Jogadoras ainda lidam com problemas na modalidade | Crédito: Divulgação/CBF/Lívia Villas Boas
A FIFPRO, entidade internacional que representa jogadoras e jogadores profissionais, divulgou recentemente uma pesquisa sobre as condições de trabalho no Futebol Feminino. O estudo ouviu 407 jogadoras de seleções nacionais de 41 países. Todas disputaram competições continentais em 2025, como a EURO, a Copa América, a Copa Africana de Nações e a OFC Women’s Nations Cup.
O levantamento buscou entender como essas atletas vivem fora de campo. A pesquisa trouxe temas como renda, contratos, necessidade de outro emprego, descanso e viagens. Os dados revelam que ainda há muitos problemas, mesmo com alguns avanços em relação ao mesmo estudo feito em 2022.
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Renda baixa e falta de contrato
A renda anual das jogadoras é um dos principais pontos a se destacar no relatório. Segundo a FIFPRO, 66% das atletas recebem menos de 20 mil dólares por ano (cerca de 110 mil reais). Neste grupo, quase um terço afirmou ganhar entre zero e 4.999 dólares (aproximadamente 27,7 mil reais) por ano. Entretanto, esses valores mostram que, para muitas jogadoras, o futebol não garante sustento financeiro.
A falta de contrato também é comum na modalidade. De acordo com a pesquisa, 33% das jogadoras têm contrato de apenas um ano com seus clubes. Outras 22% afirmaram não ter contrato algum.
Diante deste cenário, muitas atletas precisam buscar outra fonte de renda. No estudo, 25% das jogadoras têm um segundo emprego fora do futebol. Elas dividem o tempo entre treinos, jogos e outra atividade profissional para conseguir manter a rotina financeira.
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A FIFPRO destaca que a falta de contrato, ou pouca duração deles, dificultam o acesso as necessidades básicas, como garantias em caso de lesão, férias e estabilidade.
Pouco descanso entre jogos
O descanso entre partidas também foi um tema abordado na pesquisa. Segundo os dados, 58% das jogadoras acreditam que não há tempo suficiente para descansar antes dos jogos pelas seleções nacionais. O calendário cheio e os deslocamentos são fatores que dificultam na rotina das atletas.
As jogadoras relataram que, muitas vezes, saem de compromissos pelos clubes direto para viagens internacionais, sem tempo para uma recuperação de qualidade. Para a FIFPRO, a falta de descanso pode afetar o desempenho e aumentar o risco de problemas físicos.
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A entidade também expõe que o crescimento do número de competições precisa vir acompanhado de ajustes no calendário para garantir as condições ideais de recuperação.
Jogadoras viajando para Seleção Brasileira no meio da temporada | Crédito: Instagram/@selecaofemininadefutebol
Viagens longas e em classe econômica
As condições de viagem também se tornam um ponto de atenção no estudo. Entre as atletas entrevistadas, 75% disseram ter viajado em classe econômica para disputar torneios internacionais. Apenas 11% relataram viagens em classe econômica premium ou executiva.
De acordo com a FIFPRO, o tipo de viagem influencia diretamente o descanso das jogadoras, principalmente em trajetos longos e com pouco intervalo entre partidas. A organização afirma que esse é um ponto importante para melhorar a rotina das atletas em competições internacionais.
Apesar dos números ainda ruins, a pesquisa mostra avanços em comparação com 2022. As próprias jogadoras afirmaram perceber melhorias na estrutura e no profissionalismo em algumas regiões de seus respectivos países. Para a FIFPRO, isso indica que investimentos e maior visibilidade já começam a gerar mudanças no Futebol Feminino, mesmo que de forma desigual.
Jornalista em formação pela FAM. Atua como redatora e setorista do Corinthians Feminino no Campo Delas, do iG. Apaixonada por esportes e pela escrita, busca trazer o dia a dia e histórias que vão além do placar.