A evolução do Futebol Feminino é notória no Brasil e no mundo, fazendo com que as atletas possam se dedicar somente ao esporte. Diferente de anos atrás, quando optavam por dividir o tempo entre estudo e futebol. Porém, ainda temos histórias de jogadoras que escolhem, por paixão, fazer uma faculdade. Recentemente, a lateral-direita da Ferroviária, Katiuscia, iniciou na Medicina Veterinária. Com exclusividade ao Campo Delas, a atleta falou sobre os motivos que a levaram optar pelo estudo, o amor pelos animais, além da conciliação com treinos e jogos.
Um sonho realizado

Antes da veterinária, ela chegou fazer dois anos de Educação Física, mas logo viu que não era o que queria para seguir a vida pós-futebol.
“Eu sempre quis estudar, mas nunca pensei que poderia conciliar as duas coisas. Cheguei a fazer dois anos de Educação Física quando eu jogava no Santos, e acho que ali era mais fácil, por eu ser de Santos e tinha minha mãe pra me ajudar a levar para o treino e pra faculdade. Mas aí eu vi que o curso não era aquilo que eu queria quando eu parasse de jogar bola”, contou ao Campo Delas.
Com seu amor por animais desde criança, Katiuscia afirmou estar realizando um sonho. Em seu terceiro ano de Ferroviária, Kati se sentiu mais segura e arriscou dar o primeiro passo. Atitude, de acordo com a própria, muito acertada.
“E agora, aqui em Araraquara, já no terceiro ano e adaptada a cidade, já conhecendo o que é mais perto, mais longe, eu resolvi arriscar. Eu pensei ‘tenho que dar o primeiro passo’. Sempre sonhei em ser veterinária ou ter algo relacionado a cachorro e ajudar os animais. Então, este é um ano de eu começar a fazer coisas que eu não estou acostumada, sair um pouco da rotina de só jogar futebol. Já estou com 31 anos, sei que tenho muito gás ainda para jogar, mas eu sei que tenho que estar pronta pra quando eu parar, já ter um caminho a seguir. E Veterinária sempre foi meu sonho e, para ser sincera, é como se eu estivesse fazendo um gol todos os dias, porque é muito legal eu acreditar em mim. Sempre achei que eu não tinha capacidade de fazer esse curso, de estudar e hoje eu estou já conseguindo conciliar as duas coisas. Estou muito feliz, é muito bom você acreditar em você mesmo e hoje estou realizando esse sonho”, disse a jogadora.
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Amor pelos animais
Katiuscia contou que seu amor por animais vem desde cedo. Atualmente, junto com a namorada, a jogadora conta com seis cachorros e afirma que, por ela, teria muito mais.
“Eu amo muito e por mim eu teria até mais. Todo cachorro que eu vejo na rua eu quero levar pra casa. É um amor que tenho desde criança. Eu falo que, antes de amar o futebol, eu aprendi amar os animais e os cachorros, principalmente. É o que me dá alegria no coração. Esses dias mesmo, eu e a Duda conseguimos ajudar um cachorro perdido e só de lembrar a sensação de ajudar a pessoa que estava procurando, foi fantástico, ganhou meu dia e minha semana e sempre tive esse amor pelos animais”, contou Kati ao Campo Delas.

Futuramente, a atleta pensa em criar alguma forma de ajudar animais em vulnerabilidade e, assim, transformar a vida das pessoas que precisam desse auxílio.
“Eu sigo um monte de ONG ou pessoa mesmo que faz esse trabalho de ajudar e eu acho incrível. Acho que deixar um pouco de olhar pra si e ajudar os outros é muito legal. Eu tenho isso no meu coração e é o que eu quero fazer isso de alguma forma quando eu parar de jogar, de transformar as pessoas de alguma forma. Seja ajudando os animais ou quem precisa”, afirmou.
A evolução no Futebol Feminino

Há um tempo não tão distante, era comum as jogadoras começarem uma faculdade e pensar desde cedo em planos alternativos. Hoje, com a evolução da modalidade e melhora salarial, o número de atletas que optam pelos estudos diminuiu.
“Eu lembro que, quando eu comecei, meu pai falava que eu só ia se no lugar oferecesse uma faculdade. E eu acho que isso chamava muitos as atletas na época. Pelos salários muito baixos. Hoje em dia, ter um diploma é bacana, é legal, mas não é o que trilha seu caminho pós-futebol. Mas o conhecimento é sempre legal e importante. Hoje eu acho que as atletas não buscam tanto, por ter essa melhora, principalmente nos clubes que têm salários maiores. Claro que a gente está aqui na Ferroviária, inseridas numa realidade, e tem menina que joga num time abaixo e não tem essa mesma estrutura”, explicou Kati.
Porém, para a atleta da Ferroviária, é muito importante seguir ocupando a mente fora do futebol.
“Eu vejo que, mesmo meninas que estão numa equipe superior, têm sim que procurar o estudo, estar ativando sua mente. Eu acho que quando a gente se fecha só no futebol, deixa um pouco de evoluir e fica só naquele cenário de ser campeã e a melhor. Sempre só ganha um no ano, então a gente tem que buscar abrir nosso leque de opções, de estudar. E realmente hoje as atletas buscam menos, mas eu acho muito importante”, opinou.
Conciliar estudo e futebol

No início dos estudos, foi complicado conciliar os treinos e a faculdade. Porém, com total apoio da comissão técnica e da Ferroviária, a adaptação foi rápida e hoje Katiuscia já tira de letra.
“No primeiro mês, o pessoal da comissão teve que ter uma paciência comigo. Eu ainda estava me adaptando a chegar da faculdade, de conseguir dormir rápido, para poder treinar no outro dia de manhã. Mas eu contei com total apoio de todo mundo da Ferroviária e eu era muito sincera, falava que não tinha conseguido dormir. Era como se fossem os primeiros dias de escola. Faz muito tempo que eu estudei, então as primeiras semanas de prova da faculdade, era como se minha mãe tivesse me deixado lá e eu estava super nervosa. Mas todo mundo me deu muito apoio e, quando eu postei, muita gente veio conversar comigo. Acho que não teria um curso mais minha cara do que esse. No início, foi muito difícil, mas acho que é mais por mim mesmo, de acreditar que eu posso”, finalizou.

