As torcidas organizadas do Cruzeiro Feminino divulgaram uma nota de protesto contra a mudança dos mandos das Cabulosas para a Arena do Jacaré, no município de Sete Lagoas. Nas últimas temporadas, os jogos foram realizados no Gregorão, na cidade de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. A nota é assinada pelo Comando Rasta, Resistência Azul Popular e o Movimento Revolucionário Azul.
Leia também: Bragantino tem sequência dura no início do Brasileirão
Os torcedores pontuaram diversos motivos para que o clube mude de ideia em relação à troca de estádio para a temporada 2026. Entre os apontamentos estão a distância de Belo Horizonte, pensando no tempo e também custo da viagem, identificação com Gregorão e também a facilidade de liberação de materiais das torcidas.
“Para se ter uma ideia, do centro de BH, são 17 km até o Gregorão, 23 km até o Castor Cifuentes e 72 km até a Arena do Jacaré. O Gregorão, apesar de suas limitações, mostrou-se um verdadeiro caldeirão a favor das Cabulosas”, diz um trecho da nota. “O excelente retrospecto do time no estádio confirma o sucesso da sintonia entre time e torcida. Para os grandes jogos, o Independência também se mostrou uma opção viável”, alegam os torcedores.
Na temporada de 2025, o clube registrou recorde de torcedores. No jogo de ida da final do Brasileirão, contra o Corinthians, as Cabulosas contaram com 19.165 apoiadores dentro do estádio – o maior número de torcedores até o momento na história de clubes mineiros da modalidade. Na semifinal, contra o Palmeiras, o Cruzeiro também havia batido recorde. Na ocasião, foram 13.533 torcedores.

Posicionamento do clube
O Campo Delas, do iG, entrou em contato com o Cruzeiro para um posicionamento referente às reclamações dos torcedores. De acordo com o clube, a opinião do clube foi pontuado e esclarecido em entrevista da nova gerente de Futebol Feminino, Luiza Parreiras, na última terça-feira (2), na Toca da Raposa I.
“O Gregorão eu, particularmente, gosto muito. Acho que atende tecnicamente. Mas tem uma peculiaridade que é a questão da estrutura em jogos transmitidos e em jogos noturnos, porque não tem iluminação. A Arena do Jacaré foi uma boa escolha pela qualidade, por ser uma cidade que a gente tem um apelo muito grande. A torcida ali vai nos apoiar e estar presente nos jogos. O Cruzeiro tem feito visitas lá para poder trabalhar em melhorias do campo e estruturas do vestiário”, explicou, em coletiva de imprensa, a nova gestora.
Além disso, o clube ressaltou que, de acordo com a CBF, todos os estádios, em todas as fases, devem ter sistema de iluminação e transmissão, com laudos técnicos. Caso contrário, a partida deve ocorrer de portões fechados.
Confira, na íntegra, a nota das torcidas do Cruzeiro Feminino
Na última temporada a torcida cruzeirense deu um show de apoio à equipe feminina, com uma média de público superior a 4 mil presentes no Campeonato Brasileiro e a quebra do recorde estadual de público na modalidade. Apesar das dificuldades de acesso, principalmente por meio de transporte público, a relativa proximidade do Gregorão e do Castor Cifuentes à Belo Horizonte foi fundamental para permitir uma boa presença da torcida na primeira fase da competição nacional e também no Campeonato Mineiro.
Nesse contexto, o surpreendente anúncio de que a equipe feminina mandará seus jogos da atual temporada na Arena do Jacaré pode ser considerado um retrocesso para a cultura de arquibancada e para o crescimento da modalidade. A distância e os custos de deslocamento certamente impedirão que a maior parte dos torcedores que acompanham fielmente o time mantenham a assiduidade, embora também reconheçamos a importância do clube valorizar a imensa torcida cruzeirense no interior. Para se ter uma ideia, do centro de BH, são 17 km até o Gregorão, 23 km até o Castor Cifuentes e 72 km até a Arena do Jacaré.
O Gregorão, apesar de suas limitações, mostrou-se um verdadeiro caldeirão a favor das Cabulosas. O estádio vinha recebendo públicos cada vez maiores e propiciava uma ótima atmosfera, com a sua arquibancada sem cadeiras próxima ao campo e a liberação menos burocrática de materiais festivos. O excelente retrospecto do time no estádio confirma o sucesso da sintonia entre time e torcida. Para os grandes jogos, o Independência também se mostrou uma opção viável.
Levando em conta a relevância da proximidade entre time e torcida, é importante que a direção do Cruzeiro ouça as torcidas organizadas e coletivos sempre presentes nas partidas, reconsidere a sua decisão, e mande seus jogos em estádios mais acessíveis à maioria do público. O favorecimento à presença do torcedor de arquibancada deve sempre prevalecer sobre os interesses da TV!
No médio/longo prazo, seria um grande avanço que o clube consiga viabilizar a adequação das estruturas da Toca I às exigências das competições nacionais, podendo assim mandar os jogos com menor expectativa de público em sua própria casa.


