A capital de Córdoba celebrou o ápice de um projeto resiliente. Em uma tarde histórica no Gigante de Alberdi, o Belgrano reverteu a desvantagem do jogo de ida, venceu o Racing por 2 a 0, garantiu seu primeiro título nacional e fez tremer as estruturas da hegemonia do Futebol Feminino argentino.
O palco era digno de uma final de Copa Libertadores. Neste domingo (14), o estádio Gigante de Alberdi não suportou o peso da expectativa, mas sim o volume de mais de 26 mil vozes que empurraram o Belgrano à glória. Com o ar tingido pelo azul celeste da fumaça dos sinalizadores, o Belgrano precisava de uma exibição memorável para superar a derrota de 1 a 0 sofrida no Cilindro de Avellaneda. E foi exatamente o que a equipe entregou.
Blitz inicial e o nocaute de Paz
O time de Córdoba, sob o comando da técnica Mariana Sánchez, não deu tempo para o Racing respirar. Aos cinco minutos, a desvantagem no placar agregado já era história. Em uma rápida descida pela esquerda, Lourdes Rodríguez armou a jogada para Mayra Acevedo que, com oportunismo, abriu o placar. O 1 a 0 explodiu o Alberdi, iniciando a festa embalada pelo ritmo de Córdoba.
O golpe de misericórdia veio antes da primeira meia hora de jogo. Aos 30 minutos, novamente pelo lado esquerdo, o Belgrano encontrou espaços. A atacante Alaides Paz não perdoou, marcando o segundo gol. O 2 a 0 no placar da final não apenas garantia a taça como também consolidava o domínio territorial das “Piratas” no jogo.
Redenção após a dor
Esta conquista não se trata de apenas um título, é a celebração de um projeto que se recusou a desistir. Esta era a terceira final do Belgrano desde o acesso à elite e, após os vices dolorosos para River Plate (Copa Federal) e Boca Juniors (Torneio Nacional), o peso da história foi finalmente aliviado.
No segundo tempo, a chuva torrencial adicionou drama à festa. O Racing, ciente da necessidade de pelo menos um gol para forçar os pênaltis, tentou se apoiar nas bolas paradas, mas a defesa do Belgrano, mesmo jogando os minutos finais com dez atletas após uma expulsão, se comportou como uma muralha impenetrável.
A força da base e a reação de Milito
O título coroa uma campanha de excelência, onde o Belgrano eliminou o River Plate nas semifinais e garantiu a liderança do seu grupo na fase regular.
Do lado do Racing, o vice-campeonato é um revés, mas a presença na final demonstra a evolução do clube. O presidente Diego Milito, que havia tentado motivar o elenco feminino após a derrota do time masculino na final do Torneio Clausura, reconheceu o esforço:
“Foi um ano maravilhoso, repleto de grandes emoções e aprendizado… Vamos continuar juntos, porque é assim que nos tornamos mais fortes.”

No entanto, a festa é de Córdoba: a taça do Torneio Feminino de 2025 tem o sotaque e a paixão inigualável do Belgrano.
