A atacante Jéssica Silva, um dos destaques da Seleção de Portugal e do Al-Hilal, relatou os desafios de morar na Arábia Saudita em meio à guerra e também contou como um problema de saúde quase interrompeu a carreira. As declarações foram feitas para o jornal lusitano Mais Futebol.
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A proximidade com a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã fez com que a jogadora passasse alguns momentos de tensão na cidade de Riade, capital da Arábia Saudita. Silva, que nas duas últimas temporadas defendeu o Gotham FC, dos Estados Unidos, relatou a tensão vivida ao ver mísseis passando perto da casa em que reside.
A jogadora estava pronta para sair de casa e ir a um treinamento do time árabe quando foi surpreendida pelos mísseis.
“Uma coisa é ver notícias que falam sobre drones e mísseis interceptados, pois não vemos pessoalmente e nem ouvimos. Outra coisa é quando se preparando para ir treinar e de repente olho para cima e vejo um míssil passar, escutar a explosão. Comecei a chorar dentro do banheiro”, contou em entrevista ao jornal português.
Ela conta que o compromisso foi adiado pelo clube em razão dos bombardeiros que cruzaram o céu da Árabia no início do mês de abril.
“O treinador chegou a perguntar quem estava apta à ir a treino, íamos jogar contra os homens. Foi bem desconfortável para mim, pois eu não queria ser uma das jogadoras que não estavam capazes de treinar. Não disse nada, mas eles tomaram a decisão de não realizar o treino”, disse.
“Ver mísseis passando, como acontece em Israel, para mim é inimaginável viver em um país onde não me sinta segura. Não tivemos aviso de ninguém, mas estou sempre atenta às notícias”, completou.

Lesão ocular durante treino
Jéssica também enfrentou outro grande desafio, porém, relacionado à saúde. Há cerca de um ano, durante um treinamento, ela sofreu um acidente aparentemente leve, mas que provocou uma grave lesão no olho.
“Senti o meu chão tremer mais uma vez, já que meses antes tinha operado um mioma de urgência. Então, de repente, ficar sem ver de um olho. Os médicos apresentaram o pior cenário, e isso me assustou. Ninguém soube me informar quando eu ia voltar a enxergar, sem previsão de um ou dois meses”, contou ao jornal português.
A atacante ficou cerca de duas semanas sem conseguir enxergar e precisou ficar afastada dos gramados por um mês até que a situação fosse normalizada. Os médicos constaram uma hemorragia ocular, mas sem afetar retina. Mas nem as manchetes sensacionalistas dos jornais estadunidenses não afetaram a confiança da atleta em seguir em frente.
“Tiveram notícias má escritas, agressivas, com títulos sensacionalistas que não tornaram minha fase fácil. Eu não ficava vendo as TVs, mas eu nunca pensei em desistir”, finalizou.
