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Home » Últimas notícias » Profissionalização da arbitragem exclui Brasileirão Feminino
Brasileirão Feminino

Profissionalização da arbitragem exclui Brasileirão Feminino

Investimento de R$ 195 milhões vale apenas para a Série A masculina em 2026; mulheres são minoria no quadro selecionado

Aline Campanhã
6 meses atrás
4 Min de Leitura
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Presidente da CBF, Samir Xaud: novo rumo na arbitragem brasileira. Foto: Rafael Góes / CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou esta semana um investimento de R$195 milhões para implementar a profissionalização da arbitragem nacional. A medida, considerada histórica, passa a valer já na edição de 2026 do Campeonato Brasileiro. O problema é que o novo modelo foi desenhado exclusivamente para a Série A masculina, deixando o Brasileirão Feminino fora da principal política estrutural anunciada pela entidade para o setor.

Ao todo, 72 profissionais foram inseridos no programa, que prevê salários mensais, taxas variáveis, bônus por performance, avaliações constantes, ranking por rodada e planos individuais de treinamento. A proposta é que os árbitros passem a se dedicar prioritariamente à função, com acompanhamento técnico, físico e tecnológico ao longo da temporada. Ainda assim, não há qualquer menção à inclusão do futebol feminino na fase inicial do projeto.

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E o Brasileirão Feminino?

A exclusão chama atenção porque o Brasileirão Feminino vive um dos momentos mais consistentes de sua história. Nos últimos anos, a competição ampliou visibilidade, passou a contar com maior cobertura midiática, atraiu novos patrocinadores e elevou o nível técnico das partidas. Mesmo assim, a principal iniciativa da CBF para qualificar a arbitragem no país não contempla, ao menos por enquanto, o campeonato feminino.

Na prática, a profissionalização deve impactar diretamente apenas os jogos da Série A masculina. Enquanto o futebol feminino seguirá operando sob o modelo tradicional de escalas e remuneração por partida. A ausência de um cronograma ou de qualquer sinalização sobre quando, ou se, o Brasileirão Feminino será incluído reforça a diferença de tratamento estrutural entre as duas competições.

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Arbitragem feminina no futebol masculino

Edina é a única representante feminina entre os 20 árbitros principais. Foto: reprodução/Instagram

Apesar de o projeto não envolver o futebol feminino, há mulheres entre os 72 profissionais selecionados pela CBF. Ao todo, 11 são mulheres, o que representa cerca de 15% do quadro. Entre os 20 árbitros centrais, apenas Edina Alves Batista aparece como representante feminina. Já entre os 40 assistentes, nove são mulheres: Anne Kesy, Brígida Cirilo, Daniela Coutinho, Fernanda Kruger, Fernanda Nandrea, Gizeli Casaril, Leila Naiara, Maira Mastella e Neuza Back. No VAR, apenas Daiane Muniz integra a lista.

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Os números mostram que as mulheres já ocupam espaço na arbitragem nacional, mas ainda em proporção reduzida. Especialmente nas funções de maior protagonismo, como a de árbitra central e de vídeo. O dado também evidencia um paradoxo: há árbitras capacitadas e reconhecidas, muitas delas com atuação frequente no futebol feminino, mas o próprio campeonato onde essas profissionais se desenvolvem segue fora do principal projeto de valorização da arbitragem no país.

O discurso da CBF é de que a profissionalização representa uma “mudança estrutural profunda e necessária” no futebol brasileiro. No entanto, ao restringir o programa apenas à Série A masculina, a entidade reforça uma lógica histórica em que o futebol feminino avança em campo, mas segue atrás quando o assunto é política esportiva, investimento e organização institucional.

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Aline Campanhã
PorAline Campanhã
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Jornalista formada pela UNESP e apaixonada por futebol. No iG, conto histórias que vão além dos 90 minutos: bastidores, personagens, curiosidades e tendências do universo esportivo. Com passagens por rádios, portais e agências, atuando como repórter, social media e assessora de imprensa. E-mail: [email protected]
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