O SESI-SP entrou para a história ao ser a primeira equipe dedicada exclusivamente ao Futebol Feminino a receber o Certificado de Clube Formador (CFC) da Confederação Brasileira de Futebol. Nossa equipe do Campo Delas, do iG, entrevistou a coordenadora da modalidade, Mirella Cagliari.
Com destaque nacional em diversas modalidades como o vôlei, o SESI-SP implementou o Futebol Feminino há cerca de três anos. Mirella descreveu como foi o processo de implementação da modalidade na entidade.
“Então, quando o SESI implanta o Futebol Feminino dentro da instituição, o nosso compromisso era democratizar o acesso para que meninas pudessem ter um ambiente seguro, exclusivo e pensado para elas. A gente tinha pleno entendimento do que era importante ser pensado, planejado e oferecido para as meninas em relação às necessidades pro desenvolvimento e pro dia a dia delas aqui, principalmente pelo fato da gente não ofertar essa modalidade na categoria masculina.”

Processo para se tornar um clube formador
Para receber o Certificado de Clube Formador, é necessário que a entidade atenda aos critérios técnicos, médicos, estruturais e sociais estabelecidos pela CBF. Esse não era o planejamento inicial do SESI-SP, mas Mirella Cagliari contou como funcionou o processo.
“Quando começamos, não tínhamos o pleno domínio do que era realmente o selo clube formador, de todas as suas exigências, qual era o caminho para que a gente pudesse conquistar isso. Mas, assim que a gente deu o pontapé, acho que o nosso primeiro grande objetivo foi se filiar à Federação Paulista de Futebol, a partir desse processo de filiação, que também traz uma série de exigências e de compromissos. Ali, quando a gente começa a entender o que era o CFC, a gente começa a estudar um pouco mais a fundo isso, a gente já percebe que não existia nenhum clube no Brasil que trabalhasse só com o Futebol Feminino e que tivesse esse certificado. Acho que isso foi até um combustível mais pra gente, para poder mostrar, a partir dessa nossa conquista, que outros projetos e outros clubes poderiam também conquistar e alcançar.”
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Os desafios e mudanças no SESI
A jornada para se tornar um clube formador envolve questões estruturais e jurídicas. Mirella contou alguns dos desafios para receber o certificado.
“A gente foi entendendo que o projeto do SESI já nascia muito alinhado a isso, né? Eh, olhando e cuidando de todas essas frentes. Então, nesses dois anos e meio, acho que o nosso principal desafio foi poder organizar tudo isso. Todo o processo de documentação, que não é pequeno, e poder levar isso para a Federação Paulista de Futebol e para a CBF para então concretizar no selo clube formador.”
O SESI-SP recebe meninas a partir dos oito anos de idade, que fazem aulas de futebol de maneira gratuita na unidade. Elas recebem uniforme e alimentação e as que se destacam e desejam, a partir dos 12 anos, podem participar do núcleo competitivo e iniciar o processo de profissionalização.
A coordenadora do Futebol Feminino do SESI também relatou o que mudou com o Certificado de Clube Formador, quais são os desafios e os objetivos da instituição. A equipe já disputou o Paulistão Feminino Sub-15.
“Na prática, o nosso objetivo é oportunizar que essas meninas tenham acesso à modalidade, mas também garantir que elas se desenvolvam dentro do futebol. Que elas consigam ter um caminho de desenvolvimento até a profissionalização e também enquanto mulheres e futuras adultas. Para esse caminho, a gente sabe que não é fácil e que os desafios são grandes.”
Os próximos passos do Futebol Feminino do SESI-SP
O projeto do SESI é expandir a participação em competições de Futebol Feminino. O próximo desafio é o Paulistão Feminino Sub-17. Mirella, então, descreveu quais os objetivos do clube na competição.
“Esse vai ser o nosso primeiro ano participando do Campeonato Paulista Sub-17. E a gente sabe que, conforme o critério de classificação dentro dessa competição, nós podemos garantir a participação no ano seguinte e no Campeonato Brasileiro Sub-17. E, uma vez que a gente consiga essa vaga pro Campeonato Brasileiro, a meta é terminar entre as oito equipes e garantir a permanência nessa competição.”
A coordenadora explicou ainda que o desejo do SESI é estar presente nas principais competições de Futebol Feminino de base do país. A Copinha Feminina também está nos planos da instituição.
“A Copinha é uma competição que o SESI sonha em estar nos próximos anos, entendendo que ela também carrega um critério que não perpassa pelo desejo de participar. Mas o desejo do SESI é poder estar nas maiores competições oferecidas sempre que possível, vencendo cada degrau, assim como foi desde a implantação para poder participar.”

Foto: Everton Amaro/Fiesp
Profissionalização do Futebol Feminino
Alguns clubes têm o objetivo de formar atletas para que estas sejam negociadas com outras equipes nas categorias mais próximas da fase adulta. No entanto, a coordenadora explicou que o projeto do SESI é formar atletas para que elas se profissionalizem na própria instituição.
“Temos como objetivo oportunizar que essas nossas jovens atletas hoje possam se profissionalizar dentro do SESI. Em 2025, o SESI estreou no Campeonato Paulista Sub-15. Este ano, o nosso objetivo é a participação no Sub-17 e no Sub-15. Depois, eh, nós temos como planejamento a categoria Sub-20 por 3 anos.”
O Futebol Feminino profissional do SESI é um projeto que tem um prazo marcado. O planejamento do clube é que, no oitavo ano da modalidade, a categoria profissional adulta esteja funcionando.
“Então, realmente é a partir dessa transição entre categorias e, a partir de 2031, ainda com um elenco aí, com uma equipe bem jovem, eh, o objetivo do SESI é poder estar estreando nas categorias adultas. Então, é um projeto a longo prazo, né, e que, dentre 8 anos, né, desde o seu início, o objetivo é que a gente tenha a primeira categoria profissional adulta.”
