Helena Pacheco é um nome que carrega história e transformação no Futebol Feminino brasileiro. Treinadora, educadora e descobridora de talentos, ela foi responsável por lançar algumas das maiores jogadoras do país, tendo entre esses nomes, ninguém menos do que Marta, considerada 6 vezes a melhor jogadora do mundo.
Sua relação com o esporte começou antes mesmo de as mulheres terem direito de jogar futebol no Brasil. Na época, a modalidade era proibida para elas, mas Helena não se conformou com as restrições. Quando tentou cursar Educação Física, precisou assistir às aulas de futebol como ouvinte, sem registro formal, apenas para não deixar o sonho morrer. Esse gesto marcaria o início de uma trajetória ousada e inovadora.
A treinadora que revelou estrelas
No Vasco da Gama, Helena encontrou o palco para mostrar seu talento como treinadora e sua visão única para identificar craques. Foi ela quem descobriu Marta, ainda adolescente, e lhe deu a primeira oportunidade em um clube. Antes, a Rainha do futebol feminino chegou a atuar em um clube de várzea em Belo Horizonte.
Além da camisa 10 da seleção, Helena também revelou jogadoras como Pretinha e Kátia Cilene, que se tornaram referências dentro e fora do país.
Mesmo diante de obstáculos, como a falta de investimento e a descontinuidade de equipes femininas, Helena não desistiu. Seguiu trabalhando para dar espaço e visibilidade às mulheres no esporte, acreditando no potencial de cada atleta que passou por suas mãos. Sua dedicação não só mudou vidas individuais, mas também ajudou a consolidar o futebol feminino no Brasil em tempos de pouco apoio.
Pioneirismo e legado
Até hoje Helena segue sendo lembrada como uma das maiores pioneiras da modalidade. Seu legado vai além das vitórias em campo, ele está na coragem de desafiar normas, na determinação de abrir portas e na capacidade de inspirar novas gerações.
Recentemente visitou o Centro de Memória do Vasco, clube onde construiu boa parte de sua trajetória e pode vê-la refletida nos objetos preservados, nas histórias transformadas em galerias e corredores, mas sua contribuição para o esporte ultrapassa as paredes do museu e segue vivo, nos gols de Marta, em cada lance eternizado de Pretinha e tantas outras jogadoras mulheres que construíram a modalidade.