Um grupo de jogadoras acusa um ex-treinador das categorias de base da Seleção Argentina de assédio sexual e outros crimes. A denúncia é de 2021, mas as atletas tornaram o caso público no começo de abril após o Comitê de Ética da FIFA não seguir com o processo. O jornal argentino La Nación fez as primeiras publicações com as declarações das supostas vítimas.
As denúncias
O Campo Delas teve acesso ao processo enviado à FIFA com as denúncias das jogadoras, que eram menores de idade na época. No documento, consta que o técnico Diego Guacci foi acusado de assédio sexual, violência psicológica, retaliação, agressão verbal, ameaças, homofobia e também discriminação devido à aparência física.
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Os casos teriam acontecido entre 2012 e 2017, quando Guacci atuava na Associação de Futebol Argentina (AFA) e em clubes como River Plate e UAI Urquiza. Mesmo após não prosseguir com a denúncia, a FIFA apontou possíveis violações ao código disciplinar e de ética. O documento do órgão máximo do futebol ressalta ainda que, mesmo com a decisão, não é possível afirmar que os episódios denunciados não tenham ocorrido.
As atletas tiveram apoio do FIFPro, que é o sindicato dos jogadores profissionais de futebol, mas o processo não seguiu adiante porque, de acordo com a FIFA, não houve provas suficientes que incriminassem o técnico argentino. Segundo o relato das jogadoras no documento, Guacci empregava violência psicológica e atos hostis com a intenção de isolar e ferir a dignidade das atletas enquanto comandava o time de base da Argentina.
A versão do técnico sobre as denúncias
Depois de publicar a matéria sobre as denúncias, o jornal La Nación reproduziu, dias depois, trechos de uma nota do técnico. De acordo as declarações de Diego Guacci ao periódico argentino, há um processo em andamento e, por isso, o ex-comandante das categorias de base não havia se pronunciado até o momento.
“O único objetivo com esta declaração é que a verdade completa e comprovada venha à tona e seja tornada pública, para que a Justiça possa prosseguir sem pressão da mídia ou interpretações maliciosas que desinformem a sociedade e perpetuem o dano”, disse Guacci ao La Nación.
O técnico argentino disse que é a verdade comprovada e documentada precisa ser conhecida.
“As informações que circulam hoje são incompletas e omitem elementos fundamentais como as mais de 100 testemunhas e mais de 80 páginas de provas documentais fornecidas por mim. Esses dados são essenciais para entender a verdadeira dimensão do caso, em contraposição a narrativas falsas”, alegou o técnico em outro trecho.
Guacci completou dizendo que nunca recuperou o nome após as denúncias das atletas.
“Foi uma decisão difícil esperar que a Justiça seguisse seu curso, porque o dano é irreparável. Nunca recuperei meu nome e minha honra. E mesmo que os tribunais tenham se pronunciado, eles se recusam obstinadamente a reconhecê-la”, finalizou o comunicado.
Quem é Diego Guacci
O treinador argentino de 45 anos iniciou sua trajetória como jogador. Atuou nas categorias de base do Defensores de Belgrano e teve passagens pelo futebol italiano no Solofra Fútbol Club.
Diego Guacci trabalhou no River Plate e no UAI Urquiza, além de atuar como técnico das seleções femininas Sub-15 e Sub-17. O argentino também foi coordenador de desenvolvimento do Futebol Feminino da AFA. Guacci ainda trabalhou como instrutor de programas da FIFA e Conmebol.

