Técnico do Cruzeiro Feminino, Jonas Urias lamentou a eliminação das Cabulosas nas oitavas de final da Copa do Brasil, na última terça-feira (21). A equipe mineira perdeu de virada para o Fluminense, no Estádio Luso-Brasileiro, por 2 a 1.
Os gols da partida foram feitos no segundo tempo. Pri Back abriu o placar para a equipe celeste aos 32 minutos. Mas, apenas dois minutos depois, as Guerreiras do Flu empataram com a cabeçada de Kamilla, após cobrança de escanteio. E chegaram à vitória em novo córner, aos 45 minutos. No rebote, Lelê recebeu belo passe de Cotrim, virou o duelo e garantiu a classificação do Tricolor para as quartas de final.
“O que nos puniu foi a bola parada. Não deu nem tempo de a gente entender a dinâmica do jogo porque a gente toma o gol de empate logo na saída, né? E depois, no finalzinho, mais um gol de escanteio. São duas bolas paradas. Acho que a gente lidou muito bem com a falta de ritmo, controlando a bola e fazendo o jogo fluir dentro do que a gente conseguia, nesta retomada. Porém, pecar em bola parada é fatal“, disse Urias, na entrevista coletiva depois da partida.
Apesar do placar adverso, o treinador viu pontos positivos na equipe.
“Conseguimos controlar muito bem o Fluminense dentro das ações de jogo. A gente conseguiu manter o Fluminense longe do nosso gol. Defendemos bem a nossa meta nos momentos em que o Fluminense esteve melhor na partida. E ficamos a um passe, uma boa assistência de conseguir criar chances mais claras. No nível de agressividade no terço final, nas chances claras, não fomos bem. E eu saio com a sensação de que a gente precisa melhorar“.

Contusões atrapalharam
O Cruzeiro teve desfalques importantes na partida, pois seis atletas tiveram ruptura de Ligamento Cruzado Anterior (LCA) no joelho, entre abril e junho de 2026. São elas as atacantes Milene Fernandes e Ravena, a meio-campista Gaby Soares, a zagueira Taianara, a lateral Laura Felipe e a zagueira Paloma Maciel.
As seis atletas passaram por cirurgia e o prazo de recuperação é longo, dura meses. Para Jonas Urias, mesmo com os graves problemas, o trabalho precisa seguir e gerar bons resultados. Afinal, em 2026, o Cruzeiro ainda disputa o Campeonato Brasileiro Feminino, a Copa Libertadores e o Campeonato Mineiro.
“O impacto é gigantesco e lidar com isso é dificílimo. Simples assim. Mas, temos que seguir em frente, buscar as soluções. Elas precisam assumir os novos papéis. Nós precisamos depositar a nossa confiança nesse grupo e seguir em frente. Trabalhar dobrado para compensar as essas ausências que fazem muita falta. Escrever uma história diferente daquela criou expectativa. Mas não necessariamente precisa ser uma história ruim“.
Por fim, o treinador deixou um recado de otimismo para a torcida: “Partida a partida, creio que esse novo grupo, por assim dizer, vai se encontrar e conseguir assegurar as vitórias”.

Cruzeiro investiga as causas das lesões
Em entrevista no centro de treinamentos das Cabulosas, a Toca da Raposa I, no último sábado (18), Luiza Parreiras, gerente de Futebol Feminino do Cruzeiro, disse que todos os dados das lesões foram analisados pelos profissionais do clube e também por especialistas de fora, como médicos e fisioterapeutas.
“Todo clube lida com uma lesão de LCA no Futebol Feminino, a gente sabe, mas não no número elevado como foi. A partir desse momento, a gente chega na conclusão que não foi simplesmente um azar, a gente precisava falar sobre isso, identificar o problema, definir algumas estratégias de ações e é o que a gente fez, envolvendo todo o clube“.
Entretanto, segundo a dirigente, o diagnóstico é que não existiu um padrão efetivo para as lesões acontecerem. Ou seja, não houve uma causa similar entre os casos.
“A questão é que não há um padrão efetivo. Essa foi a conclusão. Nem período menstrual quando lesionaram, momento da temporada, peso, percentual de gordura. A gente atacou várias linhas para tentar identificar padrão, mas não conseguiu“.
Portanto, a medida tomada pelo clube foi aprimorar os protocolos relacionados ao cuidado físico e mental das atletas, com a intenção de prevenir novas lesões.
“A gente chegou à conclusão que os protocolos, que já eram muito bons, padronizados aqui no Cruzeiro, precisavam ser melhorados, considerando que a cada ano vem aumentando a exigência física. A gente passou para a questão do ciclo menstrual, algo mais estratificado, quais sintomas as atletas têm, qualidade do sono, do humor, monitoramento da saúde mental, práticas de recuperação, alimentação, hidratação”, esclareceu Luiza Parreiras.
