Técnico do América-MG, Jorge Victor concedeu uma entrevista exclusiva ao Campo Delas, do iG. O time mineiro luta contra o rebaixamento na reta final da primeira fase do Campeonato Brasileiro Feminino. Restam apenas duas rodadas.
O América-MG está fora do Z-2 e possui os mesmos sete pontos do Vitória. Entretanto, o clube mineiro está à frente do baiano no quesito saldo de gols. O Botafogo é o lanterna com 5 pontos. Dois times serão rebaixados após as 17 rodadas da fase inicial da competição.
As Spartanas encaram o Fluminense neste sábado (15), no estádio Luso-Brasileiro. Por fim, fecham a competição em casa diante do Red Bull Bragantino no dia 22.
Contratado pelo América-MG Feminino em setembro de 2022, Jorge Victor é o segundo técnico com o trabalho mais longevo entre times das Séries A e B do Campeonato Brasileiro Masculino e Feminino. Portanto, só tem menos tempo no cargo do que Abel Ferreira, que está no Palmeiras Masculino desde 2020.
Nesta entrevista, o treinador comentou com sinceridade sobre os próximos adversários, falou da luta contra o rebaixamento e fez uma avaliação do elenco atual das Spartanas, que recebeu reforços em um período dramático da competição.

Avaliação do elenco no Brasileirão
O América deve ter um dos menores orçamentos da Série A 1 e fez mais um jogo de muita luta, conseguindo segurar o Flamengo. E essa garra parece ter sido mesmo a característica das Spartanas no Campeonato. Diante de vários obstáculos, como os problemas financeiros, qual avaliação você faz do elenco na competição?
Quanto à avaliação do elenco durante a competição, eu creio que o primeiro ponto foi deixar muito claro para as atletas, e eu creio que elas entenderam, qual seria o objetivo da competição e a importância da resiliência nesse processo. Sabendo que o Campeonato seria extremamente difícil e que nós chegaríamos nas últimas rodadas com necessidade de pontuar, assim como com a importância de estar com energia mental, principalmente, para chegar nesse momento desgastados, mas com ânimo para buscar pontos nesses últimos jogos.
Segundo aspecto, quanto às posições, nós desde o início percebemos que nós tínhamos lacunas no elenco. Então, isso influenciava nas minhas decisões quanto à estratégia de jogo, plataformas que eu ia utilizar. E em alguns momentos nós procuramos utilizar atletas em diferentes posições, em outros momentos nós procuramos adaptar uma plataforma de jogo que fosse mais confortável para que pudéssemos juntar forças nossas com o aproveitamento das debilidades dos adversários.

Objetivo do América: 10 pontos
Falando dessa reta final do Campeonato. Em termos de pontos, com que número você trabalha para que o América permaneça na primeira divisão?
Quanto à previsão de pontos, nós, desde o início do Campeonato, trabalhávamos com uma referência de 10 pontos. Contudo, o que nós temos visto a cada momento é que é importante nós nos estarmos atentos aos critérios de desempate, porque as pontuações estão muito parecidas. E que, no fim das contas, nós precisamos ter um ponto a mais que o nosso adversário para nós conseguirmos alcançar o nosso objetivo. Mas a primeira referência nossa são 10 pontos.
Adversários finais: Fluminense e Red Bull Bragantino
Você poderia compor uma análise sobre os dois últimos adversários, Fluminense e Red Bull Bragantino?
Sobre os nossos dois próximos adversários, o aspecto que eu mais destaco do Fluminense é a capacidade vencer em situações difíceis. O Fluminense venceu o próprio Red Bull, que é o nosso último adversário, com uma jogadora a menos. Jogando o finalzinho do primeiro tempo e o segundo tempo todo com uma jogadora a menos. O Fluminense tirou pontos de equipes no final de jogo.
O Fluminense venceu o Botafogo fazendo um gol na parte final do jogo. Isso mostra uma questão sobre a resiliência do time, a força do Fluminense. E também porque, ao meu ver, tudo se relaciona com o treinador que a equipe tem. que é o Saulo (Silva), que vem fazendo um grande trabalho. E que tem, como características, essa determinação, essa resiliência, essa garra.
Então eu acredito que o time está cada vez mais parecido com o que o Saulo é como treinador e como homem. Quanto ao Red Bull, eu vejo em um processo um pouco diferente. Se a gente for fazer uma avaliação de até anos anteriores, o Red Bull começou a mudar um pouco a sua identidade de jogo.
Esse ano tem uma variabilidade na sua forma de jogar, pelo que eu tenho visto. Então vai ser um duelo mais difícil do ponto de vista de variabilidade das ações táticas, porque o Fluminense tem um padrão mais estabelecido. O Red Bull varia um pouco esse padrão daquilo que tem mostrado. E principalmente porque as duas equipes, tanto o Fluminense quanto o Red Bull, têm chance de classificação no G-8.
Então, elas vão procurar fazer três pontos valiosos, pensando os objetivos delas e nós pensando o nosso objetivo de permanência.

Reforços importantes na reta final
Após a parada do Brasileirão Feminino, algumas jogadoras foram contratadas: a lateral-esquerda Giselly, e as meio-campistas Ana Júlia e Clarinha, vindas do Palmeiras. A última a chegar, e ainda não estreou, foi a zagueira Gi Santos, ex-Inter, que repõe a saída da experiente ex-capitã Mimi. Como os reforços que chegaram podem ajudar o América a se manter na elite do Futebol Feminino nacional?
Na avaliação dos reforços, eu creio que eles tiveram alguns aspectos. Primeiro, de pegar algumas lacunas e oportunidades que haviam no nosso elenco. Segundo ponto, da capacidade física que essas atletas chegaram. Terceiro, de gerar também, não só elas, porque elas chegaram com o ânimo e o desejo de aproveitar as oportunidades de jogar. Quanto ao elenco também, que as abraçou muito bem.
E percebeu que eram três reforços que iriam contar muito dentro do campo e no nosso ambiente de trabalho diário. Então acredito que esses reforços foram essenciais para esses pontos. Por exemplo, o último ponto que conquistamos contra o Flamengo. E também os próximos pontos que vamos conquistar nesses dois próximos jogos.

