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Direto ao Ponto

O boom do futebol feminino e o interesse crescente das marcas

Atualizado em: 27/11/2025 16:28
Íris Araújo
6 Min de Leitura
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Foto: Sam Robles/Divulgação

O futebol vive uma virada histórica. E o investimento das marcas no Futebol Feminino acompanha esse crescimento. Desta vez os números deixam claro: não é tendência passageira, é mercado consolidado. A pesquisa “Consumo do Futebol Feminino”, realizada por Máquina do Esporte e Dibradoras e apresentada durante o Fórum Futebol Feminino – 2027: o jogo é em casa, mostra que 82,4% das pessoas estão mais propensas a consumir marcas que apoiam a modalidade.

O interesse não se limita ao discurso. Entre os entrevistados, 96% afirmaram acompanhar competições femininas, e quase metade consome conteúdos ou jogos quatro vezes por semana ou mais, um engajamento que ultrapassa o patamar do “fã casual”.

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Mas afinal, quem é esse público que movimenta o Futebol Feminino?
E o mais importante: por que as marcas precisam olhar para esse cenário com seriedade?

O perfil de quem consome Futebol Feminino no Brasil

A pesquisa revela um recorte consistente da base de fãs:

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  • 62% têm entre 18 e 35 anos

  • 68% são mulheres

  • 54% possuem ensino superior completo

  • 70% moram na Região Sudeste

  • 90% acompanham tanto masculino quanto feminino

O dado que mais chama atenção é a frequência de consumo: uma base jovem, escolarizada e ativa nas redes sociais e plataformas digitais. É um público que não apenas assiste, mas participa, cria, compartilha, opina e movimenta narrativas.

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O impacto das referências: quem são as principais ídolas da modalidade?

Quando perguntados sobre quem é a maior ídola do futebol feminino, a resposta é quase unânime:
Marta.

Mas a pesquisa também mostra força de outras jogadoras, como: Gabi Zanotti, Byanca Brasil, Tamires, Cristiane, Isa Haas e Duda Sampaio.

O levantamento traz um detalhe simbólico: das sete jogadoras mais citadas, apenas Marta não tem patrocínio de material esportivo. E isso nos leva a outro debate essencial.

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Marta: a maior da história e um símbolo da desigualdade nos patrocínios

Desde 2018, Marta abriu mão de contratos com marcas esportivas por considerar as ofertas injustas em comparação com acordos oferecidos a jogadores homens.

A partir daí, passou a jogar com chuteiras sem logotipo, usando o símbolo da própria marca, Go Equal, criada para fomentar a equidade de gênero no esporte.

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Em 2019 e 2023, nas Copas do Mundo, Marta repetiu o gesto: nenhuma marca estampada, apenas a causa.
Foi um recado direto para a indústria, e que hoje ganha novo significado num cenário em que o futebol feminino cresce, mas ainda mostra lacunas estruturais.

Mercado em expansão: o Futebol Feminino já movimenta bilhões

Segundo a Deloitte, os esportes femininos de elite devem gerar US$ 2,35 bilhões (R$ 12,57 na conversão atual) globalmente em 2025, um salto que deixa o setor mais atrativo para patrocinadores, clubes e empresas de mídia.

Outra projeção, da Nielsen Sports, aponta que até 2030, o futebol feminino deve entrar no top 5 dos esportes mais consumidos no mundo, com mais de 800 milhões de fãs.

É um movimento global, e o Brasil está dentro dele.

Marcas entram em campo: disputa por protagonismo

O aumento de investimentos já aparece em campanhas recentes:

Nike – “Mete Medo” (2025)

  • 11 atletas no total,

  • 5 mulheres protagonizando: Alexia Putellas, Salma Paralluelo, Sam Kerr, Giulia Gwinn e Kerolin.

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  • Ação no Brasil incluiu a “Estação Mete Medo”, no Parque Villa-Lobos, com experiências imersivas e destaque para Gio Garbelini e Angelina.

Adidas – Chuteira F50 Sparkfusion

Criada com base no maior banco de dados sobre anatomia do pé feminino da história da marca.
Participaram Trinity Rodman, Linda Caicedo, Jule Brand, Vicky Lopez e clubes como Arsenal, Real Madrid e Lyon.

Foto: Divulgação/Adidas

No Brasil, o lançamento contou com Cristiane e a jovem promessa Giovanna Waksmann, que assinou com a Adidas em 2024.

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Ou seja: não basta colocar o logo na camisa. É preciso contar histórias e transformar atletas em referências.

O papel das marcas como aliadas no desenvolvimento do Futebol Feminino

Durante o Fórum, Tiago Lia, gerente sênior da Nike, reforçou que investir na modalidade é formar ídolas.
Algo que 56,4% dos entrevistados também apontaram como fundamental.

Quando Kerolin aparece em uma campanha global, quando Gio Garbelini protagoniza ativações, quando Angelina vira rosto de ações imersivas é porque algo maior está sendo construído: referência, pertencimento, futuro.

E isso importa.

Por que investir no futebol feminino é uma via de mão dupla

Para as marcas, benefícios claros:

  • Relevância

  • Associação a causa social

  • Engajamento qualificado

  • Alcance orgânico alto

  • Público jovem e fiel

Para as atletas e clubes:

  • Reconhecimento

  • Melhores estruturas

  • Profissionalização real

  • Valorização de carreira

Investir aqui é impacto cultural, é construção de futuro, é negócio.

TAGGED:futebol feminino
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Íris Araújo
PorÍris Araújo
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Íris Araújo cursa jornalismo na Faculdade São Francisco de Assis. No Campo Delas, escreve sobre o dia a dia do São Paulo Futebol Clube. Além disso, participa de projetos que falam sobre futebol no geral. Sua grande paixão além do esporte, é contar histórias que tragam a paixão pelo que faz.
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