A bola rolou pontualmente às 20h30 para uma partida carregada de simbolismo. De um lado, o São Paulo de Thiago Viana, completando seu 114º jogo no comando e que promoveu estreias de peso: as estrangeiras Vanina e Maricel, além da experiente zagueira Tayla, que assumiu logo de cara a braçadeira de capitã.
O São Paulo começou sua caminhada no Brasileirão Feminino 2026 com o pé direito, mas não sem antes testar o coração do seu torcedor. Após sair atrás no placar e sofrer com a pressão do Internacional no primeiro tempo, o Tricolor contou com o brilho de suas estreantes e o faro de gol de sua principal artilheira para garantir os três pontos com uma vitória por 2 a 1 no Estádio SESC Protásio Alves.
Darlene dita o ritmo e aplica a “Lei da Ex”
O jogo começou truncado, mas não demorou para a rede balançar. Após um início brigado, o Internacional mostrou que a reformulação surtiu efeito. Aos 8 minutos, a atacante Darlene fez valer a famosa “Lei da Ex”: após assistência de Sole Jaimes, ela finalizou com uma cavadinha sutil, encobrindo Carlinha e abrindo o placar para as Gurias Coloradas.
O gol abateu o Tricolor. Até os 14 minutos, o São Paulo parecia perdido em campo, errando passes simples e permitindo que o Inter mandasse nas ações. A frustração ficou clara quando a artilheira Crivelari cobrou o time, pedindo que a bola fosse conduzida com mais critério, já que o ataque estava isolado.

Posse de bola inofensiva e polêmicas de arbitragem
Estatisticamente, as Soberanas dominavam (chegando a ter 60% de posse aos 29 minutos), mas o futebol é decidido na rede. Enquanto o São Paulo trocava passes laterais sem levar perigo, o Inter era letal nos contra-ataques. A disparidade era clara: 6 finalizações coloradas contra apenas 1 tricolor durante a maior parte da etapa inicial.
A arbitragem de Charly Wendy Straub Deretti também se tornou protagonista. Aos 44 minutos, Aline Milene aplicou um chapéu desconcertante e criou uma chance clara, mas o lance foi anulado por um impedimento milimétrico e muito contestado, dada a ausência de VAR nesta fase da competição.
O “Gol de Alívio” nos acréscimos
Quando tudo parecia caminhar para um intervalo amargo, a bola parada salvou o Tricolor. Aos 48 minutos, após cobrança de escanteio, Serrana aproveitou a sobra. A bola ainda carimbou o travessão antes de entrar, sem que ninguém da defesa gaúcha conseguisse reagir. Um empate cirúrgico para um São Paulo que sofria para encontrar soluções.
O brilho de Thiago Viana
Insatisfeito com a produção ofensiva, o técnico Thiago Viana promoveu mudanças cruciais no intervalo, enviando Clara e a estreante Gadú a campo. A resposta foi instantânea. No primeiro minuto da etapa final, Gadú, que mal havia tocado na bola fez uma jogada individual primorosa e serviu Gi Crivelari. A camisa 9 não perdoou: balançou as redes para decretar a virada e anotar seu 21º gol em 65 jogos com o manto tricolor.
Defesa de aço e o brilho das estreantes
Diferente da primeira etapa, o São Paulo voltou com o sistema defensivo “encaixado”. Com a liderança da capitã Tayla, o time neutralizou as investidas de Darlene e Sole Jaimes, deixando o Internacional visivelmente sem alternativas. Enquanto as Gurias tentavam trocar passes sem sucesso, as Soberanas levavam perigo em transições rápidas orquestradas por Gadú, que sofreu até um empurrão que rendeu o primeiro amarelo do jogo aos 35 minutos.
O jogo também marcou o “batismo” de várias das 12 novas contratadas, como Mylena Carioca e Soraya, que entraram nos acréscimos para ajudar a segurar o resultado.
A próxima partida do São Paulo é contra o Bahia em casa, na próxima segunda (23). Já o Internacional enfrenta o América/MG fora de casa no sábado (21).
