O futebol vive uma virada histórica. E o investimento das marcas no Futebol Feminino acompanha esse crescimento. Desta vez os números deixam claro: não é tendência passageira, é mercado consolidado. A pesquisa “Consumo do Futebol Feminino”, realizada por Máquina do Esporte e Dibradoras e apresentada durante o Fórum Futebol Feminino – 2027: o jogo é em casa, mostra que 82,4% das pessoas estão mais propensas a consumir marcas que apoiam a modalidade.
O interesse não se limita ao discurso. Entre os entrevistados, 96% afirmaram acompanhar competições femininas, e quase metade consome conteúdos ou jogos quatro vezes por semana ou mais, um engajamento que ultrapassa o patamar do “fã casual”.
Mas afinal, quem é esse público que movimenta o Futebol Feminino?
E o mais importante: por que as marcas precisam olhar para esse cenário com seriedade?
O perfil de quem consome Futebol Feminino no Brasil
A pesquisa revela um recorte consistente da base de fãs:
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62% têm entre 18 e 35 anos
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68% são mulheres
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54% possuem ensino superior completo
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70% moram na Região Sudeste
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90% acompanham tanto masculino quanto feminino
O dado que mais chama atenção é a frequência de consumo: uma base jovem, escolarizada e ativa nas redes sociais e plataformas digitais. É um público que não apenas assiste, mas participa, cria, compartilha, opina e movimenta narrativas.
O impacto das referências: quem são as principais ídolas da modalidade?
Quando perguntados sobre quem é a maior ídola do futebol feminino, a resposta é quase unânime:
Marta.
Mas a pesquisa também mostra força de outras jogadoras, como: Gabi Zanotti, Byanca Brasil, Tamires, Cristiane, Isa Haas e Duda Sampaio.
O levantamento traz um detalhe simbólico: das sete jogadoras mais citadas, apenas Marta não tem patrocínio de material esportivo. E isso nos leva a outro debate essencial.
Marta: a maior da história e um símbolo da desigualdade nos patrocínios
Desde 2018, Marta abriu mão de contratos com marcas esportivas por considerar as ofertas injustas em comparação com acordos oferecidos a jogadores homens.
A partir daí, passou a jogar com chuteiras sem logotipo, usando o símbolo da própria marca, Go Equal, criada para fomentar a equidade de gênero no esporte.
Em 2019 e 2023, nas Copas do Mundo, Marta repetiu o gesto: nenhuma marca estampada, apenas a causa.
Foi um recado direto para a indústria, e que hoje ganha novo significado num cenário em que o futebol feminino cresce, mas ainda mostra lacunas estruturais.
Mercado em expansão: o Futebol Feminino já movimenta bilhões
Segundo a Deloitte, os esportes femininos de elite devem gerar US$ 2,35 bilhões (R$ 12,57 na conversão atual) globalmente em 2025, um salto que deixa o setor mais atrativo para patrocinadores, clubes e empresas de mídia.
Outra projeção, da Nielsen Sports, aponta que até 2030, o futebol feminino deve entrar no top 5 dos esportes mais consumidos no mundo, com mais de 800 milhões de fãs.
É um movimento global, e o Brasil está dentro dele.
Marcas entram em campo: disputa por protagonismo
O aumento de investimentos já aparece em campanhas recentes:
Nike – “Mete Medo” (2025)
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11 atletas no total,
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5 mulheres protagonizando: Alexia Putellas, Salma Paralluelo, Sam Kerr, Giulia Gwinn e Kerolin.
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Ação no Brasil incluiu a “Estação Mete Medo”, no Parque Villa-Lobos, com experiências imersivas e destaque para Gio Garbelini e Angelina.
Adidas – Chuteira F50 Sparkfusion
Criada com base no maior banco de dados sobre anatomia do pé feminino da história da marca.
Participaram Trinity Rodman, Linda Caicedo, Jule Brand, Vicky Lopez e clubes como Arsenal, Real Madrid e Lyon.

No Brasil, o lançamento contou com Cristiane e a jovem promessa Giovanna Waksmann, que assinou com a Adidas em 2024.
Ou seja: não basta colocar o logo na camisa. É preciso contar histórias e transformar atletas em referências.
O papel das marcas como aliadas no desenvolvimento do Futebol Feminino
Durante o Fórum, Tiago Lia, gerente sênior da Nike, reforçou que investir na modalidade é formar ídolas.
Algo que 56,4% dos entrevistados também apontaram como fundamental.
Quando Kerolin aparece em uma campanha global, quando Gio Garbelini protagoniza ativações, quando Angelina vira rosto de ações imersivas é porque algo maior está sendo construído: referência, pertencimento, futuro.
E isso importa.
Por que investir no futebol feminino é uma via de mão dupla
Para as marcas, benefícios claros:
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Relevância
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Associação a causa social
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Engajamento qualificado
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Alcance orgânico alto
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Público jovem e fiel
Para as atletas e clubes:
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Reconhecimento
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Melhores estruturas
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Profissionalização real
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Valorização de carreira
Investir aqui é impacto cultural, é construção de futuro, é negócio.
