Criado com objetivo de ampliar a inclusão dentro dos estádios e do futebol, o PorcoÍris, coletivo LGBTQIA+ de torcedores do Palmeiras, também tem atuado no Futebol Feminino. Em entrevista exclusiva para o Campo Delas, do iG, a Letícia Pigari, integrante da torcida, comentou sobre os desafios e a importância da diversidade no esporte.
Origem da torcida
O PorcoÍris surgiu em 2019, após um episódio vivido no Allianz Parque, quando o então presidente Jair Bolsonaro participou da cerimônia de comemoração do Brasileirão em 2018. Com isso, o torcedor João Vitor sentiu a necessidade de criar um espaço seguro e representativo dentro do futebol, o que motivou a formação do coletivo voltado à inclusão e à diversidade nas arquibancadas.
“O criador do PorcoÍris, ele quis trazer um movimento de resistência, mostrando que nem todo palmeirense compactuava com aquela pessoa ali, né? E que existe diversidade dentro da torcida do Palmeiras, que é uma torcida muito plural, muito grande. Então, ele quis trazer esse contraponto, até também como um movimento de resistência para a sociedade”, comentou Letícia Pigari, do PorcoÍris.
Recepção ao coletivo
Desde a criação, o coletivo convive com a diversidade das arquibancadas do time alviverde. Ao relembrar o início da presença nos estádios, Letícia destacou o relacionamento com as torcidas e apontou os desafios enfrentados.
“Sempre tem resistência, sempre tem quem ache que não precisa, quem acha desnecessário, quem acha que a arquibancada não é nosso lugar. Mas considerando o momento que a gente vivia na época, foi muito tranquilo, assim. A gente, o PorcoÍris tem uma relação ok com as organizadas, o PorcoÍris tem uma relação ok com torcedores que vão sempre e não são de organizada nenhuma, os torcedores mais comuns ali”, relembrou.

Presença no Futebol Feminino
O PorcoÍris também está presente nos jogos das Palestrinas. Além de ocupar as arquibancadas, o coletivo também atua em campanhas em parceria com outras páginas e grupos. Um exemplo é a ação idealizada em 2021, “Elas Têm Nome”, criada para defender a inclusão dos nomes das jogadoras nas camisetas.
“A relação com o feminino está muito intrínseca à nossa relação com o futebol, porque a gente entende que elas também estão nesse começo de caminho. E o Futebol Feminino ainda é uma coisa que o torcedor médio brasileiro resiste muito por N questões de não aceitarem que as mulheres joguem, porque eles estão sempre buscando um motivo pra não acompanhar”, comentou Letícia.

Segurança e acessibilidade
Com a confusão recente na Arena Barueri, em partida pelo Brasileirão Feminino, Letícia destacou a falta de segurança dentro dos estádios. Além disso, comentou sobre a falta de acessibilidade enfrentada pelos torcedores.
“A própria equipe que está dentro do estádio fazendo o trabalho de segurança não passa isso para a gente, porque a gente fica com medo, né? De levar um esporro, de levar um xingo, enfim […] E aí essa é uma coisa que a gente de vez em quando comenta, que é muito difícil sentir 100% de segurança. Um, por causa disso, por causa das equipes, e dois, porque a gente não sabe quem está atrás, quem está do lado, né? Às vezes a gente demonstra um trejeito, outro que indica que a gente é LGBT, e aí a gente já fica com medo de sofrer algum caso”.
“Quando você leva pra Barueri, já tem toda a dificuldade de chegar em Barueri, que as pessoas relatam, e vem esse boom de caos. Porque chuva, como foi na final da Supercopa, muita chuva, por mais que os ingressos tenham valores acessíveis ou até mesmo sejam gratuitos, a pessoa não vai querer sair da capital e ir para Barueri com chance de chuva”, complementou Letícia Pigari.

