A reestreia do Atlético-MG na Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino foi em grande estilo, à altura do clube. As Vingadoras jogaram no estádio próprio, com presença da torcida, transmissão ao vivo para TV e diante de um grande adversário: o Corinthians, que ganhou o duelo por 1 a 0.
Porém, mais importante do que o placar, foi ver que o Galo conseguiu dar a volta por cima. Afinal, o time foi rebaixado em 2024 com a pior campanha da história da competição: apenas um ponto em 15 rodadas.
Reestruturação

Atual Gerente de Futebol Feminino do Atlético-MG, Ricardo Guedes chegou ao clube justamente em 2024, no decorrer do Brasileirão, quando o rebaixamento já era questão de tempo. Desde então, muita coisa mudou dentro do Galo.
“Apenas cinco atletas permaneceram de 2024 para 25. A comissão técnica também foi praticamente toda alterada. O staff era de 10 profissionais em 2024. Hoje, somos 18, com 3 convocações para atender a Seleção Brasileira, já em 2026. Então, é uma evolução muito grande. E obviamente temos que valorizar os profissionais que compraram essa ideia de reconstrução e que se dedicam a cada dia para que a gente possa evoluir o futebol das Vingadoras”, disse o dirigente, em entrevista ao programa ‘Noite de Galo’, no Youtube.
Já no ano seguinte, o projeto de reconstrução da equipe feminina gerou bons frutos. O time chegou até a semifinal da Série A2 do Campeonato Brasileiro e obteve o passaporte para retornar à elite do Futebol Feminino brasileiro.
“Conseguimos o acesso, extremamente importante. O Galo não pode estar na A2 do Feminino. A gente precisa estar na A1, que é o nosso lugar. Foi muito bem planejado, trabalhado, com o staff fantástico, uma comissão técnica que valoriza onde o Galo está e onde quer estar nos próximos anos”.
Treinadora mantida e elenco renovado

Por falar em comissão técnica, Fabi Guedes foi contratada em maio de 2025 e continua recebendo elogios do chefe. Ex-atleta, formada em Educação Física e pós-graduada em futebol com Licença Pro da CBF, ela tem vasta experiência no Futebol Feminino.
“A Fabi é fantástica. Foi um “achado”, no momento de necessidade. Uma atleta campeã de Libertadores e que nos entrega a cada dia muito, se dedica demais. Uma pessoa fantástica, merece tudo de bom sempre“, comentou Ricardo.
Em 2026, a diretoria e a comissão técnica trabalharam juntas para reformular o elenco. No total, dez atletas foram contratadas.
“Trabalhamos muito, desde meados de 2025, para formar um elenco bem competitivo, sem grandes estrelas. Mas, muito trabalhador. E a gente conseguiu criar um ambiente muito tranquilo, o que é importante no futebol. Estamos muito motivados para que a gente possa surpreender. É a palavra que a gente tem usado, a cada dia, no Galo, para fazer um ano de superação”, revelou o dirigente.
Base e sustentabilidade
Outro passo que o Atlético Feminino está dando para aumentar receitas, no futuro, é retomar a categoria de base. Recentemente, o clube organizou uma seletiva para atrair jovens atletas.
“Foram mais de 250 inscrições, de atletas de 15 a 19 anos. Realizamos a primeira seletiva, com aproximadamente 70 atletas e vamos seguir com a segunda etapa desse processo. E, com certeza, vamos ter uma equipe competitiva. Óbvio, no início vamos sofrer um pouco mais, mas com certeza que a gente pode reconstruir um processo sólido também para a base do Feminino”.
O Galo inclusive vai disputar o Brasileirão Feminino Sub-20. Estreia já no dia 08 de março, contra o Palmeiras.
“Nós não tínhamos a vaga no Campeonato, por não termos disputado no ano passado. E através de uma desistência, a gente recebeu o convite, muito em cima da hora, mas resolvemos abraçar para um projeto contínuo. Nós teremos também Copinha no final do ano”.
Assim, a implementação da base faz parte de um projeto de sustentabilidade, que o clube está buscando para se manter sadio financeiramente, segundo o gerente das Vingadoras.
“Eu entendo que encontrar esse equilíbrio é o caminho para o Futebol Feminino, que ainda é oneroso aos clubes. Nós tivemos um ano de 2025 com um aumento de vendas de atletas, isso é muito importante. E a base vai ser fundamental nesse processo. Nós tivemos, neste ano, um apoio maior da CBF em relação à cota, dobrou de 2025 para 26. Mas, ainda muito aquém da necessidade dos clubes, para esse investimento. É um caminho de buscar maior público, mais investimento, patrocinadores, vendas para que o Futebol Feminino se torne sustentável”, destacou Ricardo Guedes.
