Historicamente reconhecido por sua base vitoriosa e por garimpar talentos dentro do Brasil, o Futebol Feminino do São Paulo vive uma mudança de paradigma em 2026. Pela primeira vez, o elenco profissional conta com atletas estrangeiras. Mas o que fez o técnico Thiago Viana e a diretoria tricolor mudarem a estratégia de captação?
Na coletiva de apresentação do elenco feminino para a temporada 2026, o técnico Thiago Viana revelou um movimento inédito na história recente do clube. A decisão não é casual. Ela dialoga diretamente com a evolução do futebol feminino sul-americano e com uma mudança estratégica no mercado.
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Tradicionalmente, o São Paulo priorizou atletas nacionais em sua estrutura profissional. A abertura para jogadoras de países vizinhos representa uma leitura mais ampla do cenário continental, especialmente após a última edição da Conmebol Libertadores Feminina, torneio que ampliou a percepção sobre o crescimento técnico e tático das equipes sul-americanas.
O “Efeito Libertadores”: o laboratório de Thiago Viana
Durante a disputa da Copa Libertadores Feminina, Thiago Viana pôde observar de perto o amadurecimento tático e físico das vizinhas sul-americanas. Ao enfrentar equipes como San Lorenzo (ARG), Olimpia (PAR) e Deportivo Cali (COL), o treinador notou algo que ia além do talento individual: uma “cultura de competitividade” e uma entrega física que poderiam elevar o nível das Soberanas.

“É muito importante trazer atletas que vão agregar com uma cultura futebolística diferente, com uma forma diferente de ver o jogo e atletas que vêm de seleções em ascensão, como a Argentina e o Paraguai, que são seleções que estão melhorando a cada ano…”, disse o treinador.
A ascensão de Argentina e Paraguai
A Argentina vive um processo gradual de profissionalização do Futebol Feminino desde 2019, quando a AFA oficializou contratos profissionais na primeira divisão. A seleção argentina voltou a ganhar competitividade na Copa América e nas últimas competições internacionais, além de ampliar a exportação de atletas para o Brasil e Europa.

Clubes como San Lorenzo e Boca Juniors passaram a competir de forma mais consistente na Libertadores Feminina, reduzindo a distância técnica para as equipes brasileiras. A intensidade física, a competitividade e o perfil tático das jogadoras argentinas chamaram atenção de comissões técnicas brasileiras — incluindo a do São Paulo.
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O Paraguai também atravessa um ciclo de evolução. A seleção feminina demonstrou avanço técnico nas últimas competições continentais e a base de clubes como Olimpia e Libertad passou a revelar atletas com maior preparo físico e maturidade tática.
Na última Libertadores, o confronto contra o Olimpia reforçou essa percepção. A organização defensiva, a disciplina tática e o nível de competitividade das paraguaias evidenciaram que o futebol do país vive um momento de consolidação.
Para Thiago Viana, a presença de atletas constantemente convocadas por seleções em ascensão agrega ao elenco não apenas qualidade técnica, mas cultura competitiva internacional, algo que pode fazer diferença em torneios eliminatórios.
A Estratégia “Daniela Arias”: O sucesso que inspira
O São Paulo não está sozinho nessa. O movimento segue uma tendência iniciada por outros gigantes brasileiros. Um caso bem emblemático é o do Corinthians, que buscou a zagueira colombiana Daniela Arias após vê-la brilhar pelo América de Cali na Libertadores de 2023. Arias não apenas se adaptou, como se tornou pilar defensivo das “Brabas”. O São Paulo busca repetir essa fórmula: identificar o destaque no confronto direto e trazê-lo para o seu lado.

Mapeando o Continente: Estrangeiras no Brasil
Atualmente, os principais clubes brasileiros possuem atletas de outros países em seus elencos, elevando o nível técnico do Brasileirão. Além disso, são atletas constantemente convocadas e titulares de suas respectivas seleções.
São Paulo: Vanina (ARG), Marycel (PAR), Camila Barbosa (PAR);
Corinthians: Agustina (ARG), Day Rodriguez (VEN), Belén Aquino (URU), Robledo (COL);
Palmeiras: Tapia (COL), Ana Guzman (COL), Espinales (EQU), Lorena Benitez (ARG), Landazury (COL);

Ferroviária: Seteco (ANG);
Santos: Yoreli Rincón (COL) Mariana Larroquette (ARG,);

Bahia: Wendy Caraballo (URU), Angela Gomez (URU), Martina Terra (URU)


