Como em 2026, o Atlético-MG volta a participar da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino, o Campo Delas, do Portal iG, entrevistou, com exclusividade, Ricardo Guedes. Desde maio de 2024, ele trabalha como Gerente do Futebol Feminino do Galo.
Na primeira parte da entrevista, publicada ontem (15), o dirigente detalhou como foi o duro ano do rebaixamento (2024). Falou sobre a remontagem da equipe até obter o acesso à divisão de elite do futebol brasileiro (2025). E trouxe informações a respeito de reforços para a próxima temporada, como, por exemplo, as contratações de mais duas jogadoras estrangeiras para o elenco.
Já na segunda e última parte da entrevista, o dirigente comentou sobre a renovação contratual da atual treinadora.

Analisou a trágica eliminação do Campeonato Mineiro Feminino deste ano, após a goleada por 4 a 0 para o América. Por fim, comentou se o sucesso do time feminino do rival Cruzeiro, influencia no projeto do Atlético.
Entrevista Ricardo Guedes:
O Atlético renovou, até o final de 2026, o contrato da Fabi Guedes, que chegou no ano passado. Vocês estão satisfeitos com o trabalho da treinadora?
Renovamos. A Fabi é uma contratação que eu posso dizer que foi questionada em um primeiro momento, pelo nosso contexto, imprensa e torcida, porque ela não tinha trabalhado ainda como treinadora.
Mas ela tem um vasto conhecimento do Futebol Feminino, né? Campeã da Libertadores como atleta, tem 78 gols no Campeonato Paulista. Conhece muito e todas as referências foram positivas, o que me fez acreditar que era o nome ideal pra que a gente mudasse a rota naquele momento (Fabi substituiu Adriano Gutierrez, em maio de 2025).
Ela, hoje, está 100% integrada, adora o clube, nós pensamos futebol muito parecidos, então isso é importante. Ora ou outra a gente tem alguma divergência de opinião, que nos faz crescer e chegar em um consenso. E, sabendo que, se o consenso foi definido, quem não concordava, compra a ideia. E vamos morrer abraçado nela.
Porque a gente entende que essa sinergia é cada vez mais fundamental pra gente poder crescer e construir um Galo mais competitivo, em busca dos objetivos que a gente traça.
Eliminação trágica no Mineiro
O Galo vinha fazendo um grande Campeonato Mineiro. Até a eliminação trágica na semifinal. Como vocês digeriram a derrota? E aquele jogo também influenciou na saída de alguma atleta?

Não, nós fizemos um bom Campeonato Mineiro. Aquela derrota, naquele dia, não pode apagar que a gente está em um caminho certo.
Na primeira fase, nós superamos os 3 adversários com menos camisa, de forma soberana. A gente fez um jogo contra o América, que merecemos vencer. Fizemos uma partida contra uma equipe que foi vice-campeã brasileira (o Cruzeiro), em que, na minha opinião, foi injusta a derrota por 4 a 3. Porque se tivesse terminado empatado, seria o justo o jogo.
Aí a gente vai para a semifinal e faz o jogo do ano. 4 a 0 foi pouco. Podia ter sido 5, 6. E talvez isso tenha sido o mais anormal no processo. Nem a gente esperava o 4 a 0 no primeiro jogo, nem o América esperava o 4 a 0 no segundo. A gente esperava jogos mais equilibrados.
Houve relaxamento?
E, antes do segundo jogo, não houve relaxamento. Nós treinamos pênaltis a semana inteira porque a gente sabe da qualidade do elenco do América. A gente não fez um bom jogo, tivemos dificuldade com o campo mais pesado, que vinha de muita chuva. E o América conseguiu vencer nos pênaltis. Foi um dia muito triste pra gente.
Mas crescemos mais na derrota por 4 a 0, do que na vitória. Isso vai ser importante, em outros momentos, quando a gente tiver uma vantagem dessa forma. Porque a gente queria demais e merecia estar na final, na minha visão.
Vamos evoluir e deixo claro que isso não impactou em nada nas definições de elenco. A gente já tinha, naquele momento ali, 90% do elenco fechado pra 2026 e já claro quem ficaria no nosso planejamento.
E nessa evolução que vocês estão planejando, existe uma meta em curto, médio e longo prazos?
Internamente sim. Tanto do Ricardo Guedes com o staff do Futebol Feminino, quanto do Ricardo Guedes para a alta gestão do clube. A gente tem tudo muito planejado, traçado. E, óbvio, né, que a gente está sempre ajustando rotas pra que a gente possa subir mais degraus.

Sucesso do rival Cruzeiro
O sucesso que o principal rival vem tendo, pois vai disputar uma Libertadores, foi vice brasileiro, campeão mineiro mais uma vez, de alguma forma apressa ou atropela esse processo do Atlético?
Não. Claro que eles estão, hoje, em um momento mais estável de planejamento e vão mudar a rota. Vão trocar atletas, pode dar certo, errado, pode evoluir, regredir. Mas eu não posso me basear pelo trabalho dos outros. Eu posso querer estar onde o Corinthians está hoje. É a minha referência, porque é o atual campeão brasileiro.
Então, eu quero tomar o lugar do Corinthians, o quanto antes. Mas a gente se baseia no Galo, no que a gente acha que é o certo dentro do que é o nosso planejamento. E não do terceiros, porque senão você sempre vai ter que ficar em uma gangorra.
Eu quero consolidar o nosso trabalho. Cada vez mais evoluir atletas. Vou pegar um exemplo da Amália, que era uma atleta em 2024, é outra em 25. E eu tenho certeza que vai ser ainda mais em 26 e 27. É uma atleta que a torcida ama e que todo mundo no mercado vê com bons olhos. E a gente prorrogou o contrato, para 27.
Recado para a torcida

E para o torcedor que é apaixonado, que quer um Galo forte, qual o recado que você gostaria de deixar?
O recado não é pra quem já acompanha o Futebol Feminino. É para a “Massa”, num todo, que queremos trazer pra perto. Tivemos experiências maravilhosas nos 2 jogos que fizemos na na Arena MRV, na nossa casa, não tomamos gols aqui. Ganhamos as duas partidas e pretendemos ter mais experiências como essas.
A alta gestão do clube está sempre à disposição. Mas, óbvio que a gente tem que colocar na balança tudo que envolve o jogo. O recado é que a gente trabalha muito pra entregar o melhor possível pra eles, sempre batalhando pra ter uma equipe ainda mais competitiva, com o intuito sempre de orgulhar a “Massa”. A gente quer ter mais torcedores acompanhando a cada jogo e esse é o maior objetivo para o próximo ano: trazer a nossa torcida para cada vez mais perto.
