A bilionária Michele Kang, proprietária de três times de Futebol Feminino, entre eles o London City, participou da cerimônia de apresentação da meio-campo Alexia Putellas. A chegada da jogadora duas vezes Bola de Ouro ao clube inglês foi um das notícias mais esperadas da modalidade nos últimos dias. Além de celebrar a contratação da ex-atleta do Barcelona, Kang falou dos desafios de comandar equipes femininos, entre eles as lesões de LCA.
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A empresária sul-coreana, que também comanda o Washington Spirit (EUA) e OL Lyon (França), convenceu a “La Reina” a mudar de equipe. Alexia Putellas defendeu o Barcelona por 14 anos e conquistou 38 títulos. O London City é estreante na liga inglesa, mas com uma dirigente com um projeto ambicioso para reestruturar o Futebol Feminino.
Além da emoção de ter Alexia Putellas na equipe, Kang direcionou o discurso para a necessidade urgente de profissionalizar a infraestrutura do esporte.
“É tão surreal que ela esteja aqui, é o meu sonho se tornando realidade. Eu venho do mundo dos negócios e considero que o futebol feminino também é um produto a construir. Sabe quando você tem um restaurante três estrelas Michelin, você pode ter o Gordon Ramsay ou Daniel Boulud, porque eles podem cozinhar um prato fabuloso. Porém, se você não tiver uma cozinha profissional, um processo ou controle de qualidade, nada disso vai durar muito tempo. Se nós temos uma grande jogadora como a Alexia, podemos ganhar uma temporada, mas se não tivermos um time de qualidade, não poderemos competir ano após ano”, analisou Kang.

LCA e o cuidado com as jogadoras
Um dos pontos abordados por Michele Kang durante a apresentação de Alexia Putellas, foram as lesões da ruptura do ligamento cruzado anterior, o temido LCA.
A mandatária revelou o choque ao assumir o Lyon e perceber que o alto índice de contusões graves, como o LCA, era considerado normal. Para a proprietária, esses casos escancaram a negligência médica e histórica em relação aos corpos femininos no esporte.
“Isso (os casos de LCA) foi uma das coisas que descobri quando entrei nesse meio. As principais jogadoras, sete ou oito atletas tinham sofrido lesão de LCA nos dois anos anteriores, e ninguém estava em pânico. Eles falavam como se isso fosse uma espécie de fato consumado. E eu fiquei pensando, como é que as principais jogadoras sofrem de LCA e as pessoas não acham que isso é uma crise?”, relembrou Kang.
A bilionária acredita que a raiz do problema é que as mulheres treinam sob metodologias desenvolvidas exclusivamente por homens.
“Nós estávamos treinando e cuidando das nossas jogadoras como se fossem homens de estatura menor. E, em parte, é porque as pessoas não se importavam, elas não sabiam muito mais do que isso. Então isso significava que precisaria haver mais pesquisas, pois 94% de toda a pesquisa científica e médica, especialmente sobre atletas, é dedicada aos homens. Não se sabe muito sobre o corpo das mulheres. Então, como você pode construir um negócio e esperar que os torcedores venham e aproveitem um jogo competitivo se as jogadoras estão constantemente se lesionando? Nós não sabíamos como treinar e cuidar das nossas jogadoras”, relatou.
Projeto desenvolvido para especialmente para as mulheres
Michele Kang explicou que buscou referências na Premier League para tentar resolver as deficiências. No entanto, ao tentar replicar os centros de treinamentos masculinos ela descobriu que as necessidades físicas das mulheres exigem instalações específicas.
Um arquiteto da liga inglesa fez o alerta à Kang. A equipe do profissional estudou a rotina das jogadoras e explicou que os projetos para as mulheres precisariam começar do zero.
“Fiquei com vergonha. Eles disseram que não poderiam copiar o centro de treinamento porque havia uns 100 elementos que são diferentes entre os centros de homens e mulheres. Portanto, precisamos realmente mudar e adotar a forma como as jogadoras precisam ser treinadas, como elas se movimentam a cada ano. Não podemos simplesmente copiar e transformar o melhor da Premier League, isso leva tempo e exige pesquisa, precisa ser intencional”, concluiu.
