Conciliar a carreira com a maternidade é um desafio de inúmeras mães. No esporte, esse dilema também é um capítulo enfrentado pelas atletas. A maior artilheira do Santos Feminino Ketlen Wiggers contou detalhes da rotina pós-parto, em entrevista exclusiva ao Campo Delas, do Portal iG, e projetou como será o retorno aos gramados.
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Em 2025 a Sereia da Vila ficou fora de uma conquista importante para o clube, voltar à elite do Futebol Feminino. A gravidez do primeiro filho, o pequeno Lucca, fez com que a atacante saísse do protagonismo e assumisse como torcedora o trabalho que terminou com o título de campeãs da Série B.
“2025 foi bem diferente. Eu tinha planejado retornar com as Sereias para a Série A e não pude realizar esse desejo, mas foi um ano maravilhoso e pude acompanhar o trabalho com elas. Como atleta eu fiquei de fora, mas treinei com a equipe, acompanhei o dia a dia. Como torcedora foi bem difícil por não estar lá dentro ajudando. Elas fizeram o papel delas e eu fico muito feliz de poder retornar a série A no ano que vem”, analisa Wiggers.

Aos 33 anos, a catarinense de Rio Fortuna já tem uma longa história no futebol. Iniciou a carreira profissional no Santos Feminino em 2007, mas até voltar para as Sereias da Vila, em 2015, passou pelo Flamengo, Bangu, Vitória das Tabocas, Centro Olímpico. Fora do país, atuou pelo Vittsjo GIK, da Noruega, e Boston Breakers,dos EUA.
De artilheira a mãe de primeira viagem
No total, Ketlen Wiggers já disputou 254 partidas e marcou 123 gols, sendo a maior artilheira da história do Santos Feminino. Apesar de toda experiência dentro de campo, agora vive um desafio inédito: a maternidade. A atleta ainda está aprendendo com a nova vida de mãe.
“Esse primeiro tem sido realmente de adaptação à ele. É novo para mim, então eu estou me adaptando a tudo, a rotina, ao sono, à preparação de sono. É uma rotina bem intensa”, explica.
Lucca nasceu em 20 de novembro após uma cesárea, e é filho de Ketlen e do médico Ricardo Eid. A cirurgia prevê um tempo de recuperação maior, incluindo a indicação de não praticar esportes de alto impacto. Wiggers foi a atleta brasileira que ficou mais tempo em atividade durante a gestação. Ela treinou até os oito meses.

“Fico muito feliz que o Futebol Feminino tenha mudado bastante. Os clubes, as instituições têm apoiado as mulheres de poder realizar o sonho de ser mãe junto com a atleta. A minha vida hoje fica como exemplo de que é possível ser mãe e atleta. Ano que vem eu vou poder retornar, então é possível realizar esses dois sonhos e não precisa abrir mão de um. Fico feliz de poder viver isso junto com meu filho”, conta Wiggers.
De licença maternidade por quatro meses, Ketlen retorna para a temporada de 2026.
“Já fico imaginando a sensação de poder estar em campo e ele me assistindo na arquibancada. Fico ansiosa, claro, com esse retorno, com essa volta, mas pensando aos pouquinhos também no cuidado dele agora, no meu cuidado também”, projeta.
Segurança para as mães jogadoras e o futuro do Futebol Feminino
Recentemente a CBF afirmou que em 2026 vai formalizar o apoio às jogadoras lactantes para que possam viajar com os filhos durante o período de amamentação. A entidade vai pagar os custos das viagens para as mães e os bebês.
“Recebi essa notícia poucos dias depois que o Lucca nasceu. Fiquei muito feliz porque era algo que eu tinha um certo medo. Como eu iria viajar sem ele, como iria amamentar ele sendo que eu estaria longe muitas das nossas viagens? Isso dá, com certeza, mais segurança para mim e para outras atletas que desejam e tem esse sonho”, celebra.
Apesar da evolução, a categoria ainda precisa de mais cuidado dos dirigentes. Como atleta, Ketlen falou sobre como enxerga que esse crescimento precisa chegar aos gramados.
“Os clubes e as federações precisam trabalhar mais a base, que é o futuro do Futebol Feminino no Brasil e, também, deixar nosso ano mais cheio de competições e jogos. Muitas vezes a gente fica um mês sem ter jogo, meio do ano para novamente, apenas treinando”, explica.


