Contratada pelo Atlético-MG em 2026, a zagueira mexicana Vanessa López, de 27 anos, vive a primeira experiência no futebol brasileiro. Em entrevista exclusiva ao Campo Delas, do iG, realizada no Centro de Treinamentos da equipe, a Vila Olímpica, em Belo Horizonte, a atleta falou sobre diversos assuntos.
Entre eles a adaptação a uma nova cultura, fez elogios à comida mineira (adorou pão de queijo) e traçou objetivos com as Vingadoras. Ah, a zagueira nasceu na cidade de Tijuana, que traz ótimas recordações à torcida alvinegra de Minas Gerais. A primeira parte do bate papo você acompanha abaixo.
Convite e chegada ao Brasil
Queria que você contasse um pouquinho dessa sua primeira experiência de vir para o Brasil. Está gostando?
Bem, estou muito feliz e também agradecida ao clube por me permitir estar aqui. Claro, adorei o Brasil. Adorei as pessoas, especialmente porque acho que são muito gentis, muito simpáticas. Todos tentam me entender e falam comigo devagar. Adoro as paisagens, mas, acima de tudo, adoro o estilo de jogo.
O que é diferente no estilo de jogo do Brasil?
Ah, tem muita posse de bola, muito “jogo bonito”. Claro, é físico, é rápido. Mas acima de tudo tem muitas ideias.

E quando o Atlético fez o convite para vir ao Brasil, o que você pensou primeiro? Qual foi a reação da sua família, dos seus amigos?
Primeiro, a notícia me surpreendeu muito. Tenho uma amiga que está aqui, a Isadora. Ela esteve comigo no México e me explicou sobre a estrutura do futebol brasileiro. E quando me falaram dessa oportunidade, fiquei surpresa e disse: “nossa, é uma grande mudança, uma cultura diferente, um idioma diferente”. Mas também pensei: “é uma mudança que sinto que vai me fazer evoluir muito como pessoa e, principalmente, como jogadora de futebol”. E fiquei muito animada.
Minha família está muito feliz por mim. Claro, também triste porque moram tão longe, no México. Mas estou muito feliz por ter novos desafios. Porque acredito que é disso que se trata a vida: mudança constante para continuar crescendo e evoluindo.
Futebol mexicano
E como foi sua trajetória profissional no futebol mexicano até chegar ao atual momento?

Comecei no Rayadas (Monterrey), um time que hoje é muito grande no futebol mexicano feminino e também no masculino. Começamos muito jovens, de certa forma, sem experiência profissional. Acho que crescer com eles também foi algo maravilhoso; nos moldou.
Depois disso fui para o Xolos (Tijuana), mas infelizmente sofri uma lesão, uma ruptura de ligamento. Lá não joguei muito, mas o León me reinventou. Acho que foi um clube que me acolheu e me apoiou para que eu me tornasse uma versão diferente de mim mesmo. Evoluí muito com eles.

Você nasceu em Tijuana, certo? Conhece a história do Atlético-MG contra o Tijuana na Libertadores masculina de 2013 (o goleiro Victor fez a histórica defesa de pênalti aos 48 minutos do segundo tempo e o Galo se classificou para as semifinais)? As pessoas conversam com você sobre o jogo?
Claro que sim! Quando cheguei aqui, me perguntaram sobre aquele time, sobre os Xolos. Em Tijuana aqueles jogos foram revolucionários porque é um time que também está crescendo. Está tentando investir mais no futebol, e esse tipo de torneio os projetou um pouco, os tornou conhecidos também.

Chegada a Minas Gerais
E agora, ao chegar aqui no Brasil, o que você sabe sobre a cultura local? Nós, mineiros, somos muito famosos pela nossa comida.
Pelo pão de queijo! Sim, é muito gostoso, muito gostoso mesmo.

Também acho que por causa do clima exótico, é muito quente, mas é lindo e muito verde. Adoro que tudo seja verde, que haja tanta natureza. E a comida é deliciosa. Muito, muito deliciosa mesmo.
Aqui no elenco do Atlético, agora são quatro jogadoras estrangeiras, certo? Além de você tem a goleira paraguaia Ortiz, a meio-campista colombiana Carol Arbelaez e a atacante paraguaia Cindy Ramos. Como é o relacionamento entre vocês?
Ah, é muito bom. No geral, todas as minhas companheiras de equipe têm sido muito boas comigo. Especialmente as estrangeiras, porque foi uma mudança diferente para elas também. A Carol, que é da Colômbia, me ajudou muito. Ela me disse: “Me avise do que precisar, estamos aqui”. Claro, minha comunicação com elas é um pouco mais fluida. Então, me sinto um pouco mais apoiada por elas.
No entanto, minhas outras colegas têm sido pessoas verdadeiramente maravilhosas. Elas se esforçam para me entender, tentam falar comigo de uma forma que eu possa compreender. Eu me sinto em casa.
“Trem bão”
Quando chegou aqui você postou uma gíria mineira, em português.
“Trem bão”! Sim, eu fui a um café com esse nome e perguntei aos meus amigos o que significava, e a Isadora explicou que é tipo “muito bom”, ou “super legal”. Ou que algo é incrível ou maravilhoso!
