Já são 25 anos de história no Futebol Feminino. Marcada pelo pioneirismo na modalidade, a Ferroviária segue sendo forte, mesmo com a chegada dos times de camisa pesada. Com início em parceria com a Prefeitura de Araraquara (SP), hoje o clube anda com suas próprias pernas. Para seguir disputando títulos, a Locomotiva investe pesado nas categorias de base e está prestes a ter o primeiro Centro de Treinamento exclusivo para o Futebol Feminino. De 2001 até agora, conheça a história das Guerreiras Grenás, donas de todos os títulos possíveis e sobrevivendo entre grandes investimentos.
A história

Em 2001, foi dado o pontapé inicial para o Futebol Feminino em Araraquara (SP). O então prefeito à época, Edinho Silva (PT), um dos grandes incentivadores da modalidade, começou o projeto em parceria com Hipermercados Extra. Na ocasião, a equipe foi montada para levar o esporte aos bairros periféricos da cidade. Com o crescimento no número de mulheres praticando a modalidade, a profissionalização era inevitável. A partir deste momento, o time passou a disputar competições da Federação Paulista, sendo campeã do Estadual em 2002, 2004 e 2005. Passando os anos e visando se tornar ainda mais profissional, a equipe passou a se chamar Ferroviária/Fundesport.
Com este movimento, o clube de Araraquara passou a fornecer ainda mais estrutura às atletas. O investimento foi aumentando e, em 2013, veio mais um Campeonato Paulista, que lhe deu vaga para disputar o Campeonato Brasileiro em 2014. Tendo na equipe a base da Seleção Brasileira, a Ferroviária conquistou dois títulos nacionais no ano seguinte. Primeiramente, a Copa do Brasil e depois o Campeonato Brasileiro. Dando saltos cada vez maiores, em 2015, o clube alcançou o patamar internacional e faturou o primeiro título de Libertadores da América.
O clube conquistou, ainda, mais um título Brasileiro em 2019, tendo a primeira mulher no comando a conquistar o campeonato, com Tatiele Silveira. Em 2021, mais pioneirismo. Desta vez com Lindsay Camila como técnica, a Locomotiva levou o bicampeonato da Libertadores, em uma campanha memorável.
Origem da alcunha

Para o público do Futebol Feminino, a Ferroviária é conhecida pela alcunha de Guerreiras Grenás. A origem do apelido remonta a 2010 e foi dada por três jornalistas de Araraquara, que acompanhavam a modalidade. O dia 11 de setembro de 2010 foi o marco zero disso tudo, em uma partida do Campeonato Paulista entre Ferroviária e Santos, em Araraquara. Os responsáveis são: Carlos André de Souza, do jornal O Imparcial, Marcos Chiochinni, da equipe de rádio Os Campeões da Bola, e Felipe Santilho, do jornal Tribuna Impressa.
Naquela época, o Santos era o clube que mais investia e que tinha o melhor time de Futebol Feminino. As Sereias da Vila chegaram para a partida com 18 vitórias em 18 confrontos. O jogo era muito difícil para o time afeano, que passava por algumas dificuldades estruturais. Mesmo com problemas, o elenco da Ferroviária bateu de frente com as adversárias. A escolha aconteceu após alguns nomes passarem pela cabeça dos setoristas. “Guerreiras da Arena” e “Guerreiras da Fonte” foram os primeiros cogitados. Porém, o escolhido foi “Guerreiras Grenás”, que traz a valentia do time nas partidas, junto à cor grená, característica do clube.
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Categorias de base forte

Um dos maiores legados que a Ferroviária traz para o Futebol Feminino brasileiro é o investimento nas categorias de base. Com elencos do Sub-12 até o Sub-20, além de uma escolinha de futebol para meninas até 10 anos, o clube tem fomentado muito a modalidade. A Locomotiva tem um dos maiores projetos de base do futebol brasileiro. Muitas atletas ganham notoriedade após vestir a camisa grená. Duas das jogadoras formadas pelo clube são a atacante Bia Zaneratto, hoje no Palmeiras, e Aline Gomes, que atua pelo Pachuca-MEX. Além delas, muitas são as revelações afeanas, ano após ano. As Guerreirinhas Grenás ainda acumulam títulos na base, desde o Paulista até competições internacionais. A Ferroviária é o único clube da América do Sul a ter títulos continentais na base e no profissional.
Para o planejamento da atual temporada, a Locomotiva queria 30% do elenco formado em casa. Porém, foi além e atingiu quase 50%. Para o futuro, a visão é chegar nos 70%. Ao encontro a este objetivo, o clube trouxe de volta o técnico Leonardo Mendes em 2025. O comandante foi quem trouxe o primeiro título da Libertadores em 2015 e sua carreira foi feita nas categorias de base de equipes masculinas como Ferroviária, Palmeiras e Bahia.
Araraquara abraçou

Desde sua criação, a torcida da Ferroviária comparece e torce pelo time feminino tanto e, às vezes até mais, quanto pelo masculino. Em anos em que o futebol dos homens ficou devendo, e não foram poucos, as Guerreiras Grenás foram um alento para o sofrido coração grená. Hoje, com alguns percalços, o futebol masculino tenta voltar à elite do futebol Paulista e disputará a Série C em 2026. Por outro lado, o Futebol Feminino, claro, segue dando orgulho e competindo com grandes camisas e maiores investimentos do nosso futebol brasileiro.
O futuro já começou

À medida que a modalidade vai crescendo, a Ferroviária também não pretende ficar para trás. Com investimento pesado nas categorias de base, o clube terá, também, um Centro de Treinamento exclusivo para o Futebol Feminino. Anunciado em 2024, o início das obras foi aprovado em janeiro de 2026. O intuito é que o local fique pronto no início de 2027, visando receber uma seleção na preparação para a Copa do Mundo.
O clube implementará o projeto no atual Centro de Treinamento Olegário Tolói de Oliveira (Dudu). Atualmente conhecido como CT do Pinheirinho, o espaço passará por uma ampla reestruturação e, a partir disso, adotará o nome “Aldeia das Guerreiras”. Ao todo, o clube construirá seis campos, sendo um deles com estrutura adequada para receber partidas oficiais das categorias de formação. Além disso, todos os campos contarão com irrigação eletrônica, enquanto um deles terá gramado sintético.
Além dos seis campos, o local abrigará toda a estrutura necessária para o desenvolvimento das atletas. Dessa forma, o centro contará com áreas de preparação física, departamento médico, setor de fisioterapia e todos os demais espaços que garantem o pleno funcionamento do clube. Além disso, o novo centro de treinamento terá um hotel com capacidade para 82 jogadoras, do sub-12 ao profissional. No espaço, o clube disponibilizará cozinha industrial, restaurantes, lavanderias, rouparias e vestiários, assegurando conforto e suporte completo no dia a dia. O centro de treinamento faz parte de um convênio entre Fundesport (Fundação de Amparo ao Esporte de Araraquara), a Petrobras e o Governo Federal e custará cerca de R$ 34 milhões.
