Você deve se perguntar o motivo da distância entre Barcelona e Real Madrid, atualmente, no Futebol Feminino. Nos últimos 15 dias, as equipes se enfrentaram três vezes, duas pela Champions e uma pela Liga F, com o time catalão levando a melhor em todas. No total dos placares, um sonoro 15 a 2. Um número assustador, tratando-se de dois dos maiores clubes do mundo. Porém, quais são razões para que a equipe culé se sobressaia tanto contra seu maior rival? O Campo Delas listou alguns pontos que podem corroborar para tamanha disparidade.
Investimento na modalidade e projeto

Diferente do Real Madrid, o Futebol Feminino do Barcelona tem uma história mais longeva. Profissionalizado em 2015, a equipe catalã teve seu primeiro time formado muito antes, em 1970. A história conta que a jovem de 18 anos Inmaculada Cabecerán propôs ao presidente do clube na época a formação de um elenco de mulheres, visto que outros países já tinham. O mandatário Augustín Montal, então, deu a ela uma missão: juntar o máximo de mulheres possível. Caso conseguisse, o clube abraçaria o time. E assim aconteceu. Em dezembro do mesmo ano, o Barcelona Feminino entrou em campo pela primeira vez. Os anos passaram e o investimento não parou. O clube da Catalunha é uma das referências mundiais na modalidade, conquistando título e revelando inúmeras atletas para o mundo. Enquanto isso, o Real Madrid só foi criar sua equipe feminina em 2020.
Outro ponto na questão de investimento vem nas categorias de base do clube. Assim como no masculino, o feminino do Barça aposta na formação. Duas das melhores jogadoras do mundo foram criadas em “La Masia”. Aitana Bonmati e Alexia Putellas, juntas, detêm cinco prêmios de Melhor do Mundo. Além disso, o Barcelona, sempre que possível, abre as portas do Camp Nou para a equipe feminina. Por outro lado, o presidente do Real Madrid, Florentino Perez, já afirmou que o time só jogará no Santiago Bernabéu após conquistar o primeiro título.
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Estilo de jogo consolidado

Reprodução/Instagram @FCBfemeni
Desde sua criação, o Barcelona mantém um estilo de jogo consolidado. Conhecida mundialmente, a marca da equipe catalã, com posse de bola dominante, passes rápidos e ocupação de espaço, já vista no masculino, também abrange o feminino. Isto sendo trabalhado desde muito cedo com as jogadoras, que se formam no clube e seguem o mesmo estilo desde muito novsa. O Real Madrid, por sua vez, segue apostando em captar valores jovens, como a colombiana Linda Caicedo, Entretanto, o clube madridista segue sofrendo para medir forças com o Barça.
Sem referência

Por ter apenas seis anos na modalidade, o Real Madrid também sofre sem ter uma jogadora que seja referência. E isto não só para a torcida, mas também ao próprio elenco. Diferente disso, o Barcelona, como já dito, tem em seu time jogadoras que já conquistaram muito na modalidade, a nível de clube e Seleção. Com multicampeãs da Champions League e também da Copa do Mundo, este é o outro ponto que faz as catalãs serem ainda mais fortes na Espanha.
Folha salarial

Para conseguir, ao menos, ser mais competitiva frente ao Barcelona, a equipe madridista investiu 30 milhões de euros (cerca de R$ 178 milhões, na cotação atual) para a atual temporada. Porém, não foi suficiente. A folha salarial do Barça custa quase o dobro. Isto faz com que o retrospecto entre os dois times siga sendo tão disparado. Com as três últimas vitórias, a equipe culé já soma 25 placares favoráveis no confronto e perdeu apenas uma vez. O único triunfo da equipe de Madrid aconteceu na Liga F, em março de 2025, por 3 a 1.
Ao que tudo indica, portanto, ainda levará um tempo para que vejamos o El Clásico Feminino ser tão disputado quanto o masculino. Enquanto o Real Madrid já se despediu de todas as competições na temporada, o Barcelona segue vivo. É finalista da Copa da Rainha, semifinalista da Champions League e está com uma mão na taça para conquistar, mais uma vez, a Liga F. Seria o sétimo título consecutivo de Campeonato Espanhol para as mulheres do Barcelona.
