A história do Futebol Feminino no Flamengo pode ser dividida em três fases. A primeira vai de 1995 a 2001, quando o clube formou o primeiro time de mulheres com o objetivo de disputar o Campeonato Carioca Feminino. Depois, em 2011, o clube retomou o projeto da modalidade que havia sido descontinuado em 2002. Em seguida, em 2015, firmou parceria com a Marinha, iniciativa que fortaleceu a equipe e culminou na conquista do Campeonato Brasileiro Feminino de 2016. Essa colaboração se manteve por uma década, até o encerramento do acordo em 2025.
Agora, o Futebol Feminino vive um novo momento dentro do clube. Com mudanças administrativas, a modalidade passou a integrar a pasta dos Esportes Olímpicos. Dessa forma, deixou de estar vinculada à gestão do time masculino e passou a contar com uma estrutura própria dentro da instituição.

Da criação ao esquecimento
Entre 1995 e 2001, o Futebol Feminino do Flamengo viveu um período de estruturação inicial. Nesse intervalo, o clube participou regularmente do Campeonato Carioca e enfrentou rivais tradicionais, como Vasco e Botafogo. Ainda assim, apesar da competitividade, o rubro-negro não conseguiu transformar as campanhas em títulos.
Esse ciclo chegou ao fim em 2002. Naquele momento, a falta de um calendário organizado levou o Flamengo a desativar a modalidade, refletindo a instabilidade que marcava o esporte para as mulheres na virada do milênio.

O surgimento dos primeiros destaques
Ao mesmo tempo, a dificuldade do Flamengo espelhava o cenário do Futebol Feminino Brasileiro. Em geral, os grandes clubes montavam equipes talentosas, mas frequentemente as desfaziam por falta de apoio e continuidade. Mesmo assim, o período revelou nomes que marcaram época. Atletas como Pretinha, Sissi e Kátia Cilene se destacaram em clubes do Rio e de São Paulo, enquanto a Seleção Brasileira conquistava o terceiro lugar na Copa do mundo de 1999.

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A retomada da modalidade
Em 2011, o Flamengo retomou o projeto do Futebol Feminino e formou novamente uma equipe. Naquele momento, o clube estruturou o time por meio de uma parceria com a prefeitura de Guarujá, no litoral de São Paulo, cidade onde o elenco treinava. O grupo reunia jogadoras de destaque, como Thaisinha, Ketlen, a goleira Thaís Picarte, além de Joicinha e Vivi. Com isso, o Flamengo deu os primeiros passos para reconstruir a modalidade dentro do clube. Uma das metas dessa retomada era contar com Marta no elenco, mas o clube não conseguiu atingir esse objetivo.

A parceria com a Marinha
Alguns anos depois, em 2015, o vice-presidente geral do clube anunciou a parceria com a Marinha do Brasil, que passou a integrar o projeto esportivo. A partir de então, as atletas passaram a servir à instituição militar e dispunham de toda a estrutura para treinamentos no CEFAN (Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes). Elas se dividiam entre as atuações pelo Flamengo e competições militares, como os Jogos Mundiais Militares.
O uniforme mantinha o escudo e as cores rubro-negras, mas levava também o brasão da Marinha. No mesmo ano do início da parceria, o clube conquistou seu primeiro título estadual ao vencer o Barcelona por 3 a 0 no Campeonato Carioca. Atletas consagradas, como Tânia Maranhão e Maycon, medalhistas olímpicas, fizeram parte da equipe inicial formada pela parceria.

A colaboração trouxe outros resultados expressivos. Em 2016, o Flamengo conquistou o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino ao superar o Rio Preto na final. Após perder o primeiro jogo por 1 a 0 no Rio de Janeiro, a equipe reagiu em São Paulo e venceu por 2 a 1, garantindo o título nacional e tornando-se o primeiro clube fora de São Paulo a conquistar a competição. Essa realidade permanece até os dias de hoje.
Apesar de alguns conflitos entre o calendário militar e as datas das competições, a parceria foi vitoriosa e durou 10 anos. O saldo do período em títulos: 1 título Campeonato Brasileiro, 8 Campeonatos Cariocas, 1 Copa Rio e uma conquista do torneio amistoso Brasil Ladies Cup.

2019: o ano que o Futebol feminino se tornou obrigatório
A partir de 2019, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a CONMEBOL passaram a exigir que os clubes mantivessem equipes de Futebol Feminino ativas para disputar competições masculinas de elite. A medida vinculou a participação em torneios como o Campeonato Brasileiro Série A, a Copa Libertadores da América e a Copa Sul-Americana à existência de departamentos femininos estruturados.

No caso do Flamengo, a exigência encontrou um projeto já em andamento. Desde a parceria com a Marinha, iniciada em 2015, o clube mantinha uma base competitiva no Futebol Feminino. Ainda assim, a nova regra demonstrou a necessidade de novos investimentos e reforçou a necessidade de profissionalizar a estrutura. Dessa forma, o rubro-negro buscou consolidar a modalidade e se posicionar com mais força no cenário nacional, historicamente dominado por clubes do estado de São Paulo.

O pós-pandemia e o crescimento esportivo



A chegada de Rosana Augusto


O cenário atual


