Nos anos de Futebol Feminino no Brasil, Santos e Ferroviária já travaram inúmeras batalhas gigantes. Entre tantas histórias no confronto, uma delas chama a atenção. Foi em um duelo entre as duas equipes que a alcunha de “Guerreiras Grenás” foi atribuída à Locomotiva. Apelido, este, que pegou e o clube usa até os dias atuais. Quem concebeu tal codinome foram três jornalistas que cobriam o dia a dia da instituição em 2010. O Campo Delas relembra como foi que tudo aconteceu.
Como começou

O dia 11 de setembro de 2010 foi o marco zero disso tudo, em uma partida do Campeonato Paulista entre Ferroviária e Santos, em Araraquara (SP). Três dos jornalistas que acompanhavam o dia a dia do clube estavam nessa partida: Carlos André de Souza, do jornal O Imparcial, Marcos Chiochinni, da equipe de rádio Os Campeões da Bola, e Felipe Santilho, do jornal Tribuna Impressa. São eles, assim, os “culpados” pelo apelido que pegou entre os torcedores.
Naquela época, o Santos era o clube que mais investia e que tinha o melhor time de Futebol Feminino. As Sereias da Vila chegaram para a partida com 18 vitórias em 18 confrontos. O jogo era, portanto, muito difícil para o time afeano, que passava por algumas dificuldades estruturais. No entanto, mesmo com problemas, o elenco da Ferroviária bateu de frente com as adversárias. A partida terminou empatada em 2 a 2, com a Ferroviária jogando melhor e o então técnico da equipe, Paulinho Taiúva, lamentando o empate.
Mas se não foi como ele esperava, a cidade conhecia ali um novo apelido que não só estampou a capa e as manchetes dos jornais de Carlos André de Souza e Felipe Santilho, mas também começou a ser utilizado nos programas da rádio de Marcos Chiochinni.
A escolha aconteceu após alguns nomes passarem pela cabeça dos setoristas. “Guerreiras da Arena” e “Guerreiras da Fonte” foram os primeiros cogitados. Porém, o escolhido foi “Guerreiras Grenás”, que traz a valentia do time nas partidas junto à cor grená, característica do clube.

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Do apelido à mascote

Marcada pelo pioneirismo desde sua fundação em 2001, a equipe feminina da Ferroviária, recentemente, tirou do papel a mascote do time. A mascote “Guerreira” teve sua primeira aparição no dia do aniversário de 75 anos da Locomotiva, em 12 de abril de 2025, na partida contra o São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro Feminino. O primeiro esboço, no entanto, foi feito em 2020, pelo cartunista e jornalista Carlos André de Souza, o mesmo que participou das sugestões para o apelido. De acordo com ele, a inspiração foi a goleira Luciana, um dos maiores nomes da história da Ferroviária – se não for o maior.
Quando apareceu para a torcida pela primeira vez, a mascote estava redesenhada pelo designer gráfico Henrique Nascimento. Carregava um escudo forjado em aço de Locomotiva, que simboliza resistência e transformação.
