O Futebol Feminino do São Paulo vive um dos seus melhores momentos de toda sua história. Desde a sua reativação em 2019 de forma definitiva, com a parceira com o Centro Olímpico, o time hoje é um dos principais pilares do Futebol Feminino aqui do Brasil.
Atualmente, o São Paulo conta com uma boa estrutura e com um bom investimento, tanto no elenco principal quanto nas categorias de base. O Tricolor Paulista também participa das principais competições nacionais, como o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. E fez sua estreia na Libertadores Feminina em 2025.
Primeiros passos do São Paulo Feminino
O time feminino do São Paulo saiu do papel em 1997.
“Neste primeiro momento queremos criar um time competitivo, que faça um bom papel. A ideia é consolidar o time, brigar nas competições, e ir crescendo em cima disso”, afirmou à época o diretor comercial do São Paulo, Marcelo Pepe.
O clube aproveitou o fim do departamento feminino do Saad e contratou, de uma vez só, toda a espinha dorsal da Seleção Brasileira daquela época. O time era composto pela Sissi (a camisa 10 da época), Formiga , Kátia Cilene, Pretinha e Grazielle. O time por si só era já considerado uma constelação.
Nesse mesmo ano de estreia, o São Paulo conquistou o Campeonato Paulista e o Campeonato Brasileiro (Taça Brasil), de forma invicta. O time veio de uma forma tão avassaladora que aplicou goleadas em todos os jogos que disputou. Os placares mais marcantes foram os de 21 a 0 sobre a USP e 17 a 0 sobre o Mackenzie.
O Tricolor não apenas vencia, ele ditava como o Futebol Feminino deveria ser jogado. Com isso, o time construiu uma trajetória de pioneirismo, superação e uma identidade que unia sabedoria e soberania.

As primeiras conquistas
No mesmo ano de estreia do time, 1997, o São Paulo conquistou na temporada as quatros competições que disputou. Além do estadual (Campeonato Paulista), o Tricolor foi campeão do Torneio de Campo Grande, Torneio da Primavera e da Taça Brasil. Neste primeiro ano, o clube jogou 32 partidas com 28 vitórias, dois empates e duas derrotas, marcando incríveis 199 gols. Todos esses feitos foram no comandado pelo treinador José Duarte, segundo informações oficiais do próprio clube.
Nos três anos seguintes, o São Paulo venceria a Copa Eduardo José Farah, realizada em Cubatão (SP), e o Paulista, ambos em 1999. Apesar de ser um dos protagonistas do país, a equipe não conseguiu superar a Portuguesa, que foi a responsável por eliminar o Tricolor no estadual e no Brasileiro de 1998. Esses dois jogos foram os dois únicos que o São Paulo perdeu nesse período.

O primeiro fim do São Paulo
Mesmo conquistando todos esses títulos, o São Paulo não estava conseguindo se manter financeiramente, por conta de falta de patrocinadores. Assim, no ano de 2000, a equipe foi encerrada. O clube tentou reativar a equipe feminina em duas oportunidades, em 2001 e em 2005, mas sem sucesso. Dessa forma, encerrou oficialmente o time de Futebol Feminino em 2005, de acordo com o Arquivo Histórico.
O retorno após 10 anos
Após esses longos 10 anos, o Tricolor reapareceu em 2015 com um novo projeto. O São Paulo selou um acordo com a prefeitura para utilizar a estrutura da cidade de Barueri (SP). O time mandava seus jogos na Arena Barueri e utilizava o CT da Vila Porto. Com isso, a equipe foi montada rapidamente para a disputa do Campeonato Paulista e do Campeonato Brasileiro daquele ano de 2015.
O grande triunfo desse elenco foi a chegada da jogadora Cristiane. A atacante, que já era uma das maiores do mundo, também foi o rosto do projeto e a principal esperança de gols para o time. O elenco também contava com as jogadoras Carla Nunes, Dandara, Giovanna e Beatriz. Já o comando da equipe ficou nas mãos do técnico Marcelo Frigério, conhecido no meio do Futebol Feminino como “Marcelinho”. Ele teve o desafio de montar um time em pouco tempo para competições de alto nível.

O fim do time
O time teve um bom desempenho, chegando à final do Campeonato Paulista de 2015. Na decisão, o São Paulo enfrentou o São José e acabou ficando com o vice-campeonato. Já no Brasileiro, a equipe também fez boa campanha, mas não alcançou o título.
Apesar do sucesso esportivo e da grande visibilidade gerada pela jogadora Cristiane, a parceria não foi renovada para 2016. Com isso, o departamento de Futebol Feminino se desfez novamente, retornando apenas em 2019. Esse período de 2015 é lembrado pela torcida pela imagem icônica de Cristiane honrando a camisa 11 tricolor, provando que, mesmo em parcerias temporárias, o São Paulo sempre entrava para disputar finais.

2019: o renascimento das Soberanas
O ano de 2019 foi marcado como um divisor de águas. Com a obrigatoriedade da CBF e da CONMEBOL para que clubes da Série A tivessem times femininos, o São Paulo decidiu que não faria apenas “o básico”. O clube decidiu montar uma estrutura própria, que seria sediada inicialmente no Complexo Social do Morumbi, mas posteriormente, foi realocada para Cotia (SP).
O grande símbolo desse renascimento foi o anúncio de Cristiane. A atacante, uma das maiores da história do futebol, retornou ao clube após a sua passagem de 2015, porém, desta vez ,com um contrato e um projeto de marketing pesado. Com a sua chegada, ela atraiu os holofotes da mídia e da torcida, assim legitimando o retorno do Tricolor ao topo do Futebol Feminino brasileiro.
A campanha para o título do Brasileirão A2
Sob o comando do técnico Lucas Piccinato, o São Paulo construiu um time equilibrado que mesclava a experiência com jovens promessas. O elenco contava com nomes como Carla Nunes, que retornou junto com Cristiane, Ottilia, Yaya, Natane e Bruna Cotrim. O principal objetivo desse elenco era ter o acesso para a elite do Brasileirão.
O Tricolor fez a sua melhor campanha pelo Campeonato Brasileiro A2. A final do campeonato foi contra o time do Cruzeiro. Após vencer por 4 a 0 no jogo de ida, o São Paulo confirmou o título no Mineirão, assim se tornando Campeão Brasileiro da Série A2.
Outro marco importante nesse ano foi a final do Paulista contra o Corinthians. Esse jogo registrou audiência e público muito altos, assim mostrando que a torcida são paulina havia abraçado as Soberanas.

A virada de chave para a equipe Tricolor
O ano de 2019 representou a afirmação do São Paulo no Futebol Feminino. Desta vez, o São Paulo buscou parceiros específicos. A Adidas era fornecedora de material esportivo e lançou campanhas exclusivas para o time feminino.
O clube também passou a utilizar o patrocínio da Banco Inter e outras marcas que estampavam o uniforme masculino, mas com uma gestão financeira dedicada ao departamento feminino, chefiada por Mara Cristina Bento. Com isso, o clube começou a desenhar o projeto de base para o que é hoje. O clube entendeu que não bastava contratar estrelas, mas sim que era preciso fabricá-las. A integração com o CFA de Cotia começou a ganhar corpo, permitindo que o time que subiu em 2019 já tivesse peças formadas em casa.
A fase atual das Soberanas
Com o título da Série A2 em 2019, o São Paulo entrou no ano de 2020 com um objetivo claro: ficar no topo do Futebol Feminino brasileiro. O clube entendeu que para competir com rivais de alto nível, precisaria de uma identidade própria e de uma categoria de base que servisse de “pulmão” para o time principal. Sob o comando de Lucas Piccinato e, posteriormente, de Thiago Viana, o time se tornou presença constante nas fases finais do Brasileirão e do Paulistão.
O grande marco dessa nova fase foi a conquista da Brasil Ladies Cup em 2021. Ao vencer o Santos na final, o São Paulo conquistou um título de prestígio internacional.
Atualmente, o Tricolor deixou de ser uma “promessa” para se tornar uma potência consolidada, batendo de frente com os outros clubes da elite do Futebol Feminino brasileiro. Sob o comando de Thiago Viana, técnico que subiu da base com um currículo multicampeão, o time principal joga com uma identidade clara. O São Paulo hoje é conhecido por um futebol de transições rápidas, solidez defensiva e inteligência, características herdadas da formação em Cotia.
Objetivos do São Paulo
A fase atual também aproximou as Soberanas da torcida. Jogos decisivos do Campeonato Brasileiro e do Paulistão começaram a acontecer com frequência no MorumBIS, assim atraindo mais públicos e batendo recordes. O apoio da torcida organizada e de novos grupos de torcedoras femininas criou uma atmosfera de “caldeirão”, essencial para a competitividade da equipe.
O grande objetivo desta fase atual do São Paulo é a conquista da Copa Libertadores Feminina. Após bater na trave em competições nacionais e conquistar a Ladies Cup, o São Paulo foca seu planejamento em dominar a América, assim fechando o ciclo que começou lá em 1997 com Sissi e companhia.

O DNA Tricolor
O São Paulo adotou uma metodologia de integração total das categorias de base com o time principal. O resultado? O clube é, hoje, o que mais cede atletas para as Seleções Brasileiras de base. Nomes importantes como, Lauren, Vitória Yaya, Dudinha, Aline Gomes, Giovaninha, Duda Rodrigues e Serrana foram revelados em Cotia.

Títulos conquistados
Além dos primeiros títulos conquistados em 1997, o Tricolor conquistou, em 1999, o segundo Campeonato Paulista, assim como o amistoso Torneio Dr. Eduardo José Farah.
Depois desse período, o São Paulo voltou a conquistar títulos somente em 2019, com o Campeonato Brasileiro Série A2. Dois anos depois, foi a vez do primeiro título internacional, a Brasil Ladies Cup em 2021. Em seguida, vinha a conquista da Copa Ouro em 2022. Por fim, em 2025, conquistou a Copa do Brasil.

