A Ferroviária chega à temporada 2026 com um dado que impressiona e inspira: 48% do elenco profissional feminino foi formado dentro do próprio clube. Das categorias de base ao time principal, o caminho das chamadas “Filhas da Aldeia” mostra que investir em formação é mais do que estratégia esportiva: é projeto de futuro.
O centro dessa história é o Parque Pinheirinho, em Araraquara, conhecido como “Aldeia das Guerreiras”, nome que simboliza o projeto mais longevo do Futebol Feminino brasileiro. Criado em 2001, o programa nunca foi interrompido, nem nos anos em que a modalidade era praticamente ignorada no país.
“Aqui o futebol feminino não é obrigação. É escolha”, é a frase repetida com orgulho por quem comanda o projeto.
Enquanto muitos clubes só passaram a investir na modalidade por exigência da FIFA, a Ferroviária seguiu o caminho inverso: fez da base o coração da equipe. O resultado aparece dentro de campo e também fora dele.
Da base ao topo: títulos e revelações
Desde as primeiras equipes, as Guerreiras Grenás acumulam conquistas importantes:
2 Libertadores Femininas
2 Brasileirões
1 Copa do Brasil
4 Campeonatos Paulistas
Mas o maior legado está na formação de jogadoras que hoje brilham no Brasil e no exterior, como Bia Zaneratto, Aline Gomes e Natália Vendito.
Nas categorias de base, a hegemonia também impressiona: são quatro títulos da CONMEBOL Fiesta Evolución, além de conquistas estaduais em todas as categorias organizadas pela Federação Paulista. A Ferroviária é o único clube da América do Sul a ter títulos continentais na base e no profissional.
As “Filhas da Aldeia” no time principal
Hoje, o elenco profissional conta com diversas atletas que passaram por todo o processo formativo do clube. Entre elas estão: Nicoly (capitã), Luana, Vendito, Rhaissa, Fernanda, Ana Luiza, Dos Santos, Dudinha, Fogaça, Grazy, Isa Faichel, Kedima, Monique e Pyetra.
Muitas dessas jogadoras também se destacam nas Seleções de base do Brasil, com títulos sul-americanos e prêmios individuais, como é o caso de Vendito, eleita Bola de Prata no Mundial Sub-20.
Meta é ir além: 70% do elenco formado em casa
Para a diretora do projeto, Nuty Silveira, o caminho para competir com clubes de maior poder financeiro passa por planejamento e investimento contínuo na base.
“A única forma de sobreviver de maneira competitiva é planejar o futuro com racionalidade e investir na formação”, afirma.
Se em dezembro, a meta era ter, ao menos, 30% do elenco formado nas Guerreirinhas Grenás. A objetivo, agora, é ainda mais ambicioso: chegar a 70% do elenco profissional formado dentro da Aldeia das Guerreiras, sem abrir mão da disputa por títulos.
Um CT exclusivo para o futebol feminino
Esse trabalho de mais de duas décadas agora ganha um reforço histórico. A construção de um Centro de Treinamento exclusivo para o futebol feminino, fruto de parceria entre Petrobras, Fundesport e Ferroviária. O investimento já soma R$ 34,5 milhões.
O espaço terá: seis campos (incluindo um miniestádio e um de grama sintética), hotel para 82 meninas em formação, centro médico, fisioterapia e academia, restaurante e cozinha. Além de estrutura pedagógica, psicológica e social e ginásio para futsal integrado à formação
A ideia é transformar a Aldeia das Guerreiras em um dos centros mais modernos do mundo na formação de mulheres para o futebol.
