Uma final também é feita por quem consegue organizar o time quando a partida aperta. Em São Paulo e Corinthians, duas jogadoras carregam esse papel com a faixa no braço e uma longa trajetória no futebol: Tayla e Tamires.
As capitãs chegam ao segundo jogo da decisão do Brasileirão Feminino com experiências diferentes. Ainda assim, elas têm uma característica em comum: a liderança construída dentro do campo e também no dia a dia dos clubes.
No primeiro encontro entre as equipes, disputado na Neo Química Arena, as duas foram titulares. Tayla comandou a defesa do São Paulo, enquanto Tamires começou pelo lado esquerdo do Corinthians. No fim, o Tricolor levou a melhor e venceu por 2 a 1, de virada, abrindo vantagem na decisão.
Agora, o perfil de cada uma ajuda a entender como os dois times chegam ao último capítulo da final.
Tayla: liderança construída na defesa
Aos 34 anos, Tayla chegou ao São Paulo no início de 2026, depois de duas temporadas no Grêmio. Antes disso, construiu uma carreira marcada por passagens por Santos, Ferroviária, Centro Olímpico, Iranduba e Benfica, além de títulos nacionais e internacionais.

Além da experiência nos clubes, a jogadora também acumula trajetória na Seleção Brasileira. Em 2026, ela foi convocada por Arthur Elias para um período de preparação em Itu e, posteriormente, voltou a aparecer na lista da equipe nacional para os amistosos contra a Argentina.
No São Paulo, a zagueira rapidamente se tornou uma das referências do elenco. Mais do que proteger a área, sua posição exige participação constante na organização da equipe.
Por isso, Tayla associa esse papel à própria liderança. Em entrevista à TV Brasil antes da decisão, a capitã falou sobre como a estrutura ao redor do elenco permite que as líderes concentrem sua energia no que acontece dentro de campo.

“Se você não tem um staff organizado, acaba caindo alguma responsabilidade para as líderes.”
Nesse sentido, a frase ajuda a explicar uma característica da capitã são-paulina: liderar também passa por perceber o que acontece ao redor da equipe.
Dentro de campo, Tayla orienta a última linha e ajuda o time a manter a organização. Como resultado, o São Paulo terminou a primeira fase com a defesa menos vazada do campeonato e manteve a consistência durante o mata-mata. Na campanha até a final, a zagueira participou de praticamente toda a trajetória da equipe.
Tamires: experiência de quem ajudou a construir a potência corintiana
Do outro lado está uma jogadora que já se tornou parte da história do Corinthians. Tamires está no clube desde 2019 e, desde então, participou da construção da fase mais vitoriosa das Brabas.

A lateral-esquerda acumula títulos pelo Corinthians, incluindo seis Brasileiros e quatro Libertadores, além de conquistas estaduais e Supercopas. Em 2025, renovou contrato até o fim de 2027 e permaneceu como capitã do elenco.
Aos 38 anos, Tamires também carrega uma trajetória extensa pela Seleção Brasileira. São três participações em Jogos Olímpicos e três Copas do Mundo, além de títulos como a Copa América. Dessa forma, a experiência acumulada transformou a lateral em uma das principais vozes do elenco corintiano.
No entanto, sua liderança não se resume ao currículo.
Ao longo dos anos, Tamires também passou a exercer um papel de referência para as jogadoras mais jovens. A própria capitã já falou sobre dividir essa responsabilidade com outras líderes e sobre a importância de representar o clube dentro e fora das quatro linhas.

“Eu fico muito feliz em ser uma das líderes do Corinthians e divido essa responsabilidade com muitas atletas feras.”
Além disso, no campo, a lateral mantém uma característica que acompanha sua carreira: participação na construção das jogadas e capacidade de aparecer no ataque. A CBF a descreve como uma referência técnica e de liderança. Ao mesmo tempo, o histórico da jogadora mostra uma carreira construída tanto pela capacidade física quanto pela leitura de jogo.
Duas capitãs, dois caminhos até a final
Tayla e Tamires representam momentos diferentes de suas respectivas carreiras.
A são-paulina chegou ao clube neste ano, mas trouxe consigo uma trajetória construída em diferentes equipes do futebol brasileiro e europeu. Desde então, assumiu rapidamente um papel de liderança e se tornou uma das peças centrais de uma defesa que sustentou a campanha até a decisão.

Tamires, por outro lado, já faz parte da identidade do Corinthians. A lateral participou de sucessivas conquistas e conhece de perto o peso de decisões nacionais. Além disso, é uma das jogadoras que ajudaram a construir a hegemonia recente das Brabas no futebol feminino brasileiro.
Até na primeira partida da final, os papéis ficaram claros. Enquanto Tamires ajudava o Corinthians a construir pelo lado esquerdo, Tayla tinha a missão de organizar a defesa tricolor diante de um dos ataques mais produtivos da competição.
No fim, porém, a história tomou o lado são-paulino. O Corinthians saiu na frente com Gabi Zanotti, mas Crivelari empatou e Isa Guimarães virou o jogo. Assim, o 2 a 1 colocou o São Paulo em vantagem antes da decisão no MorumBIS.
A última palavra será no MorumBIS
O segundo jogo da final acontece neste sábado (3), às 16h30, no MorumBIS. O São Paulo precisa apenas de um empate para conquistar o título. Já o Corinthians precisa vencer para levar a disputa aos pênaltis ou conquistar a taça no tempo regulamentar.

Na primeira partida, Tayla e Tamires estiveram frente a frente em uma decisão que colocou duas gerações e dois estilos de liderança no mesmo campo.
Agora, elas voltam a se encontrar no MorumBIS.
De um lado, uma capitã que chegou ao São Paulo em 2026 e assumiu rapidamente a responsabilidade de organizar a defesa. Do outro, uma das grandes referências da história recente do Corinthians, acostumada a decisões e títulos.
A faixa será a mesma. O desafio também.
No último jogo da temporada, apenas uma das duas poderá terminar a tarde levantando a taça.


