O Campo Delas, do iG, realizou uma entrevista exclusiva com Jorge Victor, técnico do América-MG Feminino. A equipe mineira se mantém na Série A 1 do Campeonato Brasileiro desde 2024 e este é o objetivo para a atual temporada.
Contudo, por problemas financeiros do clube, o elenco perdeu muitas peças importantes. E o treinador, de apenas 31 anos, fez uma cobrança por reforços, publicada neste domingo (7,) na primeira parte da entrevista.
Bacharel em Educação Física pela Universidade Federal de Minas Gerais, Jorge Victor começou a carreira como auxiliar técnico no próprio América-MG, em 2018. Nos dois anos seguintes trabalhou no Cruzeiro Feminino, sendo que em 2020 passou a comandar o time principal das Cabulosas.
Em 2021, ele dirigiu o Ceará Feminino, até voltar às Spartanas em setembro de 2022. Portanto, faz o trabalho mais longevo entre técnicos de clubes da primeira divisão do Futebol Feminino do país.

Segredo para tanto tempo no cargo
Você, que está há bastante tempo no cargo, como vê a confiança da diretoria? Essa permanência longa de um treinador não é comum no futebol.
Quanto à confiança da diretoria, eu vejo sempre como uma via de mão dupla. Eu vejo que é uma relação sobre, primeiro, o processo diário entregue por mim e pela comissão técnica, assim como aquilo que a diretoria entrega.
Então, nessa via de mão dupla, diante daquilo que a diretoria me dá como disposição para trabalhar, eu vou responder a isso com o desempenho. Com o trabalho do dia-a-dia, com os resultados. E acho que assim a confiança vai crescendo. Claro, houve momentos em que nós tivemos problemas internos. E houve discussões sobre o caminho, a continuação ou não, e percebemos que valeria a pena a continuidade para os dois lados da história.
O grande ponto nosso é que a gente precisa continuar confiando uns nos outros. Porque assim a gente tem mais chances de fazer essa relação dar certo por mais tempo e principalmente gerando resultado para a equipe.
Até por estar há tanto tempo, o que o ano de 2026 tem de diferente, em relação às Spartanas, em comparação com outras temporadas?
Eu creio que a principal diferença da relação deste ano de 2026 para os anos anteriores é sobre como nós estamos diante dos outros. Alguns pontos nossos se mantêm, outros estão diferentes.
Eu acho que a nossa visão sobre como nós estamos, comparados aos nossos adversários, é um ponto importante do ponto de vista do que a gente busca na competição. Quanto a nós mesmos, a gente tem clareza de quem nós somos e que nós esperamos. Mas muda o aspecto de como a gente se vê diante dos adversários. Principalmente nessa perspectiva que o Futebol Feminino tem criado. Este ano nós temos pelo menos umas 4 ou 5 equipes noticiando investimentos acima de 16 a 17 milhões (de reais) no departamento de Futebol Feminino.
Algo que era quase inimaginável quando eu tive a primeira oportunidade aqui no América, em 2018. Então, o desenvolvimento tem sido muito rápido. O investimento tem aumentado de maneira muito rápida. E nós caminhamos de uma outra maneira. Principalmente porque nós temos o objetivo de nos tornarmos 100% autossustentáveis. Então essa é uma diferença.

Nova geração de técnicos
Chama a atenção o fato de você ser muito jovem, mas estar no Futebol Feminino há muito tempo. Por que, na sua opinião, essa nova geração de treinadores, na modalidade, estão cada vez ganhando mais espaço?
Sobre a nova geração de treinadores, sobre espaço, eu confesso que me levo a alguns raciocínios que têm mais a ver com imagem, com resultados e com qualidade de trabalho. Porque eu vejo que nós temos treinadores que estão há mais tempo no cenário do que eu e são vitoriosos. São muito bons treinadores, são muito bons profissionais. Alguns até mudaram de cargo ao longo do tempo. Assim como eu vejo profissionais que chegaram até um pouco depois de mim e alcançaram feitos muito bons, pelo nível que conseguiram entregar, em tão pouco tempo.
Então, vejo mais sobre a qualidade do trabalho, da entrega e principalmente a imagem que nossos treinadores conseguem colocar. Para o público em geral, para as diretorias, do que simplesmente uma análise relacionada ao tempo. Então temos novos, temos velhos, temos experientes…
Acho muito bom o trabalho que a Jéssica fazia na Ferroviária. Uma treinadora que me chamou muita atenção. A Emily, que agora voltou de experiências em seleções e treina o Corinthians. Lembro muito do time dela do Santos de 2018, era um time formidável de se ver jogar…
E gosto de ter visto treinadores até iniciando caminhada com bons resultados. Então, tem o Saulo, no Fluminense, que está iniciando um Campeonato bem. Tem o Brandalise no Juventude, que há anos já entrega resultados. Então. novos, velhos, experientes… Têm todos os níveis.
Deus e família em primeiro lugar

E qual seu sonho na carreira?
O meu maior sonho hoje é conseguir ter uma carreira que não atrapalhe a minha vida pessoal. Porque como um profissional do nível que nós temos que ser, nós vamos nos dedicar muito. Mas, a minha carreira é o segundo ponto da minha vida. Meu primeiro ponto tem a ver com a minha relação com Deus e a minha relação com a minha família.
Então, sonho em continuar tendo uma carreira em que eu consiga viver bem a minha vida na minha casa. Com meus filhos, com minha esposa, e também trabalhando. Que em nenhum momento eu passe a carreira na frente da minha família, porque isso iria se tornar um grande problema para mim.
