. (Marcelo Cortes / Flamengo)

A colaboração trouxe outros resultados expressivos. Em 2016, o Flamengo conquistou o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino ao superar o Rio Preto na final. Após perder o primeiro jogo por 1 a 0 no Rio de Janeiro, a equipe reagiu em São Paulo e venceu por 2 a 1, garantindo o título nacional e tornando-se o primeiro clube fora de São Paulo a conquistar a competição. Essa realidade permanece até os dias de hoje.

Apesar de alguns conflitos entre o calendário militar e as datas das competições, a parceria foi vitoriosa e durou 10 anos. O saldo do período em títulos: 1 título Campeonato Brasileiro, 8 Campeonatos Cariocas, 1 Copa Rio e uma conquista do torneio amistoso Brasil Ladies Cup.

O Flamengo venceu o torneio amistoso Brasil Ladies Cup durante seu período de parceria com a Marinha. (Paula Reis / Flamengo)

2019: o ano que o Futebol feminino se tornou obrigatório

A partir de 2019, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a CONMEBOL passaram a exigir que os clubes mantivessem equipes de Futebol Feminino ativas para disputar competições masculinas de elite. A medida vinculou a participação em torneios como o Campeonato Brasileiro Série A, a Copa Libertadores da América e a Copa Sul-Americana à existência de departamentos femininos estruturados.

Em 2019 o Futebol Feminino passou a ser obrigatório em todos os times que disputavam a séria A e competições da CONMEBOL. (Marcelo Cortes / Flamengo)

No caso do Flamengo, a exigência encontrou um projeto já em andamento. Desde a parceria com a Marinha, iniciada em 2015, o clube mantinha uma base competitiva no Futebol Feminino. Ainda assim, a nova regra demonstrou a necessidade de novos investimentos e reforçou a necessidade de profissionalizar a estrutura. Dessa forma, o rubro-negro buscou consolidar a modalidade e se posicionar com mais força no cenário nacional, historicamente dominado por clubes do estado de São Paulo.

Com amplo domínio estadual, o Flamengo sempre buscou a consolidação no cenário nacional. (Marcelo Cortes / Flamengo)

O pós-pandemia e o crescimento esportivo

Após o período da pandemia de Covid-19, o Flamengo voltou a investir na modalidade. Nomes importantes passaram a fazer parte das contratações realizadas pelo clube, como: Dani Ortolan, Darlene, Rayane Machado, Jucinara, Sole Jaimes, Giovanna Crivelari, Thaisa Moreno, Thais Regina, Augustina Barroso, Valéria Cantuário, Fabi Simões, Djeni, Glaúcia, Ju Ferreira, Vitória Almeida, entre outras.
Giovanna Crivelari foi um dos grandes nomes que passou pelo Flamengo. (Divulgação)
A principal contratação do clube ocorreu em 2024, com a chegada da atacante Cristiane. Atleta experiente, com carreira vitoriosa e longa participação na Seleção Brasileira, ela chegou ao clube com destaque e status de craque.
A chegada da atacante Cristiane foi a maior contratação do Futebol feminino do Flamengo. (Divulgação)
O ano de 2024 ficou marcado pelo grande número de reforços contratados, mas em campo os resultados não vieram. A equipe não se classificou para as fases eliminatórias do Campeonato Brasileiro, perdeu a Copa Rio, e acabou conquistando apenas o Carioca daquele ano.
Em 2025, o ano começou com a equipe sendo comandada pelo treinador português Maurício Salgado. Após um começo de temporada vitorioso, com a conquista da Copa Rio, o Flamengo teve um desempenho muito abaixo no Brasileirão e o técnico foi demitido. Em paralelo, a instituição encerrou sua parceria com a Marinha.
Em 2025, o Flamengo iniciou a temporada vencendo a Copa Rio. Foi o ano do fim da parceria com a Marinha. (Paula Reis / Flamengo)

A chegada de Rosana Augusto

Na sequência, Rosana Augusto passou a comandar as Meninas da Gávea. Sua chegada causou um grande impacto na performance do time. A equipe rubro-negra conseguiu a classificação para as quartas-de-final do Brasileiro e alcançou uma vitória inédita contra o Palmeiras, mas acabou sendo eliminada da competição no jogo de volta.
Mesmo com a desclassificação, a crescente no desempenho do time fazia torcedores se sentirem confiantes no futuro da modalidade. Apesar dos excelentes números e a confiança do elenco e da torcida, Rosana Augusto saiu do Flamengo e foi para o Palmeiras.
Rosana Augusto durante treinamento na Gávea. Sua chegada ao clube foi um diferencial na performance da equipe. (Flamengo / Paula Reis)
O clube anunciou uma readequação orçamentária, assim como mudanças estruturais e administrativas para a modalidade. Por não concordar com esse movimento, a treinadora e o clube acertaram uma rescisão de contrato. O técnico Celso Silva foi contratado, assumiu o grupo em meio a polêmicas e encerrou o ano sendo campeão Carioca, em sua terceira passagem pelo comando rubro-negro.
O treinador Celso Silva chegou para substituir Rosana e foi campeão carioca em 2025. (Mariana Sá / Flamengo)

O cenário atual

Em 2026, seguindo a premissa do novo modelo de gestão, o clube foi contido nas contratações e não renovou o contrato de 7 jogadoras do elenco principal. O departamento de Futebol Feminino adotou a metodologia de desenvolver as atletas da base, seguindo a tradição do clube: “Craque o Flamengo faz em casa”. Dez atletas foram promovidas ao profissional e se juntaram ao elenco formado por atletas consagradas, como Cristiane, Fabi Simões, Jucinara, Thaisa Moreno, trazendo um equilíbrio entre juventude e experiência.
Mariana, nova camisa 10 da Gávea, e Cristiane, atleta consagrada, simbolizam o novo momento do Flamengo que une juventude e experiência (Mariana Sá / Flamengo)
Até o momento, as Meninas da Gávea ocupam a quarta colocação no Campeonato Brasileiro e estão invictas na competição. Na primeira disputa de título da temporada, ficou com o vice-campeonato da Copa Rio Feminina, perdendo na última rodada para o Fluminense por 2×0.
Na última partida pelo Brasileirão 2026, Flamengo e Botafogo empataram em 1×1. (Paula Reis / Flamengo)
O Futebol Feminino do Flamengo ainda não vive das mesmas glórias que seu “irmão” masculino, tampouco desfruta do mesmo orçamento bilionário. A modalidade luta por mais reconhecimento da gestão, assim como dos próprios torcedores, que por muitas vezes não abraçam a equipe feminina com a mesma paixão que entregam ao time masculino profissional. Os torcedores que acompanham as Meninas da Gávea torcem pelas conquistas em campo, mas também pelo desenvolvimento da modalidade fora dele.
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Naty Brasil
PorNaty Brasil
Naty Brasil é jornalista formada pela Unicarioca e apaixonada por futebol desde a infância — culpa da Copa de 94!  Atua com jornalismo esportivo desde 2020, contando histórias que vão muito além das quatro linhas. É setorista do Flamengo no Campo Delas. Fora do campo e da redação, é mãe do Pedro e do Gabriel, seus maiores craques.
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