A nomeação de Formiga como diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte reacendeu um debate antigo e ainda urgente no Brasil: a falta de estabilidade estrutural para as atletas. Pouco depois de assumir o cargo, a ex-jogadora da Seleção Brasileira deixou claro um dos eixos centrais de sua atuação. O objetivo, segundo ela, é garantir segurança trabalhista para quem vive do Futebol Feminino.
Rebaixamento masculino e impacto direto nas mulheres
Em entrevista recente para a TNT, Formiga chamou atenção para a fragilidade dos vínculos entre jogadoras e clubes. O problema, de acordo com ela, se agrava em cenários de rebaixamento no futebol masculino. Nesses casos, a ausência de exigências regulatórias mais rígidas permite o encerramento abrupto de equipes femininas. Como consequência, atletas ficam sem contrato, sem planejamento e sem perspectiva de continuidade.
À TNT, Formiga abriu o jogo:
Eu pretendo realmente trabalhar sobre isso. Nós temos que ter leis que possam cobrir o futebol feminino, que possa ser uma modalidade estável no nosso país. Essas meninas não podem dormir empregadas e acordar desempregadas.
Esse alerta dialoga com um padrão recorrente no futebol brasileiro. Quando clubes masculinos caem da Série A para a Série B, deixam de ser obrigados a manter times femininos nas principais competições nacionais. Na prática, essa brecha abre espaço para decisões administrativas que desconstroem projetos de forma imediata. O Fortaleza, é apenas um entre vários exemplos.
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Casos recentes reforçam a instabilidade
Nos últimos anos, Athletico Paranaense e Chapecoense também encerraram suas equipes femininas após mudanças no cenário esportivo e institucional. Em ambos os casos, as atletas foram desligadas e os projetos interrompidos. Esses episódios reforçam a instabilidade que ainda marca a modalidade no país.

Atualmente, tanto Athletico quanto Chapecoense precisarão estruturar novas equipes femininas para atender exigências de competições e regulamentos. Esse movimento evidencia um ciclo preocupante: criação, encerramento e reconstrução de projetos sem continuidade estrutural ou planejamento de longo prazo.

Um gargalo estrutural da modalidade
Esse cenário expõe um dos principais gargalos do Futebol Feminino brasileiro. Sem leis específicas ou normas mais rigorosas, o futuro profissional de centenas de atletas permanece condicionado ao desempenho do futebol masculino. Para Formiga, essa lógica precisa ser superada com urgência.
Políticas públicas como caminho
Ao assumir um cargo estratégico no Ministério do Esporte, a ex-volante amplia o debate para além das quatro linhas. A proposta é tratar o Futebol Feminino como uma modalidade autônoma. Isso passa por políticas públicas próprias, contratos mais seguros e mecanismos que impeçam o desmonte repentino de equipes.
Segundo Formiga, não há desenvolvimento esportivo sem estabilidade institucional.
É necessário acabar com isso, passar essa segurança para essas meninas hoje, para que elas possam se desenvolver tranquilas e, amanhã ou mais tarde, elas possam devolver o que estamos dando para elas, completa Formiga.
Um debate que ganha força
A discussão ganha ainda mais relevância em um momento de crescimento de público, visibilidade e investimento no futebol feminino brasileiro. No entanto, sem garantias mínimas de continuidade, esse avanço corre o risco de se sustentar sobre bases frágeis. É justamente esse cenário que a nova diretora afirma estar disposta a enfrentar em sua atuação.
