A revelação inglesa da Eurocopa 2025, Michelle Agyemang sofreu uma lesão no ligamento cruzado anterior, no amistoso entre Inglaterra e Austrália este ano. Assim como Agyemang, diversas jogadoras sofrem com esse trauma em específico e em 2025 a quantidade deste tipo de lesão cresceu. Atletas como Leah Williamson, Alexia Putellas, Lorena e Laís Estevam enfrentaram a lesão de LCA.
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Por que existem tantos casos no Futebol Feminino?
A Dra. Katrine Okholm Kryger, professora de medicina esportiva da Universidade St. Mary’s, em Londres, e especialista em futebol, comentou que é preciso analisar diversos ângulos para encontrar a causa, desde fatores anatômicos a fatores sociais.
“Temos que ter muito cuidado quando falamos sobre isso no futebol feminino, porque existe uma tendência, tanto na pesquisa quanto na mídia, de dizer ‘ah, as mulheres são tão instáveis, frágeis, por causa de sua anatomia, suas flutuações hormonais’, mas não comprovamos que essa seja a causa dessas lesões.” Disse a médica e especialista Katrine Kryger para a BBC Sport.
O que é a lesão de LCA
O ligamento cruzado anterior é um ligamento crucial do joelho, que promove a estabilização das articulações e liga o osso fêmur até a tíbia. Esse ligamento previne o deslizamento excessivo da tíbia para frente em relação ao fêmur.
Quando se rompe essa junção, a sensação da atleta além da dor e inchaço, é a falta de estabilidade o que impossibilita totalmente a atividade física. Necessitando de correção cirúrgica, que afasta a jogadora por pelo menos 6 a 9 meses, com o acompanhamento e fisioterapia frequente.

Fatores anatômicos
Apesar de existirem indícios de que a incidência da lesão seja maior entre as mulheres devido a fatores hormonais ou diferenças biológicas e ósseas entre o corpo feminino e masculino. A Dra. Katrine Kryger faz questão de destacar que ainda faltam estudos sérios que comprovem se esses fatores realmente eleva o risco de lesão.
Fatores sociais
Segundo o estudo publicado na revista britânica, British Journal of Sports Medicine, as mulheres têm 3 a 6 vezes mais chances de romper o LCA. Além disso, a análise indica que apenas 65% dos atletas retornam ao nível em que estavam pré-lesão. No entanto, os homens apresentam maiores chances de retorno ao esporte com 1,7 vezes a mais do que as mulheres.
Ainda no estudo, os autores defendem que atribuir a maior incidência de lesões de LCA em mulheres apenas a fatores biológicos é uma explicação incompleta. Pois essa abordagem ignora questões estruturais, sociais e culturais que influenciam diretamente o desenvolvimento das atletas, desde a infância até o alto rendimento. Por fim, a pesquisa defende a ideia que o gênero molda o ambiente esportivo, e a preparação física das atletas.

Fifa
Uma pesquisa da Universidade de Kingston, financiado pela FIFA, irá estudar se os fatores biológicos contribuem para o aumento de lesões de LCA no futebol feminino. O estudo analisará como principal hipótese se as flutuações hormonais que ocorrem no corpo feminino impactam a probabilidade de lesões.
Com novas pesquisas e investimentos na saúde das atletas, pesquisadores e jogadoras esperam que haja avanços na compreensão do motivo de maiores incidências dessa lesão no futebol feminino.
