Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e integrantes da imprensa feminina de São Paulo, divulgaram nas redes sociais, nesta quarta-feira (24), um movimento em defesa a jornalista Renata Mendonça, que foi alvo de declarações ofensivas de Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, na terça-feira (23).
Nota nas redes sociais
“Nós, mulheres que atuam na cobertura esportiva e também nos bastidores da comunicação, manifestamos nossa total solidariedade à jornalista Renata Mendonça, da TV Globo, alvo de uma declaração ofensiva, machista e inaceitável por parte do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista”, disse no post.
“Ao se referir à aparência física de uma profissional, o dirigente ultrapassa qualquer limite do debate esportivo e do direito à crítica. Trata-se de um ataque pessoal, que nada tem a ver com jornalismo e reforça práticas misóginas historicamente usadas para constranger e deslegitimar mulheres”, continuou.
“Renata Mendonça construiu uma trajetória marcada por trabalho incansável, competência e compromisso com o desenvolvimento do futebol feminino no Brasil, dando visibilidade, profundidade e credibilidade a uma modalidade que por muito tempo foi negligenciada. Seu trabalho é reconhecido por colegas, atletas, clubes e pelo público.”
“A fala de BAP não atinge apenas uma jornalista, mas todas as mulheres que atuam no meio esportivo e que seguem enfrentando tentativas de intimidação e desqualificação. De dirigentes e representantes institucionais, espera-se responsabilidade, respeito e compreensão do peso de suas palavras. O machismo não é opinião, não é crítica e não pode ser normalizado”, finalizou.

Falas que repercutiram nas redes
O dirigente afirmou que o clube carioca tem um prejuízo anual de R$ 11 milhões, o equivalente a R$ 1 milhão por mês, com o Futebol Feminino, ao criticar os valores pagos por direitos de transmissão das competições nacionais e a concentração das receitas nas mãos das emissoras, durante uma fala em que detalhou números, custos e a relação com a TV Globo.
Ao comentar os contratos de transmissão, Bap afirmou que os valores recebidos pelo Flamengo são baixos diante dos custos da modalidade.
“A gente ganha 480.000 pelo brasileiro, 480.000, 110.000 pelo brasileiro sub-20, 90.000 pela Copa do Brasil e esses outros valores ridículos que estão aqui. Isso é justo?”, questionou.
O dirigente também reconheceu que o Futebol Feminino ainda não se equipara ao masculino em termos de audiência, mas afirmou que a diferença de receitas não pode ser tão grande.
“A audiência é crescente, tem relevância na TV aberta e fechada. Se compara ao futebol masculino? Não. Mas não pode ser essa diferença”, disse.
Críticas ao modelo de transmissão e às emissoras
O presidente criticou o modelo de negócios das emissoras e disse que a receita gerada por publicidade e marketing não chega aos clubes.
“TV fica com os lucros do pacote de marketing e não distribui aos clubes”, afirmou, antes de direcionar críticas à Globo.
Em tom mais duro, Bap disse que há cobrança pública sobre os clubes sem transparência sobre os valores pagos pelas emissoras.
“Então tem lá a nariguda da Globo que fica falando mal da gente e tudo mais, do futebol que não estimula. Dá vontade de chegar e falar: ‘Filha, convence a sua empresa a botar 10 milhões por ano, 20 milhões por ano em direito de transmissão, que aí a coisa fica melhor’”, afirmou.
Segundo ele, os custos da modalidade recaem integralmente sobre os clubes. “Quem é que tem que pagar as contas? Somos nós que temos que pagar a conta”, disse.
Na sequência, voltou a citar os números do Flamengo. “Flamengo bota 22 milhões no negócio. Perde 11 milhões por ano, perde 1 milhão por mês com Futebol Feminino. O dinheiro da transmissão fica todo com a Globo. É justo?”, concluiu.
