O Futebol Feminino nunca esteve tão em evidência. Recordes de audiência, novos patrocínios e ligas mais estruturadas colocaram a modalidade em outro patamar nos últimos anos. A FIFA, inclusive, estabeleceu como meta alcançar 60 milhões de jogadoras até final de 2026, um indicativo claro do ritmo de crescimento global.
Mas, fora dos grandes centros do esporte, a realidade ainda é bem diferente. Em vez de expansão acelerada, o que se vê em muitos países é um desenvolvimento lento, desigual e, em alguns casos, cheio de obstáculos que vão muito além das quatro linhas.
Entre avanços e começos recentes
O continente africano é hoje um dos principais exemplos desse cenário de contrastes.
De um lado, seleções como Nigéria, África do Sul e Marrocos se consolidaram no cenário internacional, com participação frequente em Copas do Mundo e crescimento consistente em estrutura e visibilidade.
Do outro, há países onde o Futebol Feminino ainda está dando seus primeiros passos.
Na Somália, por exemplo, a modalidade começou a se estruturar recentemente. A criação de uma liga feminina em 2024 marcou o início de um movimento que, em poucos anos, já ampliou significativamente o número de jogadoras no país.
Esse avanço acontece em um contexto marcado por desafios históricos. Durante anos, conflitos armados e restrições culturais limitaram a prática esportiva, especialmente para mulheres. Hoje, mesmo com maior aceitação e crescimento gradual, o Futebol Feminino ainda enfrenta barreiras estruturais e sociais.
Situação semelhante pode ser observada em países como a Mauritânia, onde o desenvolvimento da modalidade também é recente e depende de iniciativas em consolidação.
Segundo a Confederação Africana de Futebol, o Futebol Feminino avança no continente, mas de forma desigual, com crescimento concentrado em poucos polos.
Por que o Futebol Feminino não cresce no mesmo ritmo
A desigualdade no desenvolvimento da modalidade tem causas diversas e, muitas vezes, interligadas.
Em muitos países, o principal desafio ainda é estrutural: faltam campeonatos organizados, categorias de base e investimento contínuo. Em outros contextos, fatores culturais também influenciam diretamente a participação feminina no esporte.
Relatórios da UNESCO apontam que meninas e mulheres ainda enfrentam mais obstáculos para acessar e permanecer no esporte, especialmente em regiões onde desigualdades de gênero são mais acentuadas.
Quando o futebol deixa de ser possível
Se em alguns lugares o Futebol Feminino ainda está começando, em outros ele sequer pode existir.
No Afeganistão, a prática esportiva feminina foi drasticamente afetada após a retomada do poder pelo Talibã, em 2021. Com restrições impostas às mulheres, a seleção feminina deixou de competir e diversas jogadoras precisaram deixar o país.
Hoje, muitas vivem no exílio, tentando manter suas carreiras longe de casa. Relatos reunidos por organizações como a Anistia Internacional mostram que, nesse contexto, o futebol deixou de ser apenas esporte e passou a representar resistência.

Um cenário de contrastes
Enquanto isso, em outras regiões, o Futebol Feminino segue em expansão acelerada.
Na Europa, países como Inglaterrae Espanha contam com ligas estruturadas, investimento contínuo e crescimento de público. Já na América do Sul, o Brasil vive um processo de desenvolvimento mais recente, ainda marcado por desafios históricos.
Crescimento global, realidade desigual
O futebol feminino cresce, mas não da mesma forma para todas. Em alguns países, ele já é carreira, mercado e espetáculo. Em outros, ainda é início, resistência ou sequer possibilidade.
