O Atlético-MG Feminino conquistou o principal objetivo da temporada, o acesso à Série A1 do Campeonato Brasileiro. Ou seja, em 2026 o time volta a figurar na divisão de elite nacional.

Portanto, para 2026, as Vingadoras terão um aumento no orçamento, um calendário mais atraente e novos desafios pela frente. Para falar de todo o planejamento, o Campo Delas, do Portal iG, entrevistou, com exclusividade, Ricardo Guedes. Desde maio de 2024, ele trabalha como Gerente do Futebol Feminino do Galo.
Na longa entrevista, concedida na Arena MRV, Guedes contou desde os conturbados primeiros dias no clube, que estava à beira do rebaixamento, até os atuais. Assim, o material será publicado em duas partes: a primeira hoje (15) e a segunda na terça-feira (16).
Entrevista Ricardo Guedes:
Quando você chegou ao Atlético, na reta final do Brasileiro de 2024, o time, em seguida, foi rebaixado. Daí em diante, o cenário seria de transformação porque iriam disputar uma série “A2”. O que você encontrou naquele momento?
Tivemos um primeiro contato em janeiro de 2024, aqui no Galo. Não evoluiu. Em maio, já em um momento difícil do Campeonato Brasileiro Feminino, houve um novo convite.
Mas eu vou voltar um pouquinho atrás porque é importante. Quando eu vim, pedi para entender o que estava acontecendo, antes da gente bater o martelo, tá? E a leitura é de que o Atlético passa, no final de 2023, por um dos momentos mais importantes da sua história, que é a mudança para a SAF (Sociedade Anônima de Futebol).

Isso aconteceu em novembro, se eu não estou enganado. E é só depois que se concretiza a SAF, que se inicia o planejamento para o feminino. E o feminino não permite atraso. Hoje, a gente está em dezembro, com o elenco fechado até para o próximo ano, mas a montagem começou em agosto. Então, você tem que iniciar com certa antecedência, porque não é um mercado extenso, como é o masculino, de quantidade de atletas disponíveis. Ou seja, quem consegue antecipar, vai beber água limpa, ter um elenco mais competitivo, negociações melhores no mercado.
Nesse aspecto, eu já encontrei um elenco montado (em 2024). E foi montado com menos oportunidades, em janeiro. Então, você não pode escolher mais, né? Tem que aceitar o que o mercado te oferece. E eu nem vou falar de qualidade de atletas, pois tinham boas. Mas, às vezes, maturidade, rodagem em uma competição de primeira divisão. Salvo engano, eu recebo um elenco com apenas quatro ou cinco atletas que já tinham jogado uma “A1″. Eu digo ‘recebo”, porque participo do processo, mesmo que apenas nos três jogos finais, mas já sem muito o que fazer (o Galo foi rebaixado com apenas 1 ponto em 15 partidas disputadas).
Apoio da SAF
A direção da SAF entendeu esse processo?
Sempre alinhados, com reuniões frequentes mesmo, porque o Galo não pode não estar na “A1”. E, óbvio, havia um entendimento de que a gente precisaria reformular os processos para que isso fosse possível.
A partir dali, a gente já entendeu que deveria pensar mais em 2025 do que em 2024. Começa um processo de reestruturação. Não se muda tudo da noite para o dia. E não é simples, porque você tem contratos para cumprir. A gente consegue fazer alguns ajustes de saídas, negociações, gerar algum recurso para poder minimizar o impacto no Campeonato Mineiro (o time foi eliminado na primeira fase).
É óbvio que a gente queria ter classificado para a final. Mas, muito mais importante, era entender cenários de quem poderia continuar e quem não poderia. Foi literalmente um vestibular ali, tanto que o elenco é muito alterado e dentro de uma realidade financeira para a “A2”.
E, como o acesso foi obtido, para o próximo ano, o que o torcedor pode esperar em termos de investimento para o Atlético não só se manter, mas fazer boa campanha na “A1”?
Primeiro, nunca foi um investimento ruim. A gente não tem um investimento de G-4 de Brasileiro. Mas a gente não está em um investimento muito abaixo de G-8 (cerca de R$ 6 milhões). Então, é como a gente utiliza esse investimento, né? Buscar, a cada dia, maximizar a utilização do recurso.
Eu acredito muito em trabalho, se reinventar. Mas tivemos membros da Seleção Brasileira nos visitando, o Corinthians antes da final treinou na nossa estrutura e é extremamente elogiada. A gente tem um staff, hoje, do mais alto nível. E a gente quer montar um elenco extremamente competitivo, com atletas de muita intensidade para que a gente possa surpreender. Eu acho que a palavra que a gente mais tem utilizado aqui é essa.
Mas principalmente se manter na “A1”. É se consolidar para que, ano a ano, a gente consiga subir um degrau, sem susto e risco, construindo o melhor elenco possível para o Galo.
Reforços para 2026

Então, falando de elenco, o que teremos de novidades? Nós vimos que várias jogadoras já saíram, uma mudança grande, né?
É natural. Vamos pegar uma equipe de G-4, que é a Ferroviária, que está passando por mudanças também. O Corinthians vai passar, Flamengo, Palmeiras… Todas as atletas que saíram foram muito importantes. Fiz questão de agradecer uma a uma porque foi um ano com ambiente espetacular de trabalho. Elas se dedicaram muito.
Só que o sarrafo sobe. Às vezes, uma atleta entrega mais, outra menos. Às vezes a gente quer trocar para atender à comissão técnica, um perfil de atleta diferente, então a gente está no mercado. E tem outra coisa. Da equipe que terminou como titular, muitas atletas foram cobiçadas no mercado e a gente manteve todas. É óbvio que a gente está buscando subir o nível para que a gente possa ter uma competição favorável em 2026.
E dá para já anunciar os reforços?
Não dá porque são atletas com contratos nos clubes. Mas todas já têm pré-contratos, conosco, assinados, tá? A gente só vai poder anunciar em janeiro, peço desculpas (a reportagem apurou, com outra fonte, que uma das atletas contratadas é a atacante Pimenta, que disputou a atual temporada pelo América-MG).
Claro, mas dá para falar de uma quantidade de reforços?
A gente troca 50% do elenco. Posso te falar que a gente recebe mais duas jogadoras estrangeiras e a gente terá atleta em semifinal de Campeonato Paulista. É um elenco construído com participação da Fabi Guedes, da comissão técnica. A gente avaliou mais de 500 a 700 atletas: brasileiras, estrangeiras.
Avaliando idade, perfil, intensidade, comportamento. Porque eu entendo que o ambiente é fundamental para que você construa uma equipe vencedora. E nós tivemos um ambiente muito favorável esse ano. No mínimo a gente tem que manter para o próximo ano.
