Por muito tempo, imaginar mulheres jogando futebol na Somália não era só improvável – era praticamente impossível.
Em um país marcado por décadas de instabilidade política e pela atuação de grupos armados, o esporte já foi alvo de restrições diretas. Houve períodos em que até partidas masculinas eram desencorajadas. Para mulheres, então, o futebol simplesmente não existia.
Mas esse cenário começou a mudar. E mais recentemente do que muita gente imagina.
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Os primeiros passos do Futebol Feminino
Foi apenas em 2024 que o Futebol Feminino somali deu seu primeiro passo estruturado, com a criação de uma liga nacional.
Naquele início, eram cerca de 80 jogadoras.
Pouco tempo depois, o número já chama atenção: cerca de 600 atletas, distribuídas em aproximadamente 10 equipes, com jogos concentrados principalmente na capital do país, Mogadíscio.
O salto pode parecer pequeno em números globais, mas, dentro do contexto do país, é enorme, já que, até poucos anos atrás, a modalidade sequer era considerada uma possibilidade real.
Um país que começa do zero
O desenvolvimento tardio ajuda a explicar por que a Somália ainda não aparece no ranking feminino da FIFA.
A seleção nacional, conhecida como Ocean Queens, disputou seu primeiro jogo internacional apenas em 2025, em um amistoso contra o Djibouti, um pequeno país na África Oriental. Em maio, a seleção disputará seu primeiro torneio internacional, um campeonato Sub-17 na Tanzânia, um marco simbólico para um país que, até então, estava fora do mapa do Futebol Feminino.
Crescer ainda não significa consolidar
Apesar dos avanços, o caminho ainda está longe de ser simples.
Durante anos, conflitos armados e a atuação de grupos extremistas impactaram diretamente o esporte no país. Em alguns períodos, o futebol chegou a ser visto como uma atividade inadequada, especialmente para mulheres.
Mesmo hoje, com uma realidade mais estável em algumas regiões, o crescimento do Futebol Feminino ainda esbarra em barreiras culturais importantes.
Em muitos casos, famílias não autorizam a participação de meninas no esporte, um fator que limita o desenvolvimento da base e reduz o alcance da modalidade.
Um jogo que está só começando
O Futebol Feminino na Somália ainda está longe de ser uma realidade consolidada.
Faltam investimento, estrutura e, principalmente, continuidade. Mas o que existe hoje já representa uma ruptura importante com o passado recente.
Se antes não havia espaço para mulheres no futebol, agora esse espaço começa, pouco a pouco, a ser construído.
E, em um país onde o esporte já foi impensável, isso já diz muita coisa.
